segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

De Longe Te Observo

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A Venezuela vive um momento catastrófico econômico e social.
Porém, pode se orgulhar de ter apresentado ao mundo esta pequena Obra Prima que arrematou nada mais nada menos que o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2015.
Estamos diante de um longa árido, passado totalmente nas ruas recheadas de pobreza e dificuldades extremas típicas do chamado “Terceiro Mundo” em um Grau bastante alarmante.
Armando (Alfredo Castro) é um protético de meia-idade solitário acostumado a viver só. A sua relação com o mundo e com as pessoas é sempre distante. Vive sozinho e, para satisfazer a necessidade de alguma relação sexual, oferece dinheiro a garotos que, postados cerca de um metro à frente da poltrona da sua sala, se despem de costas para que Armando se masturbe sem encostar e nem mesmo fazer contato visual com ninguém. Observador que é, das ruas e das pessoas, não é possível saber se a escolha de Elder (Luis Silva), adolescente que entrará em sua vida para marcá-la de forma definitiva, é acidental ou com propósito.
É a relação entre o homem de classe média e o menino de classe baixa, que se sustenta com furtos e com o apoio de uma gangue, que conduz Desde Allá. O filme tem roteiro baseado em uma história do mexicano Guillermo Arriaga – o mesmo de Amores Brutos, 21 Gramas e Babel. Uma história de tratamento literário: De Longe se sustenta sobre coisas não ditas, como as reais intenções de Armando com relação a Elder, um garoto homofóbico de quem ele se dedica a cuidar e sustentar, e a mágoa que o protético tem do pai, que reaparece em Caracas e que ele, novamente, apenas observa pelas ruas. Paralela, a relação de Armando com o pai vai se chocar com a de Armando e Élder. E, mais uma vez, a força virá daquilo não pronunciado.
Destaque para o final absolutamente arrasador!

Nota do CD:
★★★★☆
Sinopse:
Caracas, Venezuela. Armando (Alfredo Castro) é o dono de um laboratório de próteses dentárias que costuma se espreitar pelos pontos de ônibus, de forma a se aproximar de rapazes. Ele oferece dinheiro para que os jovens o acompanhem até sua casa, para que possa se masturbar diante de sua nudez. Um dia, Armando faz a oferta a Elder (Luis Silva), que lidera uma gangue local. Revoltado e desconfiado por natureza, Elder aceita a oferta mas, na casa de Armando, o agride e rouba seu dinheiro. É o início de um complexo relacionamento entre eles, já que Armando volta a procurá-lo dias depois.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Direção: Lorenzo Vigas Castes
Elenco: Alfredo Castro, Luis Silva, Alí Rondon, Jericó Montilla
Roteiro: Lorenzo Vigas Castes, Gillermo Arriaga
Fotografia: Sergio Armstrong
Montadora: Isabela Monteiro de Castro
Distribuição: Imovision
Ano de Produção: 2015

ESTREIA DO DIRETOR DE JUSTIÇA NO CINEMA, REDEMOINHO GANHA TRAILER TENSO

A Vitrine Filmes divulgou o pôster, fotos e o trailer de “Redemoinho”, que marca a estreia no cinema do diretor José Luiz Villamarim, das elogiadas minisséries “Nada Será Como Antes” e “Justiça”. A prévia é tensa, dramática e belamente fotografada, conjurando lembranças de um evento traumático, envolvendo uma ponte e um dia chuvoso.
Vencedor do Prêmio Especial e o de Melhor Ator para Julio Andrade no Festival do Rio 2016, o filme gira em torno do reencontro de dois amigos de infância, Luzimar (Irandhir Santos) e Gildo (Júlio Andrade), após muitos anos afastados. Luzimar trabalha em uma fábrica de tecelagem e nunca saiu do interior. Gildo mora em São Paulo e acredita ter se tornado um homem mais bem sucedido. Na véspera do Natal, Gildo chega à Cataguases para ajudar a mãe, Dona Marta (Cássia Kis), a vender a casa da família. Já Luzimar, casado com Toninha (Dira Paes), por quem é apaixonado, tenta guardar de todos um segredo. Mas a volta do velho amigo pode mudar seus planos e lançá-lo em um arriscado acerto de contas.
O filme é baseado no livro “Inferno Provisório – O Mundo Inimigo Vol. II”, do escritor mineiro Luiz Ruffato. A fotografia é de Walter Carvalho, responsável pelas imagens de “Central do Brasil” (1998), “Lavoura Arcaica” (2001), “Amarelo Manga” (2002), “Carandiru” (2003) e “Heleno” (2011), entre muitos outros. A direção de arte é de Marcos Pedroso (“Praia do Futuro”, “Que Horas Ela Volta?”) e a montagem de Quito Ribeiro (“Tim Maia”).
O longa estreia no dia 9 de fevereiro.

[Resenha/Crítica]: Jogo do Dinheiro

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Um caso de amor com Roberts, Clooney e Foster.
Muitas pessoas vão ao cinema sem ler uma sinopse do filme, sem saber do que se trata, algumas vezes eu faço isso, se tem alguém que eu goste envolvido com a obra isto me basta, e quando se tem Jodie Foster (O Deus da Carnificina (Carnage)) como diretora e, que eu já gosto muito como atriz, e no elenco tendo George Clooney (Caçadores de Obras-Primas), Julia Roberts (Álbum de Família) e o jovem Jack O´Connell, ahh, fui de olhos fechados e só abri quando começou a história e foi muito boa a experiência.
No Jogo do Dinheiro, Lee Gates é um apresentador de programa de tv, que “brinca”, dança, atua e dá dicas de investimentos pra pessoas que não entendem nada sobre bolsas de valores, o jovem Kyle, acreditando em Lee, investiu muito dinheiro e perdeu tudo, Kyle invade a tv, ao vivo, e o faz de refém, e agora pede explicações, Paty, a diretora do programa, é obrigada a “dirigir” o programa com um “novo apresentador”.
Uma das primeiras falas (e certeira) de Paty é que não sabe se eles já fizeram jornalismo, e o pior, é que isso vem se tornando corriqueiro no jornalismo mundial, onde o espetáculo sobressai à notícia, não existindo imparcialidade, só interesses particulares. Que o diga o nosso jornalismo brasileiro que está indo de mal a pior. E quantas pessoas acreditam no que estão vendo? Muitos não têm a capacidade de correr atrás dos fatos pra saber o que é real e o que é inventado, assim tudo se torna erradamente certo. Mas as coisas vão mudando aos pouquinhos, hoje temos a internet e isso ajuda muito na percepção dos fatos.
Aqui, o absurdo de um homem fazer outro de refém na tv se torna bem real, graças à ótima condução da diretora Jodie Foster, ela já tinha dirigido três filmes, mas nenhum tão eletrizante e conduzido com mão de ferro, pois ela consegue mesclar as cenas de adrenalina com outras de apuro mais sentimental, mas sem cair na pieguice, mesmo quando o roteiro, em alguns momentos, tenta dar-lhe uma rasteira, fazendo-a forçar a barra um pouco mais, mas sem tirar o brilho da história.
jogo-do-dinheiroNão é de hoje que tenho um caso de amor com Julia e George, se tem o nome da Julia Roberts lá estou pra vê-la em ação, claro, nem sempre acerta, mas sua presença é, muitas vezes, maior que o próprio filme, ainda bem que aqui ela teve bons roteiristas e uma diretora segura no que queria. E George Clooney não fica atrás, o cara é o cara, desde a série de tv Plantão Médico que ele vem acertando, quase sempre, sabendo escolher bem os seus papéis no cinema, e quando está perto de amigos (Julia e Jodie) ele faz a festa e a gente ganha bons momentos do moço e aqui, ele e Julia, tiveram poucos momentos juntos por conta de suas agendas atarefadas. E ainda temos Jack O´Connell, o rapaz é um grande talento em tudo o que faz, se bem que Angelina Jolie quase “acaba” com a sua boa representatividade no pavoroso Invencível e, que não é totalmente uma bomba, só por causa da presença iluminada de O´Connell, mas nada como uma Jodie Foster para traze-lo novamente aos bons momentos.
Jogo do Dinheiro é filme que te deixa nervoso o tempo todo, nem ele nem nós ficamos parados, é filme rápido na ação e rápido na boa condução, sem deixar de lado um fino bom humor que permeia toda a história, graças a um roteiro coeso e cheio de charme, com ótimo elenco e super afiado, em que cada um deixa o outro brilhar intensamente com uma direção forte, sem ser dura, com boas reviravoltas e ótimas surpresas e assim voltamos satisfeitos pra casa. Jodie Foster, a diretora, pode vir mais vezes.
Nota do CD:
★★★★☆
Sinopse:Lee Gates é um apresentador de programa de tv, que “brinca”, dança, atua e dá dicas de investimentos pra pessoas que não entendem nada sobre bolsas de valores, o jovem Kyle, acreditando em Lee, investiu muito dinheiro e perdeu tudo, Kyle invade a tv, ao vivo, e o faz de refém, e agora pede explicações, Paty, a diretora do programa, é obrigada a “dirigir” o programa com um “novo apresentador”.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Direção: Jodie Foster
Roteiro: Alan DiFiore, Jim Kouf
Elenco: Anthony DeSando, Bryan Burton, Caitriona Balfe, Chris Bauer, Condola Rashad, Darri Ingolfsson, Dennis Boutsikaris, Dominic West, Emily Meade, George Clooney, Giancarlo Esposito, Greta Lee, Jack O’Connell, Julia Roberts, Liz Celeste, Olivia Luccardi
Produção: Daniel Dubiecki, George Clooney, Grant Heslov, Lara Alameddine
Fotografia: Matthew Libatique
Montador: Matt Chesse
Trilha Sonora: Dominic Lewis, Michael Andrews
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 26/05/2016 (Brasil)
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: IM Global

[Resenha/Crítica]: X-MEN : APOCALIPSE

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A dualidade dos mutantes num filme de paradoxos.
Os estúdios de Hollywood, que não são bestas, quando percebem que um filme fez sucesso e que arrecadou muita grana, logo planejam uma sequência e daí mais um, dois, três… e a saga dos mutantes acaba de chegar no seu sexto filme, tirando os dois solos do Wolverine. São muitos filmes, mas a ideia é essa mesmo, quanto maior for a renda, mais filmes serão feitos daquele universo, e nem se os roteiristas fossem os melhores do mundo não deixaria de existir um certo ‘déjà vu’ nas continuações, é só dá uma olhada em filmes com suas intermináveis continuações e até algumas séries (zumbis) que a cada temporada tudo se repete. E o novo X-Men não é um filme ruim, mas temos a certeza que já está meio cansado, não consegue agregar nada de novo, nem na história, nem nos efeitos especiais e ainda traz um vilão apático, sem carisma e que chega a ser desperdício de talento do ótimo ator Oscar Isaac. Ahhh, o bendito dinheiro!
xmen-apocalipseNa nova história o mutante Em Sabah Nur/Apocalipse desperta para tomar conta do mundo e tentar agregar alguns mutantes para o seu lado, e na escola do Professor Xavier mais alunos acabam de chegar, Jean Grey e o garoto Ciclope que não consegue controlar o seu poder. E ainda temos o drama pessoal de Erik Lehnsherr/Magneto que é tomado de grande fúria e que têm umas das melhores cenas do longa, graças ao talento do ator Michael Fassbender (A Luz Entre Oceanos)que chega a ter um quê do seu último papel no cinema (Macbeth). Juntamente com Fassbender o outro grande destaque é o ator Evan Peters (X-Men-Dias de um Futuro Esquecido) que faz o Mercúrio, que presença maravilhosa que ele tem em cena, o garoto é muito talentoso e desde a sua primeira aparição já conquista a todos, com certeza Mercúrio não seria o mesmo se não existisse Evan Peters, um ator de futuro. Já na parte das mulheres, uma atriz que me encanta é Rose Byrne (O Lugar Onde Tudo Termina), a Moira, ela é daquelas atrizes que topa qualquer papel, faz a bandida, mãe de família, terrorista, mocinha em perigo, policial, ela é uma faz tudo e sempre entrega papéis críveis, engraçados ou não e a sua Moira ainda consegue nos emocionar. O mais legal em X-Men é a perfeita divisão em cena dos personagens, pois todos eles têm o espaço que lhe são devidos, todos tem a chance de brilhar, menos alguns atores-personagens apáticos como Olívia Munn/Psylocke e Alexandra Shipp/Tempestade, que nem atrizes nem personagens são salvas da ‘marmotisse’.
X-Men Apocalipse consegue emocionar em certos momentos, em outros se torna repetitivo, nas duas horas e meia de filme os efeitos especiais não param e até isso cansa, não temos a chance de nos envolvermos verdadeiramente com quase nada sem que se torne um tanto artificial, mas mesmo com tudo isso, o danado do diretor Bryan Singer (X-Men-Dias de um Futuro Esquecido) ainda entrega um filme que entretém, mas que não deixa de ser esquecível. Ahh, o bendito paradoxo!
Nota do CD:
★★½☆☆
Sinopse:O mutante Em Sabah Nur/Apocalipse desperta para tomar conta do mundo e tentar agregar alguns mutantes para o seu lado, e na escola do Professor Xavier mais alunos acabam de chegar, Jean Grey e o garoto Ciclope que não consegue controlar o seu poder.
Trailer do Filme:

Ficha Técnica:Gênero: Ação
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Bryan Singer, Dan Harris, Michael Dougherty, Simon Kinberg
Elenco: Alexandra Shipp, Ben Hardy, Evan Peters, Hugh Jackman, James McAvoy, Jennifer Lawrence, Joanne Boland, Josh Helman, Kodi Smit-McPhee, Lana Condor, Lucas Till, Michael Fassbender, Nichola Hoult, Olivia Munn, Oscar Isaac, Sophie Turner, Stan Lee, Tómas Lemarquis, Tye Sheridan.
Produção: Lauren Shuler-Donner, Simon Kinberg
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Montador: John Ottman
Trilha Sonora: John Ottman
Duração: 144 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 19/05/2016 (Brasil)
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Dune Entertainment / Marvel Entertainment / Twentieth Century Fox Film Corporation
Classificação: 12 anos

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

“Capital da Fé” reflete sobre o conservadorismo inovador e as contradições de um cristianismo corporativo na religião evangélica brasileira


Em pouco mais de 21 minutos o realizador Gabriel Santos, aborda no documentário Capital da Fé sobre a nova Igreja Evangélica Brasileira. Ilustrado com imagens do espetáculo da Fé e a cristianização de micaretas e esportes de combate corpo-a-corpo, Capital da Fé é um retrato da religião evangélica vivenciada na cidade de São Paulo, trazendo uma tensão entre o conservadorismo inovador e as contradições de um cristianismo corporativo.

O documentário conquistou o Prêmio de Juri Popular Curta Metragem do FAM – Festival Audiovisual Mercosul 2015 concorreu ao Grande Prêmio do Cinema Nacional 2016 na categoria Curta Doca além de ganhar prêmio de Melhor Roteiro de Curta-metragem e de Melhor Documentário no Festival de Audiovisual de Belém. Foi selecionado oficialmente na Bolívia, no Festival Internacional de Cine Santa Cruz 2015, na Itália, no Festival del Cinema Latino-americano de Trieste de 2015, na Argentina, no Festival de Cine Latinoamericano de La Plata de 2016 e para a MOSTRA VII Brazilian Film Series.

Tela Brasil conversou com Gabriel, por email, para saber como foi o processo de criação e produção do Capital da Fé.

Como surgiu a ideia de criar o documentário “A Capital da Fé” e quais os objetivos com esse filme?

A ideia de produzir esse curta metragem surgiu da simples observação da realidade em que o país vive hoje em dia. Temos no IBGE de 2010 aproximadamente 33% de evangélicos praticantes no país, esse número é, no mínimo notável, Se pensarmos  sobre a eleição da presidente Dilma, que foi eleita com  55 milhões de votos, veremos que não está longe de termos um presidente evangélico. Outra questão é a bancada evangélica, que se torna mais importante a cada dia no congresso nacional trabalhando em projetos que, por vezes, favorecem os adeptos e líderes religiosos. Fizemos este filme para versar sobre algumas questões políticas e sociais, para que as pessoas que assistissem, refletissem por alguns instantes sobre o futuro do país e sobre seus posicionamentos políticos. O cidadão deve ser provocado pela arte como um todo, a meu ver, ele deve ser desafiado a colocar-se no mundo como parte tomadora de decisões, esse é o papel da arte, esse é o papel do cinema em minha opinião.

Como foi o processo de pesquisa e produção?
Nós da Equipe do Capital da Fé, ficamos durante 6 meses estudando as questões que envolviam o filme, religião, política, filosofia, etc. Lemos muito para, aos poucos, descobrirmos qual seria nosso filme, acho que essa foi a parte mais importante do processo criativo, a cada nova leitura, a cada nova ideia, o filme se tornava mais sólido em minhas aspirações. Lemos a Bíblia, lemos Santo Agostinho, lemos os livros publicados por pastores, lemos livros que falava justamente das questões “Neopentecostais” atuais, enfim, foi uma pesquisa árdua, mas crucial para extrairmos o melhor de todas as alusões da equipe. No início pensávamos em fazer um longa metragem, porém, devido ao potencial de produção que tínhamos naquele momento, assumimos o curta metragem focando apenas na cidade de São Paulo, mostrando a atuação das igrejas em diversas regiões. Decidimos estudar somente as maiores igrejas do Brasil, e qual a influência na vida do cidadão. Visitamos muitas instituições, trabalhando muito a nossa empatia com o “fiel”, buscávamos entender quais as motivações de quem entrega sua vida a essa religião, seus bens, sua família, etc. Estivemos na Igreja Universal, na Igreja da Graça, na igreja mundial, na igreja Renascer em Cristo, na Cidade de refúgio da Pastora Lana Holder, onde o público LGBT, dissidentes de outras instituições se encontram para continuarem a cultuar sua fé, entre outras. Pretendíamos ter trabalhado no resultado final da produção  o ponto de vista do “fiel” de forma mais aprofundada, porém nos 20 minutos que tínhamos para contarmos nossa história, não haveria espaço para essa discussão que não discorresse de forma leviana, decidimos, então, por  um “ensaio” sobre as principais questões que envolvem o tema, sabendo também, que mais coisas estariam de fora, infelizmente.

 Houve algum fato que te surpreendeu?
Não foi realmente uma surpresa, mas sentimos na pele que falar desse assunto é muito mais complicado do que pode parecer, muitas questões sociais contribuem com o crescimento dos adeptos “Neopentecostais” no país, vemos regiões com mínima interferência das políticas públicas, vimos pessoas que precisam do governo para ter o mínimo necessário para ter uma vida praticável. Sabemos que os filhos dessas pessoas são absorvidos pelo tráfico de drogas, muitas dessas famílias precisam de amparo emocional para superarem alcoolismo e outros obstáculos da nossa desigualdade moderna. Nesses lugares a Igreja Evangélica se faz necessária e se coloca como a solução “Panacéica” de todos os problemas. O fato de que a Igreja Evangélica no Brasil virou um “Modelo de Negócio” que está dentre os mais rentáveis, hoje em dia, não me assusta mais do que o descaso dos nossos governantes essa parcela da população.

Quais foram os desafios para realizá-lo?
Os maiores desafios que enfrentamos foram os custos de produção e dificuldade  para conseguirmos autorização de filmarmos em algumas igrejas. No caso da parte financeira, não pudemos contar com o apoio de leis de incentivo nem de patrocínio privado. Para lidar com isso, fizemos algumas festas na Rua Augusta onde os apoiadores do filme seriam nossos convidados, pagando a entrada e contribuindo com parte do valor para a nossa produção, essa foi a alternativa mais plausível e justa para que quisesse e pudesse nos apoiar. No caso das autorizações de filmagem, vimos que algumas igrejas não permitem nem serem abordadas, como foi o caso da Igreja Universal do Reino de Deus, queríamos ter filmado a construção do Templo de Salomão localizado no Brás, porém, ao abordarmos a assessoria de imprensa para tentarmos uma conversa fomos tratados com hostilidade, disseram que se filmássemos o Templo teríamos sérios problemas com o “Jurídico” da instituição.

Você teve alguma referência  audiovisual para fazer o “A capital da fé?”
Usamos algumas referências cinematográficas e musicais para a composição do filme, por exemplo, em determinada parte do filme, que chamei carinhosamente de “Valsa da Cielo”, fizemos uma edição de imagens que mostravam pessoas pagando seu dízimo em máquinas de cartões de débito e crédito, no momento em que filmamos esse fato lembro-me que senti que a cena possuía algumas notas Surrealistas, por isso, usamos a trilha sonora do filme “Um cão Andaluz” de Luis Bunuel, mestre do surrealismo cinematográfico. Outra referência muito forte foi a produção de cultos em massa de algumas Igrejas, como a da Igreja da Graça que possui dez cultos diários, com todas as cadeiras ocupadas e com o ritual do dízimo em todos as oportunidades. Isso me aludiu a “Tempos Modernos” de Charles Chaplin, para a referência, fizemos um “Time Lapse” da entrada da Igreja Mundial com áudios de máquinas industriais trabalhando. Tentamos trabalhar com a música clássica quase o tempo todo devido à seriedade do assunto e a estética que decidimos seguir, trabalhando também com temas religiosos na fotografia, como a iluminação de estúdio ao estilo Caravaggio.