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sábado, 28 de maio de 2016

Em “Ponto Zero”, diretor apostou em ousado processo de produção para retratar conflitos típicos da adolescência


A Pandora Filmes lança Ponto Zero, primeiro longa-metragem do cineasta gaúcho José Pedro Goulart. O filme mostra os conflitos de Ênio, um adolescente de 14 anos que é alvo de bullying na escola e busca, sem sucesso, auxílio no núcleo familiar, que acaba sendo igualmente angustiante. O casamento falido dos pais reforça a solidão do personagem, que acaba saindo em busca de uma prostituta no meio de uma noite chuvosa e no trajeto acaba sendo pivô de um acidente.

“O Ênio passa por um momento radical da vida, que é o de começar a pensar sobre a vida adulta, está trocando de pele, se sentindo muito desamparado. Na minha adolescência eu me sentia muito silencioso, como ele, próximo de um ponto zero. ”diz o diretor que também assina o roteiro do filme.

Ponto Zero foi filmado em sequência (cena por cena, como aparece na montagem final), sem que a maioria dos integrantes da equipe, inclusive o elenco, tivesse acesso ao roteiro. Dessa maneira, o ator Sandro Aliprandini teve sua estreia diante das câmeras participando de um processo difícil de direção de cena.

“Eu queria que todos fossem para o set sem saber o que ia acontecer. Usei a curiosidade e a dúvida foi parte do processo de criação.”, explica Goulart.

Estreante em cinema, Aliprandini, o garoto de Passo Fundo, foi descoberto para fazer Ênio a partir de uma notícia de jornal sobre uma premiação de teatro com a turma da escola. Do primeiro contato com a produção até o momento em que o filme começou a ser rodado, foi preciso esperar um ano inteiro, tempo necessário para que ele fizesse aulas de preparação vocal e também ficasse mais próximo da idade do personagem, de 14 anos.

“Eu me interesso muito pelo trabalho de direção de ator, e acho que ela começa quando a gente escolhe o elenco. Minha preocupação é que o Sandro fosse capaz de compreender o personagem, e não de ser aquele personagem”, conta o diretor.

O filme ainda conta com Patrícia Selonk e Eucir de Souza, que interpretam os pais do personagem principal.

Nome importante do curta-metragem dos anos 1980, José Pedro Goulart é lembrado por ter dirigido um dos mais festejados curtas do cinema nacional: O Dia em que Dorival encarou a Guarda (1986), juntamente com Jorge Furtado.Além dos inúmeros curtas, Goulart se dedicou ao cinema publicitário durante décadas e só agora dirige seu primeiro longa, com grande acerto.

Seu próximo projeto é o longa Negro Amor, no qual o diretor quer explorar o tema da fidelidade conjugal.