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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

"O Homem nas Trevas", de Fede Alvarez



O Homem nas Trevas (Don't Breathe - 2016)

O ano está sendo generoso com os apreciadores do terror, no que me incluo, com pelo menos uma obra-prima, “A Bruxa”, e pérolas como esse “O Homem nas Trevas”, do uruguaio Fede Alvarez. O preciosismo técnico na composição das imagens, desde a impecável sequência inicial, e o timing certeiro, fugindo da preferência usual medíocre pelos imediatistas jump scares, evidenciam a compreensão de que o medo só pode ser verdadeiramente eficiente quando é a resposta natural para a tensão alcançada em um suspense bem elaborado. 

A ideia da trama não é extremamente original, o recente “Intruders” trabalha estrutura similar, mas a esperta execução é o elemento que surpreende o espectador, com a ajuda da fotografia refinada de Pedro Luque. Quem viu a refilmagem de “A Morte do Demônio”, o projeto anterior do diretor, sabe que o horror psicológico não é o forte dele, a atenção está voltada para o choque sádico, uma pegada menos pretensiosa artisticamente e altamente funcional. Mas há espaço para alegorias, como a cegueira do veterano de guerra vivido por Stephen Lang, a resistência solitária de um conservador perante a invasão promovida por um grupo de jovens ladrões em sua residência, a única que se manteve viva em um bairro abandonado, algo que pode ser lido em uma camada de interpretação menos óbvia como uma analogia à participação dos soldados norte-americanos em guerras, onde o interesse é puramente financeiro, sobrando espaço também para uma sutil crítica à triste validação da violência urbana como forma justificável de protesto. 

Como era de se esperar em um filme cujo leitmotiv é a claustrofobia social, o foco está em potencializar os sentidos, a movimentação da câmera faz da casa um personagem, o único unidimensional em um roteiro que prima por estabelecer motivações tridimensionais nas personalidades de cada jovem, nada de estereótipos simplórios, o que já é um valioso mérito. 

sábado, 10 de setembro de 2016

O Homem nas Trevas – Crítica 2

ohomem

O melhor a fazer é não respirar.

Estamos em um ano de grandes surpresas para os filmes de suspense. Tendo em comum o roteiro simples, mas que não subestima a inteligência de ninguém. E em até alguns momentos o clichê fazendo parte das obras. E daí? Isso também é bom para o cinema. E, o melhor, tudo é muito agradável de se ver. Já tivemos A Bruxa, Invocação do Mal 2, Rua Cloverfield, 10, Águas Rasas. Todos eles foram sucesso de público e crítica. E nessa semana estreia O Homem nas Trevas, simplesmente um dos melhores filmes de suspense do ano, quiçá de vários anos.

Os jovens Rocky, Alex e Money estão enveredando para o crime, entrando nas casas e fazendo pequenos delitos. Surge a chance de um grande roubo na casa de um homem cego e ex-militar, que recebeu uma indenização robusta pela morte de sua filha. O homem mora apenas com seu cão rottweiller.

Sam Raimi  (Oz: Mágico e Poderoso 3D (Oz: The Great and Powerful) é o produtor da obra, e sabe muito bem como lidar com esse tipo de filme, vide as maravilhas do terror, do medo e do suspense que já estiveram envolvidas, como A Morte do Demônio (Evil Dead), Arraste-me Para o Inferno, Darkman e Um Plano Simples. E acerta em cheio quando coloca o uruguaio Fede Alvarez para ser o seu pupilo. Fede é o diretor do remake A Morte do Demônio (Evil Dead) e já tinha feito grandes proezas nesta pequena pérola do terror contemporâneo e agora chega com O Homem nas Trevas, provando que é um dos melhores condutores “do medo” que apareceu nessa década. Fede Alvarez é audacioso e inovador. O diretor é um verdadeiro estrategista em mostrar o pouco que se transforma em muito. O olhar da sua câmera chega a ser desconcertante de tão agoniante e assustador. Em sua primeira cena, um homem arrasta uma mulher na rua. Isso já é apavorante e é só o começo. Depois disso faz-se um suspense em crescimento. Prestem atenção em um momento onde tudo é breu. O escuro nunca foi tão ameaçador e apavorante. O Homem nas Trevas é típico de filme em que o maior mérito vai para quem está conduzindo aquelas ações. Não que os atores estejam ruins, pelo contrário, o pavor e a agonia estão estampados em suas caras. Acreditamos no medo e nas reviravoltas. E, graças à direção de Fede, tudo se transforma em um grande evento. Nada é gratuito. Tudo é urgente e provável. Fede Alvarez, seu nome é habilidade.

Todo filme produzido precisa saber vender o seu peixe. A comédia vende o riso. O drama vende a tragédia, o choro e a angústia. O suspense vende a agonia, o susto, a incerteza e a excitação. Então, é primordial que saiba vender o produto certo para o público certo. O Homem nas Trevas é um filme de suspense. Quando engrenado, cada cena é para deixar os corações aflitos. O suspense está a toda prova, não dando trégua para a enganação. Não vê o trailer e não ler nada sobre ele é o melhor a se fazer, pois assim as surpresas chegarão em camadas, tomando conta do ambiente, para maior desespero de quem o assiste. O suspense chegará de mansinho e não fugirá. Acredite, O Homem nas Trevas é um dos melhores filmes de suspense do ano, com bastante dinamismo no seu silêncio ou em seus ruídos e em sua trilha sonora condizente com o que é proposto. Assista por conta e risco. É garantia de entretenimento de primeira. Se for preciso, não respire.

Nota:
4 out of 5 stars

Sinopse: Os jovens Rocky, Alex e Money estão enveredando para o crime, entrando nas casas e fazendo pequenos delitos. Surge a chance de um grande roubo na casa de um homem cego e ex-militar, que recebeu uma indenização robusta pela morte de sua filha. O homem mora apenas com seu cão rottweiller.

Ficha Técnica:

Gênero: Suspense
Direção: Fede Alvarez
Roteiro: Fede Alvarez, Rodo Sayagues Mendez
Elenco: Brak Little, Christian Zagia, Daniel Zovatto, Dylan Minnette, Jane Levy, Jane May Graves, Jon Donahue, Katia Bokor, Sergej Onopko, Stephen Lang
Produção: J.R. Young, Joseph Drake, Nathan Kahane, Sam Raimi
Fotografia: Pedro Luque
Montador: Gardner Gould
Trilha Sonora: Roque Baños
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 08/09/2016 (Brasil)
Distribuidora: Sony
Estúdio: Ghost House Pictures / Good Universe / Sony Pictures Entertainment (SPE)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O Homem Nas Trevas

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Impossível não começar esta resenha com uma reclamação em relação ao marketing de O Homem Nas Trevas. O título brasileiro para Don’t Breathe (Não Respire, em português) e o cartaz, que vocês podem ver acima, faz com que o espectador, que não teve acesso a notícias, não viu os trailers e não se empenhou em saber um pouco mais sobre a produção, tenha a, clara, sensação de que se trata de mais um filme de terror sobre a luta contra uma entidade demoníaca do mal. Fiz questão de, pessoalmente, perguntar, a alguns conhecidos, se assistiriam a um filme com este nome e com esta imagem o representando. Aqueles, que não gostam de produções do gênero, foram claros ao dizer: “Não gosto de filmes de terror, que aborde espíritos”. Ninguém é obrigado a gostar, eu mesmo tenho problemas com eles, mas o que aconteceu? Possíveis espectadores deixariam de ver uma produção inovadora, angustiante e interessante, sem nenhuma presença de espíritos ou assombrações. O Homem Nas Trevas é, na verdade, uma película que mais parece uma disputa de gato e rato em um labirinto particular.

Não que O Homem Nas Trevas não seja um filme do gênero de terror, mas, sem dúvidas, que se trata de algo diferente e muito bem desenvolvido. O diretor, Fede Alvarez, conhecido pelo belo trabalho no remake de A Morte do Demônio, demonstra toda sua técnica ao permitir, com longas tomadas, que o espectador tenha total conhecimento da casa em que os personagens estão presos. É com muita facilidade, que, quem assiste, passa a antever os possíveis problemas ou, até mesmo, pensa em soluções para que todos possam escapar. A direção, inventiva, ainda permeia um pouco sobre o estilo de found footage, quando a escuridão toma conta do porão e passamos a enxergar através do aparelhos celulares dos protagonistas.

O roteiro ainda consegue uma façanha interessante ao fazer com que o espectador torça por um trio de bandidos, que estão tentando roubar a casa de um cego. Esse, por sinal, chega a ser a maior barreira a ser quebrada, mas ao mesmo tempo um problema para o filme, que em seu ato final, propõe uma reviravolta que busca, de fato, a formatação do cego como o vilão. As cenas propostas, por essa reviravolta, são angustiantes e provocaram muitas reações do público, mas ao meu ver poderiam ser evitadas. Acredito que o filme estava atingindo mais sucesso, quando não tomava partido de nenhum do lados. Além disso, é lógico que para ser capaz de imersar totalmente em O Homem Nas Trevas, é preciso deixar de lado alguns pensamentos claros, como: “Porque não resolveram isso antes? Porque não fizeram isso antes? Esse cachorro parece sim estar possuído e é mais inteligente do que muitos no filme”.

Stephen Lang (Avatar) interpreta o cego de maneira memorável. Apesar de sua deficiência e pertubação mental, nunca é possível ter pena dele. O conhecimento completo de sua casa, o treinamento militar e a postura adotada na atuação, provocam mais medo do que qualquer outra coisa. Jane Levy, que já havia trabalhado com o diretor em A Morte do Demônio, continua mostrando sua habilidade de fazer muito, com pouca coisa. Sua personagem é a mais trabalhada, mas não ganha tempo suficiente para cativar o espectador, cabendo a atriz essa missão, conquistada com louvor. Os outros atores Dylan Minnette (Os Suspeitos) e Daniel Zovatto (Corrente do Mal) estão bem em cena, mas ficam prejudicados por praticamente não existirem para o roteiro. Um é o namorado bad boy da protagonista feminina e o outro ajuda nos roubos através da empresa de seu pai. Não são apresentadas as motivações de ambos.

O Homem Nas Trevas só demonstra que Sam Raimi (Oz: Mágico e Poderoso) acertou em cheio quando apostou em Fede Alvarez. Não acho que seja um filme unânime, vejo defeitos, mas considero um divertimento muito acima da média.

Nota do CD:
3.5 out of 5 stars


Sinopse: Três adolescentes planejam roubos muito bem planejados, mas quando invadem a casa de um cego o jogo muda. O que era para ser o último crime do grupo, torna-se uma luta pela própria vida.

Ficha Técnica:
Gênero: Terror
Direção: Fede Alvarez
Roteiro: Fede Alvarez, Rodo Sayagues Mendez
Elenco: Brak Little, Christian Zagia, Daniel Zovatto, Dylan Minnette, Jane Levy, Jane May Graves, Jon Donahue, Katia Bokor, Sergej Onopko, Stephen Lang
Produção: J.R. Young, Joseph Drake, Nathan Kahane, Sam Raimi
Fotografia: Pedro Luque
Montador: Gardner Gould
Trilha Sonora: Roque Baños
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 08/09/2016 (Brasil)
Distribuidora: Sony
Estúdio: Ghost House Pictures / Good Universe / Sony Pictures Entertainment (SPE)