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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Oscar 2016 - Perdido em Marte

The Martian
Direção: Ridley Scott
Elenco: Matt Damon, Jessica Chastain, Chiwetel Ejiofor, Jeff Daniels, Eddy Ko, Michael Peña, Kate Mara, Aksel Hennie, Sean Bean, Donald Glover, Kristen Wiig, Sebastian Stan, Mackenzie Davis.
EUA, 2015


O cinema estaduninense é especialista em histórias em que o protagonista, ou um pequeno grupo de pessoas, se vê por sua própria conta, em um lugar ermo, lutando por sua própria sobrevivência.Gravidade, O Naufrago, Até o Fim, A Perseguição, 127 Horas, Na Natureza Selvagem, O Regresso(também indicados ao Oscar 2016) são alguns exemplos. Dirigido por Ridley Scott, Perdido em Marteacompanha Mark Watney (Matt Damon), botânico e astronauta da NASA, em missão a Marte. A equipe liderada por Lewis (Jessica Chastain), recolhe amostras do solo do planeta vermelho, quando uma tempestade de areia provoca um acidente que separa Mark do grupo. Julgando que ele não teria como sobreviver, os astronautas partem. Contudo, Mark sobrevive. Sem comunicação com a Terra e limitada quantidade de suprimentos, Mark precisa usar seus conhecimentos científicos para resolver problema após problema, a fim de se manter vivo, até seu possível resgate. Ou como Mark afirma em determinado momento do filme, " I'm gonna have to science the shit out of this".

ScienceBitch: batatas marcianas

Apoiado nos vibrantes e harmoniosos tons de laranja, azul e branco da fotografia e cenários, na trilha sonora  disco e no carisma de Matt Damon ao construir o bem-humorado astronauta, a melhor sacada dePerdido em Marte é optar por um tom leve, seguindo o caminho da aventura, com toques de humor, que lhe conferem "personalidade" própria e o deixam bem diferente de outras recentes ficções científicas sobre sobrevivência no espaço, o ótimo e oscarizado Gravidade e o mediano Interestelar



Perdido em Marte é, em suma, um filme otimista quanto a humanidade. Embora, eu não seja tão otimista assim, não deixa de ser bacana ver países, pessoas de várias etnias, se unindo para usar a ciência para trazer o astronauta de volta à Terra. Ainda mais ao som de Starman, de David Bowie. 



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

"Perdido em Marte", de Ridley Scott


Perdido em Marte (The Martian - 2015)

Estreando com um timing perfeito, já que a NASA recentemente afirmou haver água em Marte, esse é o primeiro grande filme de Ridley Scott em muito tempo. Arrisco ir além, após algumas incursões desastradas no gênero da ficção científica, o diretor consegue aqui um resultado que faz justiça aos seus clássicos: “Blade Runner – O Caçador de Androides” e “Alien – O Oitavo Passageiro”. Um misto de “Gravidade”, “Náufrago” e “Interestelar”, que consegue ser melhor que essas três produções. E vale mencionar que a solução encontrada para aprofundar o arco narrativo de um personagem que passa todo o tempo isolado, o ato de se manter gravando o registro de sua jornada, é mais verossímil que Tom Hanks e sua superestimada bola Wilson.

O elemento da ciência, especialmente, raramente foi tratado com tanto respeito no cinema, com o astronauta, vivido brilhantemente por Matt Damon, utilizando-a amplamente na superação de seus vários obstáculos, dado como morto por sua equipe em solo marciano, trabalhando o leitmotiv da potencialidade humana, uma visão otimista e intelectualmente madura, um contraste interessante em um período dominado pela distopia na indústria. Até mesmo o recurso do 3D, usualmente dispensável, é utilizado com esperteza pela fotografia de Dariusz Wolski, sempre se beneficiando da profundidade de campo, explorando a dimensão do planeta, o que intensifica sobremaneira a tensão e a claustrofobia de algumas cenas importantes. 

A composição tridimensional de Damon, indo da resiliência inconsequente ao desespero existencial, que facilita tremendamente o investimento emocional do público no terceiro ato, injeta humor na medida certa, demonstrando a segurança do roteiro de Drew Goddard, que adapta com fidelidade o ótimo livro de Andy Weir, sobrando espaço para referências inteligentes de várias mídias. Só por não haver qualquer envolvimento romântico clichê, o texto já merece palmas de pé. É contagiante testemunhar o esforço criativo do astronauta, numa elegante montagem que, com grande senso de ritmo, alterna suas aventuras, pequenas grandes conquistas e eventuais frustrações, com a angustiante interação de sua equipe na Terra, com destaque para as fortes presenças dos sempre competentes: Jessica Chastain e Chiwetel Ejiofor. 

“Perdido em Marte” é, acima de tudo, muito divertido. Elemento que gradativamente foi sendo extirpado da ficção científica, um reflexo de nosso tempo mais cínico.