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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Resenha de Filme: A Árvore da Vida

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O movimento perpétuo pode ser libertador. Entregar-se a um estado de embriaguez pela contemplação também pode se configurar como uma necessidade do ser humano. Há filmes que ultrapassam qualquer limite supostamente estabelecido entre vida, arte e reflexão. Os aparentes dispersos apenas citados são apenas um espécie de súmula do amálgama de sensações que derivam de uma sessão de A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011), excelente trabalho de direção propiciado por Terrence Malick. Interpretar o que o cineasta se propôs a dizer talvez seja uma das tarefas mais inúteis dentre aquelas que se podem levantar com relação ao filme. A ele, bastam o sentimento de fruição genuína. Somos embalados e enlevados por uma atmosfera de ensimesmamento que reúne o essencial da condição humana. Em nossos recônditos, questionamo-nos: Quem somos? Para onde vamos? De onde viemos? São indagações basais para qualquer um de nossa espécie e, talvez, delas derivem todas as outras que se vão suscitando em nossa longa, ou curta, ou apenas caminhada sobre esse pedaço de chão que se convencionou chamar Terra.

Com efeito, houve quem dissesse que, a exemplo dos filmes anteriores do realizador, assistir a esse é quase uma experiência litúrgica. De fato, a dimensão espiritual do homem pode ser acionada imediatamente depois de se colocar os olhos nas cenas esplêndidas que se vão sucedendo, sem a menor preocupação – ao menos, aparentemente – de ser didático ou clássico. Subverte-se a narrativa, transgride-se a linearidade em prol de uma circularidade e um grau de complexidade que se assimila à própria existência. Reducionismos e constatações peremptórias se digladiam, mas não mantêm suas forças por muito tempo em A árvore da vida. A vida é poética, tocante, mas também uma eterna fonte de sofrimento. E quem disse que fomos feitos para ser felizes? De onde terá vindo tanta obrigação de felicidade? E a crença em uma posição privilegiada no espaço sideral e, por conseguinte, no Universo? Sua queda se deu há tempos, por indícios e signos diversos, entre os quais: a descoberta de um sistema heliocêntrico e a contribuição epistemológica da psicanálise. Fatos que vieram trazer à tona um homem que é pequeno diante de uma imensidão, que tem de se curvar à superioridade da Terra e de tudo o que nela há, e de um homem que tem natureza partida, fraturada, estilhaçada, cujos cacos são facetas que compõem um mosaico individual.

Podemos inferir respostas para nossas maiores fontes de inquietude na própria natureza. Um olhar para o firmamento talvez possa dirimir parte do desespero e da sofreguidão que se apoderam da alma de todos os que têm a consciência de sua finitude. Ninguém é eterno. Essa certeza pode ser uma grande fonte de tormento e angústia, e se mistura à absoluta ignorância sobre quando será o fim. Basta a cada dia o seu mal. Mesmo os que amamos, partem. Os pais partem antes dos filhos, mas os filhos podem partir antes dos pais. O senhor O’Brien (Brad Pitt) experimenta na pele essa dor em algum momento, e se ressente da inversão do ciclo “natural” da vida. Quem determina ordens? Quem pode presidir irrestritamente sobre um estado de coisas? O domínio de nós mesmos talvez possa não estar em nossas mãos. O pai austero busca a obediência de seus filhos, e exagera ao exigir uma conduta que não pode ser adquirida senão após um longo passar de anos. Conflitos derivam dessa dissonância entre expectativa e realidade. Não há conciliação possível quando se deseja impor aquilo a que o outro não pode, não deve ou não quer se submeter. Nasce desse jogo complexo uma relação dual entre Jack (Sean Penn, em um lampejo da fase adulta do personagem) e seu pai. Dual porque mistura de amor e raiva, de carinho, ternura e ressentimento. Tudo ao mesmo tempo. Estabelecer fronteiras é impossível.

As palavras são esparsas, propositalmente esparsas. Imagens brotam com abundância e exuberância, suplantando a comunicação verbal e evidenciando o abismo que existe entre os sentimentos, os objetos, os acontecimentos e as palavras. Palavras são sempre tentativas, nunca podem recobrir com exatidão o que começa como pensamento. Ciente dessa interdição, o realizador se valeu de uma compilação de códigos imagéticos geradores de êxtase e perturbação. À mais discreta sombra de questionamento, o mundo se ergue imponente, desafiando a pequenez que nos cabe. Viver é um claro enigma, e a ausência de respostas aliada à ampla possibilidade de conexões individuais dadas pelo filme garante sua força e intensidade. Em certo momento, não há pessoas em cena. Os pais e os filhos dão lugar a um mergulho na poeira das estrelas, na vida marinha, nas entranhas da Terra, no pulsar lento de animais que apenas cumprem seu ciclo. A trajetória de perscrutação chega perto do que há de mais basilar na natureza. Chega-se quase ao átomo. A existência é mais fantástica e mais grandiosa do qualquer intenção de classificá-la. Somos frutos um penoso trabalho, de acúmulos diários, de somatórios de momentos, de uma complexidade que é uma das nossas grandes fontes de agonia. A árvore da vida, sem qualquer alarde, pode-nos conduzir a essas constatações, exalando sua essência plena. Nós damos os significados que nos parecem os mais razoáveis, e não temos que depender da ciência das intenções do autor de uma obra para analisá-la. Há um nome por trás do filme, mas o filme fala por si só desde o momento em que começa a ser concebido. Tal qual cada pessoa não tem controle exato sobre o efeito que suas palavras poderão causar em seu interlocutor. Elas partem de um emissor e, uma vez ditas, não se recolhem mais.

Discorrer longamente sobre cada ínterim de um filme tão complexo e, ao mesmo tempo, tão simples, requer um esforço admirável. A Árvore da Vida é uma fonte inesgotável de possibilidades, que jorra para uma potente coalizão de forças que provoca no espectador um encontro consigo mesmo e com o mundo. A perda da capacidade de observação do simples e do prosaico parece irremediável, mas as imagens belíssimas e a decisão de Malick de abdicar de uma narrativa talvez funcionem como um antídoto para ela. As reverberações sonoras e silenciosas do filmes nos arremessam o tempo todo para uma faceta de princípio da incerteza, fortificando-o como estudo diligente da inabilidade do homem, bem como de sua falibilidade. As fronteiras entre cinema e experiência epifânica, sempre discretas, fundem-se com este exemplar magnânimo de cinema autoral. O filme sorri, questiona, impele e se apresenta sob tantas outras formas que levanta a certeza de se estar sendo confrontado com um caleidoscópio e suas imagens múltiplas e encantadoras. Entretanto, no caso do filme, a dor também pode ser acionada, quando está em presença de elementos que ferem, como a morte e a incomunicabilidade, esta cada vez mais presente hoje. Ao apontar suas lentes para tantos fenômenos naturais e para o mundo pura e simplesmente, Malick nos evoca um estado de contemplação, e uma necessidade de rompimento com uma volatilidade nas relações interpessoais, descartando-se a mediação eletrônica em prol de interações de corpo presente, dentre tantos outros temas que, a depender do público, podem se superpor.

Nota do CD:
5 out of 5 stars

Nota dos Leitores:
Trailer:
Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Jessica Chastain, Hunter McCracken, Tye Sheridan, Sean Penn, Fiona Shaw, Jessica Fuselier, Nicolas Gonda
Produção: Donald Rosenfeld
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Lançamento (Brasil): 25/08/2011

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Resenha de filme: Ida



No filme polonês Ida, Anna é uma noviça vivendo num convento católico. Nas cenas iniciais a vemos realizando algumas atividades: reunindo-se com outras freiras ao redor de uma estátua de Cristo, num jantar no qual o ruído quase ritmado dos talheres batendo contra os pratos é o único som a romper o silêncio… A época é indeterminada e por um momento parecemos estar vendo uma história ambientada há vários séculos atrás. Afinal, as imagens são em preto-e-branco e enquadradas no formato de tela mais antigo do cinema, o 4:3 quadrado.

 

Um dia, a vida de Anna sofre uma pequena reviravolta: ela, que sempre se acreditou órfã, é informada pela sua madre superiora de que tem uma tia, sua única parente viva. Antes de ser ordenada definitivamente, ela é instruída a ir passar um tempo com esta tia e ver um pouco do mundo. Sem dizer quase nada, ela aceita.

Sua tia se chama Wanda e mora na cidade – então descobrimos que estamos no século XX, na Polônia dos anos 1960. Wanda é juíza e tem mais revelações para Anna: a moça na verdade é judia, se chama Ida, e seus pais foram mortos pelos nazistas durante a ocupação polonesa na Segunda Guerra Mundial. Os corpos deles nunca foram encontrados, e Anna/Ida pede a Wanda que ambas saiam à procura deles. Apesar da tia não gostar da ideia inicialmente, ela acaba concordando.

Com esse enredo, o cineasta Pawel Pawlikowski cria um filme que tem elementos de road-movie e não deixa de ser um estudo de personagem, mas descrever Ida nestes termos simplesmente não lhe faz justiça. A austeridade do filme, concretizada pela fotografia em preto-e-branco, pela absoluta concisão narrativa – o filme dura apenas 81 minutos e descarta qualquer enfeite ou momento desnecessário – e pela própria interpretação da atriz principal, tornam Ida um filme que é mais do que a soma das suas partes.

O rigor de Pawlikowski na condução da história é absoluto. Por praticamente todo o filme, ele mantém seus personagens – Ida, especialmente – na parte de baixo dos seus enquadramentos, deixando amplos espaços vazios acima dos seus atores. É como se os personagens, e seus rostos, fossem pequenos em relação aos ambientes e às circunstâncias que os rodeiam. Apenas em alguns momentos eles se mostram maiores, e o diretor tira máximo proveito disso quando vemos, numa cena, um close de Ida que abrange praticamente todo o enquadramento. Este é o momento no qual ela finalmente cresceu.

 

A história do filme reflete o crescimento dela, e por isso a atuação da protagonista encontra eco no cinema do francês Robert Bresson. Há uma influência de Bresson em Ida, e Pawlikowski, ao escolher para protagonizar o filme a jovem Agata Trzebuchowska, acabou criando algo parecido com que o mestre francês costumava fazer. Trzebuchowska era uma estudante sem experiência como atriz, mas sua presença em frente à câmera acaba provocando o interesse do espectador. Bresson costumava a se referir a alguns dos seus atores como “veículos”, e esse termo se aplica perfeitamente à presença de Trzebuchowska em Ida. Com seus olhos escuros e rosto expressivo, ela acaba fazendo com que o espectador projete nela seus próprios sentimentos. Nunca sabemos realmente o que ela está pensando, apenas imaginamos, e continuamos imaginando o que se passa em seu interior até os momentos finais do filme.

Por isso, a atuação de Agata Kulesza como Wanda é o perfeito contraponto à de Trzebuchowska. Enquanto Ida é inocente, Wanda é amargurada e alcóolatra. Ao longo do tempo, a busca das duas mulheres pelos restos dos pais de Ida aprofunda a amargura e a frieza de Wanda, enquanto Ida permanece um enigma – não sabemos se a busca a entristece ou mesmo se representa algo muito importante para ela. Além disso, enquanto a noviça nada conhece do mundo, a mulher mais velha tem muita experiência com ele – Pawlikowski nos mostra uma cena dela trabalhando como oficial de justiça, servindo ao Estado comunista. Kulesza tem uma atuação forte, sempre deixando clara a hostilidade latente dentro da sua personagem. Ao contrário da protagonista, sua tia é uma mulher direta e sempre sabemos o que ela está pensando.

Esse contraste é necessário para a história, pois o filme é sobre a escolha final de Ida: no fim da sua busca, em qual mundo ela vai decidir viver, afinal? A procura das duas mulheres acaba fazendo com que um doloroso passado seja remexido, causando mais mal do que bem, e também faz com que a jovem acabe tendo algumas experiências novas em sua vida. Ambos os mundos, o do convento e aquele onde as demais pessoas vivem, são cinzentos e austeros. Num deles há muita confusão, no outro as coisas são mais ordenadas. Ao final ela decide, e sua decisão é mostrada de forma visual e com o mínimo de diálogos – aliás, este é um filme no qual se fala pouco. A maior proeza do filme é a de tornar compreensível aquilo que pertence ao mundo interior de uma pessoa. Todo o processo narrativo está na tela, nos olhos e no rosto da jovem atriz que interpreta Ida. Ela nos hipnotiza e nos mostra o amadurecimento de alguém que no inicio do filme descobriu quem era, e ao final decidiu quem iria ser dali para a frente.



Nota do CD:
4.5 out of 5 stars
Nota dos Leitores:

Trailer do filme:
Ficha Técnica:
Direção: Pawel Pawlikowski
Roteiro: Pawel Pawlikowski, Rebecca Lenkiewicz
Elenco: Agata Kulesza, Agata Trzebuchowska, Halina Skoczynska, Joanna Kulig
Data de estreia: 25/12/14
País: Polônia/Dinamarca

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Resenha de filme: Jogos Vorazes – A Esperança Parte 1



Desde que resolveu tomar o lugar da sua irmã no mortal sorteio da Colheita no primeiro Jogos Vorazes (2012), Katniss Everdeen tem sido uma espécie de peão num jogo maior, uma peça manipulada pela mídia e pelo governo opressor de Panem. Entretanto, sua determinação em ficar viva e em mudar as regras desse jogo fez com que ela se tornasse um símbolo e uma peça determinante nesse jogo. Agora, neste terceiro capítulo da série, Jogos Vorazes: A Esperança Parte 1, ela finalmente está do outro lado. Não há mais jogos, não há mais lutas na arena nem programas televisionados. Há apenas a resistência, e ela curiosamente deseja lutar usando a mesma arma do inimigo: a mídia.

No final do capítulo anterior, Jogos Vorazes: Em Chamas (2013), Katniss (Jennifer Lawrence) destruiu a arena dos jogos com uma flecha eletrocutada e foi cooptada pela resistência. A Esperança Parte 1 se inicia pouco tempo depois, com a protagonista sofrendo desde sua primeira aparição. Enquanto tenta descobrir o que aconteceu com Peeta (Josh Hutcherson), Katniss é convencida por Plutarch Haevensbee (o falecido Philip Seymour Hoffman, a quem o longa é dedicado) e pela Presidenta Coin (Julianne Moore) a se juntar ao esforço da rebelião. Afinal, Katniss agora não é mais apenas a vencedora dos Jogos Vorazes – ela é o Tordo, a pessoa que sozinha desafiou o governo da Capital e do cruel Presidente Snow (Donald Sutherland).

 

Por isso, a heroína aceita ser filmada em locais devastados e começa a ajudar no esforço de guerra. A princípio, Katniss se mostra desajeitada ao recitar falas decoradas num estúdio falso – e Haevensbee em essência se torna o “diretor” do filme dela – mas ao partir para a prática, nos Distritos destruídos, ela se torna o foco de esperança da rebelião.

A batalha entre governo opressor e a rebelião então se torna essencialmente uma batalha de propagandas e este, mais do que a ação na arena ou as cenas de batalhas, parece ser o foco da franquia baseada nos livros de Suzanne Collins. Katniss convence o povo a se rebelar, enquanto um cada vez mais estranho Peeta começa a surgir na televisão pedindo à sua amada que interrompa a luta.

Para uma franquia considerada “adolescente” e voltada a esse publico, é impressionante como os temas abordados pelo filme são relevantes e contemporâneos. De fato, A Esperança Parte 1 é um filme absolutamente sério, despido dos aspectos de caricatura e alguns exageros que em alguns momentos diminuíram os anteriores. Os poucos instantes de humor provém dos velhos e queridos personagens Effie (Elizabeth Banks) e Haymitch (Woody Harrelson), mas mesmo eles são meio que postos de lado depois de um tempo.

O filme é também sombrio, com muitas cenas se passando dentro do gigantesco bunker do Distrito 13, aonde a resistência veio a estabelecer sua base. A claustrofobia em alguns momentos chega a ser quase palpável, como na cena do bombardeio, e a fotografia e a direção de arte do longa se mostram desprovidas de cores fortes e vivas – afinal, neste aqui quase não há cenas na Capital, então as cores berrantes da estranha moda daqueles cidadãos não dão as caras em A Esperança Parte 1.

A seriedade também provém do próprio cerne da história, e Katniss se vê novamente na posição de peão. É curiosa a forma como a rebelião, em essência, usa Katniss da mesma forma que o governo usou, como um veículo para servir aos seus interesses. Nos dois primeiros filmes, Katniss era usada para manter o publico alienado, prestando atenção naqueles Jogos sem importância – exceto para quem estava lá na arena, claro. Já a rebelião sabe do poder que uma grande imagem pode ter, por isso resolvem vesti-la como uma “super-heroína” e a colocam em meio a um cenário de batalha. A emotividade da personagem faz o resto, e fica claro o motivo da rebelião começar a virar a mesa: eles têm uma atriz melhor, e ela é mais bem dirigida.

 

Entretanto, todas as atitudes de Katniss e tudo que sai da sua boca são movidos pela mais absoluta sinceridade, e aí fica claro como a franquia simplesmente não funcionaria sem a força da atuação de Jennifer Lawrence. Carismática e dotada de uma entrega total à sua personagem, Lawrence faz com que todos os momentos emocionais da personagem funcionem. Ela até consegue ser “má atriz” numa cena, o divertido momento no qual Katniss tenta dizer as falas da sua propaganda no estúdio. A atriz é tão forte no papel e tão dona da sua personagem que o diretor Francis Lawrence – o mesmo do capítulo anterior – se permite fazer algo atípico em se tratando de blockbusters: ele e seus roteiristas mantêm a protagonista distante da sequência de ação final, mas é a reação emocional dela que comanda a cena e a resolução do filme.

A propósito, a condução do filme pelo diretor é impecável. Embora ele mantenha a tensão e a claustrofobia por boa parte da narrativa, Lawrence se sai especialmente bem nas cenas ambientadas em espaços abertos. O cineasta cria tomadas amplas e grandiosas, especialmente aquelas que retratam a destruição do Distrito 12 – as cenas acabam evocando lembranças das cidades bombardeadas na Segunda Guerra Mundial, o que as deixam ainda mais impressionantes.

A Esperança Parte 1 não é perfeito, porém. Algumas cenas não funcionam bem, como aquela envolvendo uma contagem regressiva e um gato – um momento bobo e uma forma artificial de aumentar a tensão da história – ou a cena da represa, na qual muitos rebeldes aparentemente se sacrificam (?) sem ter chance de escapar do turbilhão de água no seu caminho. E a ênfase no triangulo “sentimental” entre Katniss, Peeta e Gale (Liam Hemsworth) leva o terço final do filme de volta ao território da “produção com teor adolescente” depois de tantas considerações mais interessantes terem sido feitas ao longo da história.

Mesmo assim, A Esperança Parte 1 cumpre seu objetivo: deixar o espectador ansioso à espera da Parte 2. Espera-se que neste derradeiro capítulo, Katniss se torne, definitivamente, dona do próprio destino. Há uma cena no filme em que Katniss perturba o já mencionado gato apontando a luz de uma lanterna na parede. Se essa cena é uma analogia do próprio filme, então Katniss é a luz e o gato, as pessoas que acompanham sua luta via propaganda. Falta a ela um último passo para se tornar, enfim, a pessoa que segura a lanterna.



Nota do CD:
4 out of 5 stars
Nota dos Leitores:


Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Danny Strong, Suzanne Collins
Elenco: A. Michelle Harleston, Elden Henson, Evan Ross, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Kim Ormiston, Liam Hemsworth, Lily Rabe, Mahershala Ali, Misty Ormiston, Natalie Dormer, Patina Miller, Philip Seymour Hoffman, Sam Claflin, Stef Dawson, Taylor McPherson, Wes Chatham
Produção: Jon Kilik, Nina Jacobson
Fotografia: Jo Willems