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sábado, 26 de novembro de 2016

“Elis”, cinebiografia dirigida por Hugo Prata, foca na trajetória artística da cantora, morta em 1982. O elenco conta com Andréia Horta no papel da Pimentinha


“Todos sabem que eu não sou ela e ela não sou eu. A partir do momento que percebi isso, fiquei mais tranquila”, afirma Andréia Horta que interpreta a cantora Elis Regina na cinebiografia “Elis”. Talvez tranquila não seja a melhor definição, como admite a atriz. Ela cresceu ouvindo as músicas da Pimentinha, influenciada pelos pais. Aos 15 anos, cortou o cabelo curtinho em homenagem à cantora. Quando a fã recebeu o convite para viver nas telas a artista que admirava, a felicidade logo se transformou em preocupação.

“Primeiro, houve o desejo enorme de honrar essa figura, essa artista, essa voz. Depois, veio uma preocupação: a responsabilidade de corresponder à expectativa diante da comparação. Mas, depois, eu pensei: ‘O desejo me trouxe aqui porque sempre fui muito fã. Agora, sou que estou aqui, com sangue correndo e é esse corpo que pode contar essa história’”, revela.

Foram cinco meses de preparação para o papel, treinando todos os dias, das 9 às 17 horas. Andréia contava com a assistência de um preparador de voz cantada, um de voz falada e mais um de corpo. O diretor Hugo Prata optou por usar os áudios originais de Elis nas canções do filme, entretanto ele se diz surpreendido pela entrega da atriz em cena.

“Para que a junção da voz da Elis com a imagem da Andréia ficasse crível, foi muita labuta. Ela aprendeu a usar o diafragma, a respirar e emitir a voz, para cantar de verdade. Apesar do áudio não ser dela, em todas as cenas ela está cantando como uma profissional. Ficava exausta. A voz dela acabou mais de uma vez no set, porque tinha que repetir as cenas várias vezes”, conta.

O filme retrata a trajetória musical da cantora, começando com a vinda de Elis pra o Rio de Janeiro em no dia de 1º de abril de 1964, exatamente no dia do golpe militar. A sua carreira se inicia ao se aproximar dos produtores Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), que se tornaria seu primeiro marido, e Luiz Carlos Miéle (Lúcio Mauro Filho). A consagração chega com o programa O Fino da Bossa, na TV Record, junto com Jair Rodrigues (Ícaro Silva). A produção também acompanha a maternidade da cantora, o segundo casamento com o pianista César Camargo Mariano (Caco Ciocler), o embate dela com o regime militar e a repentina morte aos 36 anos por overdose de cocaína em 1982.

O filme, que foi lançado nacionalmente na última quinta (24), marca a estreia na direção de longas metragens de Hugo Prata, mais conhecido por seu trabalho com videoclipes – são mais de 60 produções de artistas como Ivete Sangalo, Pato Fu, Skank e Djavan. O diretor também foi responsável pela implementação da MTV Brasil, nos anos 1990.

“Sou um cineasta apaixonado por música. Ouço Elis desde que nasci, em plena Era dos Festivais. Meus pais eram assíduos frequentadores. Sou de abril de 65, mês e ano que ela explode cantando Arrastão. Mas eu busquei me afastar dessa idolatria. Caso eu decidisse apenas enaltecer Elis, não faria um grande filme. Busquei a mulher real, para além do glamour. Elis teve uma infância dura, com 13 anos já sustentava a família, desenvolveu toda uma carreira durante a ditadura, criou três filhos, lutou contra o machismo. O filme trata disso”, define o diretor.

Elis ganhou três prêmios no Festival de Gramado, de melhor filme pelo júri popular, melhor atriz para Andréia Horta e melhor montagem para Tiago Feliciano.

sábado, 15 de outubro de 2016

Elis

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Não conheço o trabalho de Elis Regina, mas depois de conferido seu filme, Elis, dirigido por Hugo Prata e bastante aplaudido no Festival de Gramado deste ano, prometo passar a conhecer. Aliás, foi assim também com Cazuza e Tim Maia, quando suas biografias foram lançadas. Conhecia algumas músicas, mas não o trabalho a fundo e fui pesquisar mais sobre eles e apreciá-los como realmente merecem. Uma coisa era sabida, seu talento era algo absurdo, sua voz era muito potente e seu sucesso era inevitável.

Elis, acompanha os passos da cantora desde a sua chegada ao Rio de Janeiro, quando ainda buscava seu espaço e tentava fazer algum sucesso pela noite carioca. Seu pai demonstrava preocupação com o sonho da filha, a queria famosa, mas tinha interesses e temia o que ela faria com o dinheiro que poderia vir a ganhar. Sua primeira chance foi na boate de Miele e Ronaldo Boscôli, que ao perceber o potencial da jovem gaucha, resolveram investir nela, mesmo com algumas trocas de farpo, que a fizeram, após já reconhecida pelo público, largar tudo e rumar para São Paulo, onde explodiria nacionalmente e internacionalmente.

Descrever mais algo da trama é estragar as surpresas para quem, como eu, não conhecia sua história. O que posso dizer é que Elis é um filme competente, mas, como de costume, se apresenta, de certa forma, quadrado, pois ,como em outros filmes brasileiros, citados nesta introdução, sabem introduzir o personagem, possuem boas atuações, mas não possuem a coragem necessária para ir a fundo nos problemas e medos vividos por eles. O que faz, de verdade, essa cinebiografia especial é a atuação de Andreia Horta (Muita Calma Nessa Hora), que foi eleita a melhor atriz em Gramado, pois a atriz se entrega de coração ao papel, com riso fácil e cativante e conseguindo dar a intensidade necessária, que a interpretação de Elis Regina precisa para vender as constantes mudanças comportamentais da cantora.

Aliás, esse é o maior defeito do filme, que a transforma em uma pessoa confiante muito rápido, a leva a ascensão mais depressa ainda, a transforma em uma pessoa insegura, também, muito rápido e a leva a decaída, praticamente, na velocidade da luz. Não é algo que impeça o filme de Hugo Prata de ser acima da média, mas é algo que me incomoda, pois sempre me encanto pelos personagens, mas saiu da sessão acreditando não a ter conhecido por completo.

Fará bastante bilheteria e será muito bem apreciado pelo público. Isso é certo! Alguns estão dizendo que Elis reencarnou em Andreia e não seria algo improvável de se imaginar.  Sorrisos, Trejeitos e a presença de palco são idênticos e ganham mais força ainda com o restante trabalho do elenco, que também aparece bem em cena, com destaque para Gustavo Machado, como Bôscoli e Caco Ciocler como César Camargo. Assistam! Elis Regina merece e vocês também.

Nota do CD:
3.5 out of 5 stars


Sinopse: Longa-metragem de ficção baseado na vida da cantora Elis Regina, considerada a maior cantora do Brasil. O filme acompanha Elis desde sua chegada ao Rio de Janeiro, aos 19 anos, até sua morte trágica e precoce.

Ficha Técnica:
Gênero: Biografia
Direção: Hugo Prata
Roteiro: Hugo Prata, Luiz Bolognesi, Vera Egito
Elenco: Andréia Horta, Caco Ciocler, Gustavo Machado, Júlio Andrade, Lúcio Mauro Filho, Zecarlos Machado
Fotografia: Adrian Teijido
Montador: Tiago Feliciano
Duração: 110 min.
Ano: 2016
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 24/11/2016 (Brasil)
Distribuidora: Downtown Filmes
Estúdio: Bravura Cinematográfica