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sábado, 21 de março de 2015

"Busca Implacável 3", de Olivier Megaton




Busca Implacável 3 (Taken 3 - 2014)

O que esperar de um filme que, no desespero de lucrar mais alguns dólares, subverte a função do próprio título? A única razão lógica para o “Taken” é como símbolo do valor do ingresso e do precioso tempo que nos são tomados, enquanto tentamos não perceber que o diretor não possui a menor noção de ritmo. Ao invés de acompanharmos a caçada do personagem de Liam Neeson, o fraco roteiro, de Luc Besson e Robert Mark Kamen, copia a estrutura de “O Fugitivo”, um plot twist que já soaria previsível na década de noventa. A execução transparece o desânimo geral, faz parecer que nenhum profissional está realmente motivado a participar do projeto. 

O primeiro ato é especialmente ruim, moroso, com furos agressivos e alívios cômicos constrangedores, como a longa piada com o protagonista e o urso de pelúcia, uma forma canhestra de estabelecer novamente o personagem como uma figura paterna carinhosa, e, pior ainda, a cena que envolve o detetive, vivido por Forest Whitaker, e um delicioso Pretzel. É um senso de humor tolo, antiquado no gênero, até para os padrões das produções recentes de Steven Seagal. A montagem excessivamente caótica nas cenas de ação tenta construir um senso de perigo que é inexistente, com a estética de destruição maximizada sobrepujando a lógica narrativa, desrespeitando o desenvolvimento do personagem, transformando o herói reativo em um inconsequente matador, como um Jason Voorhees que é capaz de explodir um prédio lotado de famílias, para eliminar um vizinho chato. 

O filme original era eficiente, tinha ideias convencionais, mas tinha um protagonista motivado e era bem executado. Já essa bomba, caso fosse lançada fora da franquia, provavelmente seria distribuída direto no mercado de vídeo.