Mostrando postagens com marcador O Inquilino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Inquilino. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de março de 2017

"O Inquilino" e "O Marido Era o Culpado", de Alfred Hitchcock



O Inquilino (The Lodger: A Story of the London Fog - 1927)

Hitchcock considerava esse filme como o ponto de partida em sua carreira, uma pérola do cinema mudo que segue eficiente hoje. É perceptível o fascínio dele pelas experimentações na linguagem, colocando em prática tudo o que aprendeu durante sua fase nos estúdios alemães, o expressionismo absorvido com segurança por alguém com forte senso autoral. A trama é inspirada nos casos de Jack, o Estripador, algo consideravelmente recente no imaginário popular da época. A histeria coletiva que incrimina um inocente, tema que se tornaria recorrente na obra do mestre do suspense, emoldurada por uma utilização altamente criativa dos cenários, com destaque para a celebrada sequência em que a câmera nos mostra os passos do protagonista, vivido por Ivor Novello, filmados sobre um chão de vidro, potencializando a preocupação dos moradores no andar de baixo com a enigmática presença do hóspede. O desafio de contar a história sem diálogos provou ser enriquecedor para o jovem britânico, que pôde flertar com simbolismos visuais, o triângulo que reflete a estrutura dos relacionamentos trabalhados na narrativa, além, claro, das vítimas loiras que se tornariam cada vez mais frequentes. A estética usual do teatro filmado silencioso dava lugar ao jogo de imagens do cinema moderno. Vale destacar que a ideia inicial preservava o mistério sobre a autoria dos assassinatos, mas a escalação de Novello, ídolo jovem muito querido pelas adolescentes, impossibilitou a dúvida, ninguém queria correr riscos nas bilheterias.


O Marido Era o Culpado (Sabotage - 1936)

Quando conheci o filme na adolescência, em uma exibição televisiva no “Cine Vida”, da “Rede Vida”, apresentado por Brancato Júnior e pelo crítico José Tavares de Barros, eu me lembro de ter ficado assustado com a crueza de Hitchcock. De certa forma, considero “O Marido Era o Culpado” mais ousado que os posteriores “Cortina Rasgada” e “Frenesi”. A temática do terrorismo fez com que o filme fosse banido em alguns países, o tom sombrio refletia a complicada situação política na Europa, com a ameaça nazista espreitando nas sombras. O nível impressionante de tensão na sequência em que acompanhamos o passeio do menino que, sem saber, carrega uma bomba pelas ruas da cidade, uma aula que une elementos da montagem soviética de Eisenstein e Vertov ao senso de humor macabro do diretor. Inspirado levemente no livro “O Agente Secreto”, de Joseph Conrad, essa pérola da fase britânica merece maior reconhecimento, especialmente pela coragem. O mundo ficaria chocado com o assassinato da personagem de Janet Leigh na primeira meia-hora de “Psicose”, em 1960, mas Hitchcock já subvertia todas as expectativas aqui, eliminando brutalmente a criança no ato terrorista, a pureza sendo a primeira vítima do medo.


* Os filmes estão sendo lançados em DVD pela distribuidora "Versátil", com a curadoria sempre impecável de Fernando Brito, no digistack "A Arte de Alfred Hitchcock", que contém também um documentário sobre a fase inglesa do mestre do suspense e os filmes "Jovem e Inocente" e "A Estalagem Maldita".

Via: Octavio Caruso, do blog: www.devotudoaocinema.com.br

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O Fascínio do Medo: Terror Anos 70

De 13 DE FEVEREIRO, SEXTA a 05 DE MARÇO, QUINTA
CINEMA

O Fascínio do Medo: Terror Anos 70

Cine Humberto Mauro
ENTRADA GRATUITA
Site310
O Cine Humberto Mauro terá programação especial a partir da sexta-feira 13! A mostra O fascínio do medo: terror anos 70 acontece entre os dias 13 de fevereiro e 5 de março, trazendo para a tela filmes que lidam com situações de terror em suas diversas expressões.
A quantidade e a qualidade de filmes realizados na década de 70 marcaram um momento singular para o gênero do terror. Diversos cineastas, influenciados por filmes como Psicose (Hitchcock, 1960) e O bebê de Rosemary (Polanski, 1968), pelo cinema moderno europeu e pela situação sócio-política e econômica da época, lançaram-se no fascinante e obscuro território do medo, imprimindo em suas obras características autorais inovadoras.
A mostra exibe filmes que se destacaram nesse contexto. O horror da vida em sociedade, a relação do homem com a religiosidade, tensões raciais e étnicas, o questionamento do mito da família nuclear e a revolução sexual são temas de filmes como O Exorcista, Aniversário Macabro, O Inquilino, A Profecia, O despertar dos mortos e Halloween.
A entrada é gratuita, com retirada de ingressos meia hora antes da sessão. Não haverá programação no Cine Humberto Mauro nos dias  16 e 17 de fevereiro, em função do feriado de Carnaval.
 

ESPECIAL DE ABERTURA

A abertura da mostra acontece na sexta-feira, 13 de fevereiro. Deste modo, foi preparada uma programação especialmente aterrorizante para marcar a data. Serão exibidos O despertar dos mortos, O Exorcista e Hallowen – a noite do terror.
 

BRIAN DE PALMA

No dia 21 de fevereiro, sábado, a programação é dedicada ao diretor Brian De Palma, com a exibição dos thrillers Trágica obsessão e Irmãs diabólicas, além do clássico Carrie, a estranha. A influência de Alfred Hitchcock, diretor de Frenesi, que também será exibido na mostra, é uma das marcas da cinematografia de De Palma. Isso pode ser conferido pela escolha das locações, composições da mise-en-scène, pela utilização de trilhas sonoras compostas por Bernard Herrmann, além da escolha de mulheres loiras para os papéis principais.
 
 

EVENTO

O Fascínio do Medo: Terror Anos 70

DATA

De 13 de Fevereiro, Sexta a 05 de Março, Quinta

LOCAL

Cine Humberto Mauro

INFORMAÇÕES PARA O PÚBLICO

(31) 3236-7400