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sábado, 4 de março de 2017

"John Wick - Um Novo Dia Para Morrer", de Chad Stahelski


John Wick - Um Novo Dia Para Morrer (John Wick: Chapter 2 - 2017)

É um toque de gênio iniciar com uma exibição acrobática de Buster Keaton sendo projetada no prédio. O cinema independente “cabeça”, as obras umbilicais dramáticas, o equivocado conceito de “filme de arte” defendido por cinéfilos pseudointelectuais e críticos tolos, essas produções só existem graças ao lucro obtido com as fitas de gênero. O cinema se formou com as estripulias perigosas pioneiras de Keaton, o balé cômico de Chaplin, Harold Lloyd se pendurando no ponteiro do relógio, Stan Laurel e Oliver Hardy se equilibrando no alto de um edifício em construção e Douglas Fairbanks saltando como uma raposa em “A Marca do Zorro”. O cinema não existiria hoje sem a contribuição dos filmes de ação. A homenagem proposta é, acima de tudo, um ousado resgate para um público-alvo formado em sua maioria por adolescentes, o que, por si só, já mereceria aplausos. “John Wick – Um Novo Dia Para Matar”, dirigido pelo mesmo Chad Stahelski do original “De Volta ao Jogo”, promove outra bela homenagem no terceiro ato, um tiroteio em uma sala de espelhos, o que remete diretamente ao clássico de Bruce Lee: “Operação Dragão”.

A sequência pré-créditos repete algumas ideias coreográficas do primeiro, intensificando o tom e oferecendo variações embasbacantes, mantendo os enquadramentos na simplicidade, sem trepidações de câmera, fazendo do combate corpo a corpo uma espécie de dança, maneira impecável de estabelecer para o público novo o personagem título, vivido por Keanu Reeves, como a figura imponente que intimida até os marginais mais insanos. O resultado é inferior ao “De Volta ao Jogo”, apesar de contar com um orçamento maior e superar tecnicamente o anterior em todos os aspectos. O problema principal está no roteiro. A longa duração acerta ao explorar com mais detalhes os meandros da organização de assassinos, mas sabota terrivelmente o ritmo ao inserir uma subtrama dispensável defendida por Laurence Fishburne, decisão que parece ter sido pensada apenas como forma de reunir a dupla de “Matrix”. O segundo ato se arrasta, minimizando o impacto dos rompantes de ação. A motivação criada para fazer o personagem atrasar sua aposentadoria é desgastada, o vilão, vivido sem brilho pelo italiano Riccardo Scamarcio, obriga Wick a cumprir uma missão genérica, sem qualquer relação emocional com ele, como forma de honrar sua promessa de sangue. É difícil enxergar relevância na tarefa, o que prejudica a imersão do espectador. Ruby Rose vive uma assassina muda, recurso utilizado pelo roteiro sem muita criatividade, parece ter sido inserido apenas para dar um toque exótico.

Outro problema é que o roteiro falha em trabalhar as consequências físicas e psicológicas dos danos sofridos nos conflitos, o filme se torna um videogame de tiro em primeira pessoa, Wick é quase invulnerável. No primeiro, apesar dele passar pelas situações mais absurdas, o roteiro se preocupava em evidenciar o desgaste que ele sentia a cada oponente vencido. O submundo da organização é expandido consideravelmente, com o roteiro de Derek Kolstad aceitando o risco de forçar a barra na suspensão da descrença, especialmente na sequência que finaliza a trama, uma opção que abre as portas para a possibilidade de uma franquia, porém, consequência natural, banaliza o impacto do primeiro filme e reduz o protagonista a um genérico tipo etiquetado para o consumo rápido nas bilheterias. Não me surpreenderei se, em alguns anos, estiver vendo John Wick sendo enviado para uma missão espacial, perseguido por caçadores de recompensa marcianos. Torço sinceramente para que o plano do diretor envolva apenas uma trilogia fechada, algo que respeite os fãs e seja coerente ao tom do original.

Via: Octavio Caruso, do blog: www.devotudoaocinema.com.br

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

John Wick – Um Novo Dia Para Matar

O virtuosismo de um filme de ação.
Keanu Reeves é um ator peculiar. Desde o longínquo ano de 1986, ele vem chamando atenção, não por sua versatilidade no quesito interpretação, mas por ser uma pessoa simpática em tudo o que faz, trazendo integridade e verdade para seus personagens. Já fez o garoto de programa, o surfista ladrão, o jovem abobalhado, o violentado por mulheres, o budista, o policial, o advogado do diabo, o desenho animado e o exorcista. Mas o filme que o catapultou para o grande estrelato foi a trilogia Matrix, sendo um dos atores de salários mais altos e ainda com porcentagem sobre a bilheteria. Depois disso já estava provado que Keanu era ator que rendia grandes cifras e poderia estar envolvido em qualquer projeto. E os filmes de ação continuaram. Em 2014 ele chegou com John Wick, um assassino aposentado que volta à ativa depois de roubarem o seu carro e matarem o seu cachorro. Isso mesmo. E, talvez por isso, o filme tenha feito tanto sucesso e seja tão bom. Ele ganha pela simplicidade dos fatos, feitos com grande maestria.
Agora ele volta com mais um episódio em que John Wick precisa, novamente, deixar a aposentadoria pra mais tarde, sendo obrigado a matar a irmã de Santino D’ Antonio, o próprio que contratou o serviço. Isso é só o começo.
John Wick – Um Novo Dia Para Matar – é um filme que subverte os seus acontecimentos. Já, de início, no primeiro assassinato, nada acontece como o esperado, nada é correto, tudo vira uma bola de neve. Situações que puxam outras situações. As mortes, que não são poucas, são feitas da forma que, se piscarmos os olhos, perderemos pelo menos uma dúzia delas. É a edição fazendo o que ela sabe de melhor. As lutas, diga-se de passagem, são coreografias em estado puro da brutalidade, mas com delicadeza (ou rapidez) nos gestos. São movimentos que nunca beiram a superficialidade, existindo até pausa para a bebida. Aqui não precisa acontecer a catarse do protagonista. Ele precisa se defender, ele precisa matar, simples assim, e assim acontece. John Wick é atropelado várias vezes, ganha tiros, cai, recebe muitos socos e levanta cambaleando, mas sempre está de pé.  Em certos momentos, parece personagem de desenho animado e por isso é tão bom. E Keanu Reeves tem uma dose de ironia que lhe é tão peculiar, como no momento em que está sendo revistado e uma bela mulher apalpa suas partes baixas, só ele consegue aquela cara de susto.
O roteiro ainda brinca com a situação do filme anterior. Certo personagem avisa que John Wick está chegando, um só um, mas era o dono do “cachorro” e do “carro”. Sua cara de desespero é a melhor. A ironia está em cada canto da história. Pra quê coisa melhor do que o olhar do atendente do hotel, que sempre está disposto a ajudar John Wick? A dualidade das emoções de John Wick (o cuidado com o cachorro e a falta de piedade ao matar quem quer que seja). São essas pequenas nuances que fazem John Wick se tornar um gigante dos filmes de ação. Ele é diferencial das centenas de histórias que chegam com tiros, porradas e bombas.
John Wick, por algumas vezes, remete ao grande sucesso da carreira de Keanu Reeves. Na primeira é a rápida aparição do ator Laurence Fishburne, que tão bem encarnou Morpheus na trilogia Matrix e, na outra, é de uma cena numa sala de espelhos em que os personagens se multiplicam, lembrando, em parte, do vilão Agente Smith, vivido por Hugo Weaving, que vira vários em momento chave de Matrix Reloaded. Falando em personagens, os de Um Novo Dia Para Matar são todos maravilhosos de apreciar. O que falar da vilãzinha que se comunica pela língua de sinais e, Keanu Reeves ainda dá uma palhinha na linguagem.  Common, o rapper, agora ator, tem uma ótima presença em cena e suas lutas com John Wick são de tirar o fôlego. O personagem Santino D’Antonio é outro cheio de nuances, aquele que aparenta ter o poder do mundo em suas mãos, ou melhor, nos seus olhos. Ricardo Scamarcio, o ator, engrandece a cena em cada aparição. Isso, sem falar nas ótimas presenças de Franco NeroIan McShaneLance Reddick e John Leguizamo. Um elenco brilhante. Assim, John Wick – Um Novo Dia Para Matar – chega para ser, sem sombra de dúvidas, uma das melhores produções de ação do ano. É um filme que, em momento algum, tem medo de misturar o exagero (queria ter contado o número de mortos) com o humor negro, com personagens falando outras línguas, com um balé de corpos em luta, com brigas sem trilha sonora ou com elas, tudo feito com maestria e, claro, um “cachorrinho” adorável. John Wick, você pode voltar quando quiser, será sempre bem-vindo.
Nota do CD:
★★★★½
Sinopse:John Wick precisa, novamente, deixar a aposentadoria pra mais tarde, sendo obrigado a matar a irmã de Santino D’ Antonio, o próprio que contratou o serviço. Isso é só o começo.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Gênero: Ação
Direção: Chad Stahelski
Roteiro: Derek Kolstad
Elenco: Alex Ziwak, Aly Mang, Angel Pai, Bridget Moynahan, Common, Crystal Lonneberg, Heidi Moneymaker, Ian McShane, John Leguizamo, Keanu Reeves, Lance Reddick, Laurence Fishburne, Marko Caka, Marmee Cosico, Nancy Cejari, Peter Stormare, Riccardo Scamarcio, Ruby Rose, Thomas Sadoski, Tobias Segal, Toshiko Onizawa
Produção: Basil Iwanyk
Fotografia: Dan Laustsen
Montador: Evan Schiff
Trilha Sonora: Joel J. Richard, Tyler Bates
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Lionsgate Films / PalmStar Media / Thunder Road Pictures