quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Cinquenta Tons Mais Escuros

Os tons ficaram mais embaçados, assim não dá pra te ajudar!
No primeiro filme, a curiosidade era mundial. Os que conheciam o best-seller, e gostavam, queriam ter certeza que veriam algo à altura do livro. Ele cumpriu o seu papel num filme romanceado sobre um homem sadomasoquista e sua nova conquista. Nunca quis ser o típico filme-cabeça ou um filme pornográfico. Queria mexer com a mente da mulher (ou do homem) que pensa no sexo de forma mais agressiva, mas que nunca teve coragem de expor tal situação. O filme, de forma “limpa e soft”, trouxe uma moça para um mundo irreal, pelo menos para ela, mas cheio de curiosidades e fantasias no imaginário de muitos. Era bem simpático, quase Uma Linda Mulher dos tempos atuais, com alguns ajustes, para o bem ou para o mal. A ótima diretora Sam Taylor-Johnson conseguiu dar veracidade aos fatos, num filme com boa tensão sexual, ótima presença da protagonista (Dakota Johnson), uma bela fotografia e trilha sonora que tinha ótima ligação com a história.
Para a nossa tristeza mudaram a direção. No lugar de Sam Taylor, James Foley foi incumbido de ministrar mais uma proeza dos tons acinzentados, e é perceptível que a mudança não fez bem. Foley foi o diretor do longínquo filme da Madona – Quem é Essa Garota – depois de outros, fez o estranho A Estranha Perfeita e algumas séries de tv. Mas sua direção em Cinquenta Tons Mais Escuros ficou das mais fracas possíveis. Mesmo não tendo um grande material em mãos, ele precisava administrar tudo com mais sabedoria e malícia. Não é o que acontece. O filme parece que foi feito às pressas. Cenas jogadas forçadamente. Montagem feia, truncada, não ajudando no desenrolar da trama. E por onde andam a iluminação e a fotografia do primeiro filme? O roteiro virou uma salada. Temos um chefe obsessivo pela funcionária; acidente aéreo; mulher com sintomas homicidas; mulher, mais velha, com síndrome de posse. Tudo isso pra aumentar a tensão, mas em sua maioria só causa “um certo riso”. Muitas situações que ajudariam a contar sua história são desperdiçadas sem um pingo de emoção envolvida, cenas totalmente truncadas. Uma pena.
Uma nova personagem foi inserida à trama (escrava sexual de Christian Grey) para causar suspense, mas o riso é involuntário. Kim Bassinger (Ajuste de Contas), no alto de seus 63 anos, tá cada vez mais linda e loura, mas fria como um congelador. Não vingou! A ótima Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) tem mais chance em cena, fazendo a mãe do riquinho sadomasoquista. Só não entendo o seu esposo, que entra mudo e sai calado. O protagonista Jamie Dornan  deu uma pequena melhorada em seu desempenho, mas ainda é difícil acreditar que ele é tudo aquilo que diz ser. Pobre menino rico. Talvez a sua barba por fazer tenha dado um pouco mais de credibilidade em sua situação de “homem perverso”. Já Dakota Johnson (Need for Speed) tem brilho maior. A garota sabe mesclar pitadas de inocência com carga de erotismo. Um erotismo que seu par não ajuda em quase nada.  Cabe à Dakota tomar conta do pedaço. Pelo menos tivemos a melhor “virada sexual” do ano. A continuação da “saga” chega em 2018, veremos o que Cinquenta Tons de Liberdade, que foi filmado junto com Cinquenta Tons Mais Escuros, poderá ajudar nesse desfecho.
Nota do CD:
★★☆☆☆
Sinopse:Christian Grey tenta, novamente, seduzir Anastasia Steele. Ela, de início não quer ceder, mas depois decide dar uma nova chance a Grey. Algumas coisas do passado voltam para atormentar “o casal”.
TRAILER:
FICHA TÉCNICA:
Gênero: Romance
Direção: James Foley
Roteiro: E.L. James, Niall Leonard
Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Luke Grimes, Rita Ora, Victor Rasuk, Bella Heathcote, Kim Basinger, Eric Johnson, Hugh Dancy, Marcia Gay Harden, Eloise Mumford.
Produção: Dana Brunetti, E.L. James, Michael De Luca
Fotografia: John Schwartzman
Montador: Richard Francis-Bruce
Trilha Sonora: Danny Elfman
Duração: 115 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 09/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Universal
Estúdio: Universal Pictures
Classificação: 12 anos

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

ERNST LUBITSCH - 10 FILMES ESSENCIAIS DA FASE AMERICANA


Ernst fazia filmes engenhosos e sofisticados. Em todos há o notório "Toque Lubitsch". Diretores, principalmente da década de 50 e 60 o idolatravam. Estudavam seus métodos. As histórias com seu nome são lendárias. Billy Wilder, sempre que filmava se indagava: " - como Lubitsch filmaria isto?".

No funeral de Lubitsch, o também diretor de cinema Billy Wilder disse tristemente, "Não mais Lubitsch", e William Wyler respondeu, "Pior que isso. Não mais os filmes de Lubitsch".

Diretor obrigatório para cinéfilos e estudiosos. A obras primas lançou seu melhor filme, Ser ou não ser, mas abaixo estão listados os 10 filmes essenciais para serem conferidos.

Lembrando que os 10 se referem à fase americana. Ele também tem a fase alemã, que será retratada em outra publicação.

Boa sessão e bons filmes.



Na Polônia da década de 40 ocupada pelos nazistas vive Josef Tura (Jack Benny), um vaidoso ator e diretor de uma companhia de teatro que vive em constante conflito com sua esposa Maria (Carole Lombard), a atriz principal do grupo. Depois de brigarem muito, eles percebem que tem coisa mais importante a fazer: Ajudar a resistência polonesa. Assim, eles se envolvem em espionagem e fingem se passar, junto com outros membros do teatro, por integrantes da Gestapo. Só que Maria acaba presa dentro da Gestapo e eles terão que armar um plano audacioso para resgatá-la do ninho dos nazistas.


Em Budapeste vive Alfred (James Stewart), o empregado de uma pequena loja de confecções, que se apaixona por Klara (Margaret Sullavan), uma garota com quem se corresponde sem nunca tê-la visto. Por coincidência Klara se emprega na loja em que Alfred trabalha e passa a hostilizá-lo, sem saber que ele é a pessoa com quem troca correspondências. Quando Alfred enfim descobre a verdade e está prestes a se revelar para Klara ele termina sendo demitido de seu emprego, por seu patrão acreditar que seja ele o amante de sua esposa.


Três russos estão em Paris para vender as jóias confiscadas da aristocracia durante a Revolução Russa de 1917. Na chegada, eles encontram o Conde Leon d'Algout, em uma missão da grã-duquesa russa Swana (Ina Claire), que quer recuperar suas jóias antes que sejam vendidas. Ele corrompe-os e faz com que se hospedem em Paris. A União Soviética, em seguida, envia Nina Ivanovna "Ninotchka" Yakusheva (Greta Garbo), cujo objetivo é ir adiante com a venda das jóias e trazer de volta os três homens. Rígida e severa no início, ela lentamente torna-se seduzida pelo Ocidente e pelo conde, que se apaixona por ela. 
Ninotchka foi comercializado com o slogan "Garbo ri!", se referindo a imagem séria e melancolica de Garbo e implicando que ela não havia rido ou feito comédia antes. 


Gaston Monesque (Herbert Marshall) e Lily (Miriam Hopkins) são uma dupla de tranbiqueiros de alta classe que escolheram viver a vida roubando, e não veem grandes problemas nisso. Assim que eles se conheceram eles flertaram mostrando o que já haviam roubado, e desde então passaram a aplicar os golpes juntos. Tudo vai bem até que eles se deparam com uma herdeira com uma gorda conta bancária, e logo pensam num jeito de botar as mãos no dinheiro. Gaston resolve chegar até a rica menina seduzindo-a, só que ele próprio vai cair nas armadilhas que armou.


Ao morrer, Henry Van Cleve apresenta-se às portas do Inferno, que era para onde todas as pessoas mandavam-no ir quando vivo. Ele é atendido por um gentil Satanás, que duvida que seus pecados o qualifiquem a entrar ali. Henry, então, relembra sua vida e suas mulheres, principalmente os vinte e cinco anos de casamento com Martha.
O diretor, Ernst Lubitsch, esperava contar com Joseph Cotten, Fredric March ou Rex Harrison, para desempenhar o papel de "Henry Van Cleve", mas o chefe de produção do estúdio, Darryl F. Zanuck, sugeriu a Lubitsch testar Don Ameche. Um acerto na mosca.


Dois americanos partilham um apartamento em Paris, o dramaturgo Tom Chambers e o pintor George Curtis, e ambos possuem uma queda de espírito por Gilda Farrell. Quando ela não consegue decidir-se qual deles prefere, ela propõe um "acordo de cavalheiros": ela vai morar com eles, mas eles nunca terão relações sexuais. Mas quando Tom vai a Londres para supervisionar a produção de uma de suas peças, deixando Gilda sozinha com George, quanto tempo será que seu acordo de cavalheiros durará?


Os formosos Andre e Colette Bertier (Maurice Chevallier e Jeanette MacDonald) são um casal extremamente feliz. Quando Colette apresenta seu marido para a sua melhor amiga Mitzi (Genevieve Tobin), que flerta com todos os homens que vê pela frente, Andre tenta ao máximo resistir às investidas da amiga. Mas ela é bastante insistente, além de ser muito bonita, que faz com que ele invariavelmente traia sua mulher.O marido de Mitzi (Roland Young) quer se divorciar, e a está mantendo sob vigilância constante. Andre acaba sendo descoberto, e tem de se confessar para Colette. Mal sabe ele, que sua belíssima mulher também tem mantido alguns segredos para si...


Em, O Tenente Sedutor que marca em definitivo o estilo que ficaria conhecido como "The Lubitsch Touch". O filme trata de um triângulo amoroso entre a violinista Colbert, o Ten. Chevalier e a Princesa Hopkins que vai aprender com a ajuda da amante do marido que não é sendo boazinha que se conquista um homem. 
Aqui já se vislumbra a extrema liberdade sexual que iria progressivamente se instaurar nas personagens de Lubitsch e que era um escândalo na época, pois mostrava abertamente pessoas sexualmente ativas tratando com maturidade sua sexualidade, com as aulas de sexo que Colbert dá à Hopkins, com direito a cena do beijo na boca entre as duas.


O filme é spbre a Rainha Louise da Sylvania (MacDonald) e o seu novo marido, Conde Alfred (Chevalier). Embora o Conde Alfred tenha prometido, na cerimônia de casamento, ser um marido dócil, ele depressa se arrepende de sua decisão a partir do momento em que as suas rodens não são obedecidas, ele se torna enfastiado com a vida que leva. Ameaçando partir para Paris, ele só é detido pela Rainha Louise, quando ela lhe pferece o equivalente aos poderes de um rei.
Aproveitando o advento do cinema sonoro, este será talvez "a primeira comédia musical", onde são já patentes o talento, o humor e o olhar sarcástico de um realizador que levou da Alemanha para a América uma modernidade e um tom de estilo que haveriam de perdurar em toda a sua obra. 


O Rei Achmed tenta proteger os interesses econômicos da Marchóvia, seu pequeno país encravado na Europa Central. Quando Sonia, a viúva mais rica da nação, vai para Paris, Achmed manda atrás o Príncipe Danilo, seu maior conquistador, para seduzi-la e casar-se com ela (e assim levá-la de volta com toda sua fortuna) -- do contrário, será feito prisioneiro. Na Cidade Luz, o príncipe acaba por distrair-se com outras mulheres... mas uma delas é a própria Sonia, disfarçada de cortesã. Apaixonam-se e marcam o casamento, porém no último minuto Sonia recusa-se a subir ao altar e Danilo é preso. Depois, ela vai visitá-lo na prisão e os dois finalmente acertam os ponteiros.
Via: Tudo Sobre Seu filme

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

VIDAS SEM RUMO (1983) - ANTES E DEPOIS DO ELENCO

Vidas sem rumo, para quem não lembra é o filme de Francis Ford Coppola que lançou no cinema atores que fizeram muito sucesso nos anos 80. Astros de filmes como Jovem demais para morrer, Top Gun e Karatê Kid.

Confiram como ficaram 34 anos depois...








domingo, 5 de fevereiro de 2017

10 FILMES DA DISCO PARA VER ANTES DE MORRER



A disco music  atingiu o pico de popularidade em meados da década de 1970.
Durante o início da década de 1980, a disco music começou a sofrer preconceito nos Estados Unidos cedendo lugar ao rock.

A novela  brasileira Dancin' Days simbolizou bem o período. Abaixo listei 10 filmes que há referência ao período e que os personagens aparecem constantemente numa boate.

Divirtam-se.

Tony Manero vive para as noites de sábado na discoteca local no Brooklyn, onde ele é rei, graças a seus movimentos elegantes na pista de dança. Mas, fora do clube, as coisas não parecem tão animadoras. Em casa, Tony luta constantemente com o pai e tem que competir com seu irmão mais velho, um padre. Ele também não encontra satisfação trabalhando sem perspectiva de futuro em uma loja de tintas. No entanto, as coisas começam a mudar quando ele conhece Stephanie na discoteca e começa a treinar com ela para a competição de dança. Stephanie sonha com um mundo além do Brooklyn, e planeja se mudar para a cidade grande, o que pode vir a mudar a vida de Tony para sempre.
É sexta-feira e todo mundo está indo para a nova discoteca. The Commodores estão programados para tocar se Floyd chegar com os instrumentos, e Nicole sonha em se tornar uma estrela da Disco. Outros personagens estão lá para ganhar o concurso de dança, ou para colocar um pouco de emoção em seu quinto aniversário de casamento. Produzido no auge da mania Disco, o filme tem os The Commodores tocando “Too Hot to Trot”, e Donna Summer cantando “Last Dance”, que ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Canção em 1979.
A jovem Terry (Linda Blair) tem um futuro brilhante na música lírica, mas se apaixona pelo boêmio patinador artístico Bobby (Jim Bray). Os pais de Terry não aprovam o relacionamento, querem ver a filha casada e na faculdade. Ela briga contra os pais e o casal luta, junto de seus amigos, para manter aberto um rinque de patinação.
Mark L. Lester, conhecido por dirigir filmes de ação, fez esta pérola com a menina (já mulher, claro) do filme Exorcista.
Esta é uma pseudo autobiografia do grupo musical Village People. Um filme muito ruim e ao mesmo tempo "imperdível". E, de tão horrível, tão estúpido, que é verdadeiramente imperdível para os fãs de filmes trash, ou apesar de ruim, te envolve e fica engraçado. A história se passa em 1980, revela o segredo, mais bem guardado nos Estados Unidos, o fato dos seis homens do The Village People serem gays. Muitos americanos, que amavam sua música, não sabiam.
Um filme blaxploitation que aproveitou a onda Disco para faturar em cima do gênero. Um policial aposentado torna-se DJ celebridade na discoteca Blueberry Hill – onde é conhecido como o “Disco Godfather”. Tudo vai bem até que seu sobrinho se vicia em uma nova e estranha droga que está varrendo as ruas, chamada de “pó de anjo”, ou PCP. Disco Godfather resolve dar um basta na situação perseguindo os traficantes e o chefão por trás de toda a produção. No meio disso tudo, ele ainda encontra tempo para gerenciar a Blueberry Hill e comandar as carrapetas da boate.
Na época áurea da Disco, o Studio 54 foi a discoteca idealizada por Steve Rubell (Mike Myers), que agitava a vida de Nova York com todo o frenesi que lhe deu reputação internacional. Lá, Rubell tentava transformar seu sonho em realidade, ao dar as melhores festas que o mundo tinha visto e fazer com que elas parecessem durar para sempre, com toda a decadência e os excessos da época. Rubell criou um lugar onde a fantasia era a realidade, pois não havia nem rótulos, nem regras. Diversos acontecimentos que envolvem esta discoteca são narrados pela ótica de Shane O’Shea (Ryan Phillippe), um jovem frentista de Nova Jersey que, em 1979, quando tinha 19 anos, não estava satisfeito com a mesmice da sua vida. Ele foi até Nova York, conseguiu entrar na discoteca e em pouco tempo trabalhava como barman. Shane teve a oportunidade de ver a ascensão e a decadência dessa famosa casa noturna.
Eddie Adams (Mark Wahlberg) estaria destinado a se tornar apenas mais um estudante fracassado recém-saído do colegial se não caísse nas graças do diretor de filmes adultos Jack Horner (Burt Reynolds). Ele descobre que Adams tem um enorme talento que promete tomar a indústria de filmes pornográficos da década de 70 de assalto. Num passe de mágica, o garoto assume uma outra personalidade: ele agora é Dirk Diggler, que alcança a fama rapidamente. Com o estrelato, vêm também as mulheres, as bebidas e as drogas. Afundado na cocaína, Dirk (ou Eddie) descobrirá que o os holofotes custam mais do que ele jamais imaginou.
O filme descreve os últimos dias de uma discoteca, onde  drogas, sexo e estranheza imperavam. A história gira em torno de um grupo de amigos que frequentam a discoteca. Todos os personagens estão à procura de algo para tornar sua vida mais gratificante. Alguns estão em busca de amor eterno, outros, apenas querendo algo diferente. O longa é baseado na própria experiência do diretor Whit Stillman, um frequentador assíduo das discotecas nos áureos tempos, inclusive da Studio 54.
Em 1976, Montreal vive o auge da era disco. O principal ponto de encontro é o clube The Starlight, onde o sexo e a cocaína imperam. O local conta com alguns clientes fiéis. É o caso de Bastien, uma estrela de TV que gosta de drogas, mulheres e bebida; de Adriana, uma cantora que vê no produtor Gilles um caminho para a fama; e do dançarino Tino, que fica confuso sobre sua sexualidade quando conhece o gay assumido Jonathan. Do lado de fora do clube, o Canadá passa por um de seus períodos políticos mais conturbados com o surgimento do movimento separatista de Quebec.
1980. Jake (Blake Jenner) acaba de chegar à universidade e logo consegue uma vaga na equipe local de baseball, passando a morar na casa que serve de alojamento para o time. Lá ele faz vários novos amigos, entre novatos e veteranos, que o ajudam a se enturmar neste ambiente repleto de diversão, experiências e camaradagem.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Vedações – Lar, amargo, lar


“Vedações” é um filme baseado na peça de teatro “Fences”, de 1983, escrita por August Wilson. A peça aborda as questões raciais vividas pela classe trabalhadora afro-americana, assim como as tensões familiares que abalam as relações, que acabam por ser contaminadas por ressentimentos e frustrações geradoras de um ciclo destrutivo que se estende por gerações.
A narrativa foca-se na personagem de Troy Maxson (Denzel Wahsington), um homem de 53 anos que luta para sustentar a sua família: a esposa, Rose (Viola Davis), o filho Cory (Jovan Adepo), o irmão Gabriel (Mykelti Williamson), o filho de um casamento anterior, Lyons (Russell Hornsby) e Raynell (Saniyya Sidney), filha de uma relação extra-conjugal. Troy vive um enorme desgosto por reconhecer em si mesmo talento para o Baseball, mas que o viu injustamente desperdiçado, pelo facto de ser negro, o que o levou a ter de ganhar a sua vida como colector de lixo.
O filme conta-nos como a perda do sonho de Troy, em se tornar um famoso jogador de basebol, vai condicionar, tanto a construção da sua personalidade, onde é evidente a sua entrega ao álcool, como a sua relação com todos os que o rodeiam, desde o seu melhor amigo, Bono (Stephen Henderson) , à esposa Rose e, principalmente, com o filho Cory, que tem o mesmo sonho do pai, mas que o vê desfeito pelo ressentimento que Troy emana em todos os seus gestos. É aqui que encontramos a transferência de um ressentimento que Cory irá absorver e que mudará para sempre a sua relação com Troy. Como poderá o amor que Cory guarda dentro de si, a paixão pelo basebol, a sua generosidade, os gestos de carinho para com a mãe, como poderá isso tudo ser engolido, durante anos, por um sentimento de raiva, criado por um gesto de um pai? Será que Cory conseguirá, um dia, perdoar?
Mas, estas tensões masculinas entre pai e filho são apenas manifestações que tornam visível uma heroicidade que quebra qualquer lógica narrativa tradicional, pois, nesta história, o protagonista da história é levado ao colo, e com ele, todas as outras personagens que lhe estão relacionadas: é Rose o pilar que tudo suporta, desde de dentro de uma vedação que a aprisiona, sacrificando o seu ego numa entrega completa ao seu marido e filhos. E, Viola Davis impressiona na forma soberba como interpreta a personagem, transmitindo-lhe a força e intensidade que ela necessita: com tal desempenho, talvez Denzel Washington tenha sido arrebatado, no plateau, tanto quanto eu fui, sentado numa cadeira…
Denzel Washington é bem sucedido ao usar os meios do cinema para captar a essência da peça, não tornando o filme num mero teatro filmado, como diria André Bazin; consegue levar ao espectador o melhor de dois mundos: a extrema riqueza simbólica do teatro, nos seu signos puros, cheios, que parecem condensar em si a essência das personagens – como a garrafa de gin de Troy, que vai passando de mão em mão; a guitarra de Lyons, que logo revela a personagem; o trompete de Gabriel; o dinheiro que Troy deixa em cima da mesa para Rose, etc. O realizador fica com a tarefa dificultada ao ver o cenário reduzido a um espaço, mas é aí que reside o seu valor, na forma como aproveita tudo o que envolve as personagens. Denzel Washington compensa a fixidez do espaço e a torrencial de diálogos com vários movimentos de câmera circulares cortados, o que imprime um forte dinamismo na imagem, e com isso, consegue captar a atenção do espectador – embora sejam os diálogos que mais consigam essa atenção.
“Vedações” faz-nos olhar com uma atenção redobrada para o papel fulcral da educação parental, para que o amor se sobreponha sempre à responsabilidade; porque, afinal, criar um filho é uma tarefa hercúlea, e só no amor existe o cuidado para que não se lhe transfiram os medos e antes se lhe dê o impulso fundamental para que, um dia, possa saltar todas as vedações, numa busca, incessante, por si mesmo.
Realização: Denzel Washington
Argumento: August Wilson (argumento), August Wilson (baseado na sua peça “Vedações”)
Elenco: Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson
EUA/2016 – Drama

Sinopse
: A história de Troy Maxson, um trabalhador dos saneamentos de Pittsburgh que sonhou ter uma carreira no baseball, mas que já era demasiado velho quando as ligas principais começaram a aceitar jogadores negros. Ele tenta ser um bom marido e pai, mas o seu sonho perdido de glória consome-o e força-o a tomar uma decisão que ameaça destruir a sua família.




TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva

Fugindo da fama pra viver melhor.
Tatá Werneck, depois de rápida passagem pelo canal GNT, foi para a MTV Brasil, um lugar em que usava e abusava da improvisação. Começou a conhecer o sucesso de verdade em 2013, ano que foi chamada para fazer a novela Amor à Vida, na Rede Globo. Depois disso não parou mais. Faz uma novela atrás da outra (Amor à Vida, I Love Paraisópolis e Haja Coração), faz programa de auditório (Tudo Pela Audiência), faz série (Vai Que Cola), faz cinema (De Pernas pro Ar 2Loucas Pra Casar) e ainda encontra tempo pra fazer dublagens de desenho animado, clipes musicais e programetes na internet. Eu cansei de falar, mas ela não. Sua nova graça, TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva funciona como uma grande brincadeira no mundo da fama. É Tatá falando de si, ou de alguém parecido com ela, ou daquela fama que se torna um pé no saco. Mas quem conhece não quer largar. Não é mesmo, Tatá?
Com os roteiristas e diretores de TOC, Paulinho Caruso e Teo Poppovick, tem-se a impressão que eles estudaram sobre a vida de Tatá Werneck, uma das roteiristas do filme e, com devidos ajustes, nasceu o filme. Brincadeiras à parte, sua personagem é uma atriz de grande sucesso, Kika K. Tem um namorado lindo, fútil e aproveitador, com a cara de Bruno Gagliasso (Mato Sem Cachorro), mas com nome de outro astro, Caio Astro (melhor trocadilho não há). Ela é vigiada por sua empresária, Carol, a mulher que gerencia seus compromissos públicos e particulares. É sempre perseguida por um fã maluco, Felipão, que sempre ganha tabefes de Carol, sua fiel escudeira. Sofre com a concorrência de outra atriz, Ingrid Guimarães (Um Namorado Para Minha Mulher) que faz uma atriz chamada Ingrid Guimarães. São atrizes que brigam pelo mesmo papel, com boas cenas de cinismo (seria real? Claro que não). E, além de tudo isso, sofre com alguns transtornos compulsivos, como não conseguir pisar em linhas no chão ou pensar que deixou o fogão ligado. Kika está lançando “1003 Maneiras de Ser Feliz” um livro escrito por alguém que ela não conhece, mas que pretende conhecer com a ajuda de um atendente de uma loja de livros, assim, quem sabe, possa descobrir o segredo da felicidade que tanto busca.
TOC brinca o tempo todo com realidade e ficção. A ficção, dentro da ficção nos sonhos de Kika é de grande apuro visual, com a briga de duas super- heroínas gladiadoras num mundo em pedaços, com ótimos efeitos especiais. O sonho poderia ter sido mais extenso. A escatologia se faz presente em brincadeiras com saco escrotal, vômito (e depois beijo) e o exagero do personagem de Gagliasso que só pensa em sexo, mas são coisas rápidas e pouco incomoda. Vera Holtz mescla entre o drama e o riso involuntário (ou voluntário, como preferir) é uma das ótimas surpresas de TOC. Daniel Furlan tem um dos melhores papéis do filme. Ele chega devagarinho com ótimas tiradas, engraçado e verdadeiro, fazendo ótima química com Tatá Werneck, que perde o amigo, mas não perde a piada. E aqui a maioria das piadas é com ela mesmo. Brinca com sua “falta de beleza” e “não ser boa atriz”. Acredito que ela pode se esforçar mais e sobressair no quesito interpretação, mas é uma ótima presença. Uma brincadeira que funciona é a aparição de Mário Gomes, sumido das produções cinematográficas, ele que já foi galã global e de filmes da década de 70 a 90.
TOC não chega a aprofundar no tema da compulsão obsessiva, aqui é apenas um “pano de fundo” para incrementar o arco da personagem principal, mas tem pelo menos uma ótima cena em que Kika, com “medo do chão” dança nos pés de Vladmir, o atendente da loja. E o filme não tem vergonha em ser politicamente incorreto, que o diga os xingamentos que são bem explorados – não sendo bem vistos pela tradicional família brasileira, então f…-se (brincadeira). TOC poderia ser resumido com uma das músicas de sua trilha sonora, Ouro de Tolo, em que Raul Seixas conta “que deveria estar contente porque tem emprego, teve sucesso como artista, mas que sabe que é um grandessíssimo idiota, humano, ridículo e limitado”, e é isso o que a protagonista sente. No final a vida é igual pra todo mundo. TOC faz rir e faz pensar.
Nota do CD:
★★★½☆
Sinopse:Atriz, comediante, estrela de novelas e de campanhas publicitárias, Kika K. (Tatá Werneck) é uma celebridade idolatrada por milhões de fãs. Por trás das aparências, no entanto, as coisas não andam nada fáceis. Em crise com sua vida pessoal e profissional, Kika precisa lidar com um fã obsessivo (Luis Lobianco), o namorado galã sem noção (Bruno Gagliasso), e os compromissos profissionais marcados pela exigente empresária (Vera Holtz). Tudo isso enquanto tenta controlar seu mais íntimo segredo: ela sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo. Durante a turnê de lançamento de um livro de autoajuda que ela nem mesmo escreveu, Kika recebe a misteriosa visita do verdadeiro autor da obra, que lhe entrega uma mensagem cifrada antes de sumir sem deixar vestígios. Com a ajuda de Vladimir (Daniel Furlan), Kika tentará resolver o enigma que pode colocar um fim à sua crise.
Trailer do Filme:


Ficha Técnica:
Gênero: Comédia
Direção: Paulinho Caruso, Teodoro Poppovic
Roteiro: Paulinho Caruso, Pedro Aguilera, Teodoro Poppovic
Elenco: Bruno Gagliasso, Daniel Furlan, Fabio Marcoff, Laura Neiva, Luciana Paes, Luis Lobianco, Patricya Travassos, Tatá Werneck, Tony Lee, Vando Gildo, Vera Holtz
Produção: Bianca Villar, Fernando Fraiha, Karen Castanho
Fotografia: Pierre de Kerchove
Montador: Marcelo Junqueira
Duração: 105 min.
Ano: 2016
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 02/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Biônica Filmes
Classificação: 14 anos