Nos momentos ruins, a vida é uma sucessão de momentos ruins e bons, nem sempre se alternando com a mesma harmonia, aquele que não crê em nada sofre ainda mais, pois sabendo os truques do mágico, vê-se privado até mesmo do brilho no olhar e da excitação que a mágica opera naquele que desconhece o truque. E não seria importante esse brilho no olhar? Seja acreditar em Deus, em Buda ou em uma codorna falante, não seria uma experiência válida? Olhar para o céu e torcer para presenciar a aparição de uma nave triangular, ou ver na cura psicossomática de alguém um milagre divino. Essa escolha deve ser mandatória para todo ser humano. A fantasia foi um dos estímulos que fez com que o homem evoluísse através dos séculos. Hoje sabemos que existem vários planetas, nas diversas galáxias, que orbitam em zonas habitáveis. Quantas possibilidades. Como seres dedicados, buscamos entender da matéria de que somos feitos, e ainda nisso somos alunos no ensino primário, mas somos ignorantes perante as diversas possibilidades, que, em sua imensidão, zombam diariamente de nossa ingenuidade.
Qual a razão que validaria a abolição de todos os rituais? Quem é a formiga para regular o alcance do voo da águia, ou o colibri para entender as necessidades de um tatu? Vivamos em paz, respeitando todos, mesmo que questionando, e procuremos entender até mesmo o que nos prende aos rituais, ainda que continuemos vivenciando-os ano após ano. Não importa se em 25 de Dezembro você celebra o simbólico dia do nascimento de Jesus, comemora o Diwali hindu, celebrando a destruição de Narakasura por Sri Krishna, realiza o Chanucá judeu, honrando a histórica vitória dos Macabeus e o milagre do óleo, agradece ao Oxalá na umbanda ou simplesmente passa o dia como outro qualquer, entenda que a única verdade na vida é o amor. Então compartilhe o amor nesse dia e sempre.
Boas Festas a todos! |
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Uma mensagem diferente de Natal
sábado, 24 de dezembro de 2016
Rebobinando o VHS - "Fantasma - Noite Macabra"
Ainda inédita em DVD por aqui, essa pérola pouco conhecida do terror/sci-fi, cultuada pelos fãs norte-americanos do gênero, costumava passar nas nossas madrugadas televisivas com uma excelente dublagem da Herbert Richers, encabeçada pelo querido amigo Ricardo Schnetzer, que dublou o irmão mais velho do menino que precisa enfrentar seus medos após o falecimento dos pais.
Fantasma – Noite Macabra (Phantasm – 1979)
Angus Scrimm, intérprete do enigmático Tall Man (Homem Alto), faleceu no início do ano, após filmar sua participação no quinto e derradeiro capítulo da franquia, poucos veículos comentaram. Mas, apesar do segundo e do terceiro serem divertidos e mais agitados, os roteiros desrespeitam tudo o que foi estabelecido no original, na intenção de transformar a alegoria engenhosa em um slasher simplório nos moldes de “Sexta-Feira 13” e seus similares.
É perceptível o amor do jovem roteirista/diretor/editor Don Coscarelli pelo projeto independente, feito com baixíssimo orçamento, com elenco em grande parte amador e filmado nos finais de semana de um longo ano, mas com intensa criatividade. Uma sutil referência evidencia o cuidado da direção de arte, um livro que aparece em um par de cenas, no quarto do menino, “My Name is Legion”, antologia de contos si-fi escrita por Roger Zelazny, mostra que a imaginação dele já estava sendo ativada como maneira escapista de suportar os baques emocionais recentes, a perda dos pais e, como o brilhante desfecho revela, a trágica morte do irmão mais velho em um acidente de carro. Outro detalhe que pode passar despercebido é o pequeno frasco de remédio prescrito que só aparece no quarto do menino na cena final. O roteiro insinua em vários momentos uma ligação psicológica entre os dois irmãos, um companheirismo bonito que vence até a descrença do mais velho com relação às influências sobrenaturais nos perigos que o mais novo sinaliza. E quando é revelado que tudo se passou na mente do garoto, com o falecido irmão representando o herói que ele perdeu, o espectador é levado a preencher lacunas da trama.
A pequena esfera prateada voadora que retira o sangue de suas vítimas, instrumento utilizado pelo coveiro Tall Man, símbolo óbvio que evidencia a impressionante fragilidade de nosso organismo. O grande problema a ser enfrentado pelo menino é o medo da perda. Na cena da experiência com o efeito placebo na pequena caixa preta, momento que sintetiza a mensagem do filme, ele reconhece que precisa trabalhar essa fraqueza psicológica, a compreensão da finitude humana é um dos degraus necessários na escalada da maturidade. “Fantasma” ganhou o prêmio especial do Festival Avoriaz, da França, e foi indicado na categoria “Melhor Filme de Horror”, da Academia de Filmes de Ficção Científica, Fantasia e Horror, dos Estados Unidos.
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Chega aos cinemas a sequência de “Minha Mãe é Uma Peça”
Depois de levar mais de 4,6 milhões de espectadores ao cinema em 2013, está de volta ao cinema o filme Minha Mãe É Uma Peça com o segundo filme da saga. Protagonizado por Paulo Gustavo, a comédia traz Dona Hermínia, a personagem principal, repaginada, rica, chique e dona de seu próprio programa de TV, que fala sobre filhos. Apesar de toda essa transformação, algumas coisas nunca mudam, e essa ex-dona de casa de Niterói ainda tem que lidar com os problemas de sempre da família. César Rodrigues, diretor de Vai que Cola, assina a direção da sequência.
Na nova trama, Marcelina e Juliano deixam a adolescência para trás e seguem em busca de uma vida própria. Os dois alcançam a almejada independência e se mudam para São Paulo, o que deixa Hermínia sofrendo a síndrome do “ninho vazio”. Para completar, sua irmã mais velha, Lucia Helena, que mora há anos em Nova Iorque, resolve fazer uma visita e se hospeda de mala e cuia em sua casa. Junte tudo isso a uma segunda irmã , à empregada, ao ex-marido Carlos Alberto, ao netinho que vem visitar, a uma amada tia com saúde debilitada, e essa mãe de Niterói ficará ainda mais alterada.
Com produção da Midgal Filmes, coprodução Globo Filmes, DiamondBack, Paramount Pictures e Universal Pictures, coprodução e distribuição da Downton Filmes e Paris Filmes, e investimento do BB DTVM, o filme tem roteiro de Fil Braz e Paulo Gustavo.
Direção
O humor não é um elento novo na vida do diretor César Rodrigues. Com passagens pelo teatro, estreou no cinema como assistente de direção em 1998, no longa-metragem Menino Maluquinho 2 – A Aventura. Depois de passar por produções como A Partilha (2001) e A Dona da História (2004), fez sua estreia como diretor cinematográfico em 2010 com High School Musical: O Desafio, versão brasileira do sucesso adolescente da Disney. Mas foi através da situação como diretor da série Vai Que Cola, humorístico do Multishow, que ele conheceu Paulo Gustavo. A parceria com o ator, além de render várias temporadas na televisão, deu origem a Vai que Cola – o Filme, de 2015, e agora ao projeto Minha Mãe é Uma Peça 2.
Quando você soube que dirigia “Minha Mãe É Uma Peça 2”? Depois do sucesso do primeiro filme, a alta expectativa por esse novo projeto te preocupou?
O Paulo me convidou quando a gente estava começando a segunda temporada do Vai que Cola, mas ainda não tinha uma previsão. O tempo passou e ele confirmou que o filme realmente ia sair e que queria que eu fizesse. Fiquei muito lisonjeado e, ao mesmo tempo, um tanto preocupado porque temos um primeiro filme tão bem realizado, tudo deu tão certo, que seria um desafio fazer um segundo filme com tanta expectativa. Mas gosto de desafios e é um desafio com um cara acima da média como o Paulo, com uma personagem super estruturada e um roteiro muito bacana. Tudo isso me deu uma convicção de que seria muito legal dividir mais um projeto com ele. Estamos muito felizes com o resultado.
O desafio e a responsabilidade com a sequência impulsionaram o trabalho na equipe?
Responsabilidade é sempre muito bom. A gente se move pela responsabilidade, pelo desafio. E esse é um projeto que, de fato, a todo tempo a gente é provocado com um desafio, porque o Paulo faz isso. Faz parte do caráter e da personalidade dele o desafio. E isso me instiga. Acho que isso instiga toda a equipe e as pessoas que estão ali com a gente têm a mesma vontade, o mesmo fogo. E espero que o filme esteja imprimindo isso. Estamos muito confiantes.
E sobre o visual do filme, o que o público pode esperar?
O primeiro filme conseguiu criar uma bolha para a Dona Hermínia, o que acho um grande acerto. E isso me fez fazer algumas escolhas para o segundo, mantendo a Dona Hermínia dentro dessa bolha, do seu mundo, o que foi muito importante para encontrarmos o conceito estético que queríamos para a sequência. O que fizemos foi ampliar essa bolha e deixar isso mais evidente. O apartamento cresceu, os ambientes pelos quais ela transita ganharam mais profundidade. Foi uma escolha estética, até para fazer um filme mais solar. Em todas as locações e cenários que filmamos, nos preocupamos em criar perspectiva, o oposto do que acontecia no outro filme, em que tudo era menor e mais concentrado. Mas isso também aconteceu em função das mudanças da vida dela: hoje ela é a apresentadora mais famosa da TV fechada e tem uma preocupação com sua imagem.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Sétima Arte em Cenas - "Aguirre, a Cólera dos Deuses", de Werner Herzog
Aguirre, a Cólera dos Deuses (Aguirre, Der Zorn Gottes – 1972)
Quando o diretor Werner Herzog, utilizando o senso de urgência documental da câmera 35mm na mão, registra intrusivamente o confronto do personagem ganancioso de Klaus Kinski com a imponente e imponderável força da natureza, a megalomania ensandecida de Aguirre acaba se mostrando mais ameaçadora que as flechas envenenadas dos índios. A opção pelo realismo estético nessa alegoria poderosa, inspirada em um capítulo real da história da colonização da América Latina, enfatiza a distorcida autoimagem do homem, reforçada pela movimentação assimétrica que remete a um animal acuado, um nobre que enxerga na procriação com a própria filha adolescente o caminho para uma linhagem pura.
O contexto é essencialmente doente, o líder conquistador Francisco Pizarro, um analfabeto criador de porcos, dá o tom da deturpada missão conduzida por essa coletividade isolada da civilização, tendo como representação divina e narrador oficial para o espectador o Frei Gaspar de Carvajal, que afirma sem titubear: não importa com quem esteja a razão, a igreja sempre estará no lado do mais forte. A lei da sobrevivência, o domínio do mais agressivo pelo medo, a imposição cultural em terras estranhas, segurando o chicote sempre ao nível dos olhos dos escravos ajoelhados, a fundação da doutrina que ainda hoje se posiciona sobre os mais diversos assuntos, do alto de seus palácios dourados. O nível de falsidade que é necessário para manter o ritual relevante, mantos coloridos, frases repetidas e joias, assim como as roupas elegantes dos conquistadores que dificultam a travessia na floresta mostrada na longa sequência inicial, apenas evidenciam as rachaduras nos alicerces. É impossível não refletir sobre a progressiva desumanização dos integrantes da comitiva ao constatarem que a riqueza sonhada, a mítica El Dorado, não passa de ilusão alimentada pelos delírios de grandeza do líder. Os terrenos que o imperador de barro aponta ao longe como suas propriedades, simbologia da arrogância usual em todos aqueles que são alçados ao poder sem mérito, fadados ao sono intranquilo dos inseguros. A fragilidade dos corpos, sede e fome, uma realidade pungente que rejeita naturalmente qualquer teatralidade. Ao quebrar a quarta parede em cenas tonalmente antagônicas, quase cômicas, mostrando a cabeça decapitada que se mantém falando, ou a vítima de uma flecha longa informando que aquele projétil maior estava na moda, referência ao texto da islandesa Saga de Grettir, Herzog sinaliza para a banalização da violência, elemento indissociável na formação da sociedade.
A sequência que justifica a inclusão do filme nesse especial é a que encerra a trama, com ecos de “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad. A câmera mostra os corpos já penetrados pelas flechas, inclusive o de sua idolatrada filha, a morte onipresente como punição silenciosa, a embarcação destruída e tomada por macaquinhos que parecem debochar do vazio conceito de nobreza sustentado por seus falecidos pares. No centro de tudo, Aguirre, o olhar perdido no horizonte misterioso, ainda sonha em administrar seu império. A onírica imagem do barco sobre a árvore é a testemunha distante de uma alma amaldiçoada à loucura solitária daquele que ousou enfrentar a natureza.
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Westworld

Westworld teve o seu lançamento rodeado de expectativas, pois, além do alto investimento e promessa de grandiosidade, a série tinha a dura missão de assumir o protagonismo na HBO, uma vez que tenha sido a escolhida pelo canal para substituir sua principal atração, Game of Thrones, que já possui data certa para se encerrar. Os nomes de J.J. Abrams (Além da Escuridão: Star Trek, Lost), Jonathan Nolan (Amnésia, Batman: O Cavaleiro das Trevas) e Lisa Joy (Burn Notice, Pushing Daisies) em meio aos responsáveis pelo processo de criação e produção, também, aumentaram, não somente a responsabilidade, como também o nível de exigência dos espectadores, que conhecem um pouco mais a fundo o trabalho do trio.
A trama, inspirada no filme Westworld – Onde Ninguém Tem Alma de 1973 , é situada em um parque temático, que simula o Velho Oeste e que foi desenvolvimento por duas pessoas visionárias em um futuro distante. Os habitantes do parque são robôs construídos com todas as características físicas de um ser humano e são chamados de anfitriões. Os recém-chegados são os visitantes, que pagam para adentrarem nesse mundo e atuarem como quiserem sem serem penalizados, podendo matar, roubar, estuprar e sem correrem riscos de serem afetados por qualquer tipo de revide dos androides. O problema, apresentado logo no episódio de estreia, é que uma atualização realizada no sistema funcional dos anfitriões, lhes proporcionaram devaneios, capazes de lhes fazerem recordar alguns acontecimentos do passado, mesmo estes tendo sido reiniciados diariamente.
O roteiro percorre o seu caminho através de uma narrativa fragmentada, formada por diversos núcleos diferentes e por diversas outras subtramas, que prometem em algum momento se encontrarem para um encerramento triunfal da trama apresentada. Não se trata de uma história difícil de ser compreendida, mas Westworld é uma série que exige a atenção de seu espectador, pois cada detalhe ou fala será fundamental para o completo entendimento de seu desfecho. Esse por sinal é um dos pontos chaves para seu sucesso e para que as redes sociais tenham sido infestadas de teorias sobre o que estava sendo apresentando e, também, garantido que todo domingo uma considerável audiência estivesse em frente a televisão. Após dez episódios todas as perguntas foram bem respondidas e a coesão do texto merece aplausos, pois ainda encontrou maneiras de deixar ganchos importantes para que todos retornem a este universo.
O elenco está impecável e não por menos está sendo lembrado em, praticamente, todas as premiações da temporada. O destaque fica por conta das atrizes Evan Rachel Wood (Tudo pelo Poder) e Thandie Newton (À Procura da Felicidade), que roubam todas as cenas, misturando olhares robóticos e ao mesmo tempo recheados de sentimentos e anseios. É incrível somo suas fisionomias mudam conforme as interações com seus criadores e humanos vão ocorrendo. Anthony Hopkins (Hitchcock) é extremamente competente como o responsável pela criação deste universo, mas é impossível não comparar o seu trabalho com tantos outros que já fez e principalmente com seu personagem mais famoso: Hannibal Lecter. Jeffrey Wright (007 – Cassino Royale), esnobado pelo Globo de Ouro, é outro que merece reconhecimento por atrair os olhos do público desde o primeiro instante e por ser um dos personagens mais interessantes de toda a obra. Ainda há espaço para outros nomes de sucesso cumprirem o seu papel, mas com maiores destaques para Ed Harris (Sem Dor, Sem Ganho) e, o brasileiro, Rodrigo Santoro (Ben‑Hur), que chamam para si a responsabilidade de momentos chave da trama. O trabalho técnico dispensa comentários, com destaque para a fotografia, linda, vislumbrante e contemplativa. Westworld é um primor de produção.
Nas interações entre humanos e robôs surgem diversos questionamentos quanto aos verdadeiros instintos humanos e isso, mesmo que em segundo plano, deve servir para um pouco de auto reflexão. Não se pode ainda afirmar que Westworld, que foi a produção mais vista do ano pelos assinantes da HBO, irá conseguir manter a qualidade e atrair a atenção de cada vez mais pessoas, como fez Game of Thrones, mas conclui-se, que após o desfecho do seu primeiro ano a expectativas foram atendidas e redobradas para 2018, quando seu segundo ano será lançado.
Nota do CD:





Sinopse: Westworld é um parque temático futurístico para adultos, dedicado à diversão dos ricos. Um espaço que reproduz o Velho Oeste, povoado por andróides – os anfitriões –, programados pelo diretor executivo do parque, o Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins), para acreditarem que são humanos e vivem no mundo real. Lá, os clientes – ou novatos – podem fazer o que quiserem, sem obedecer a regras ou leis. No entanto, quando uma atualização no sistema das máquinas dá errado, os seus comportamentos começam a sugerir uma nova ameaça, à medida que a consciência artificial dá origem à “evolução do pecado”. Entre os residentes do parque, está Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood), programada para ser a típica garota da fazenda, que está prestes a descobrir que toda a sua existência não passa de bem arquitetada mentira.
Trailer da Série:
“O Brasil Rico” discute sobre o que é riqueza de um país e quais caminhos o país deveria seguir
O que faz um país ser realmente rico? Qual a melhor maneira de balancear isso? PIB ou IDH? Está em cartaz em São Paulo o documentário O Brasil Rico, da diretora Louise Sottomaior. A obra traz entrevistas com ex-presidentes da República, ex-ministros de Estado, empresários e pensadores, numa discussão sobre o que é riqueza de um país e quais caminhos o Brasil deveria seguir para superar seus principais entraves e se tornar um país próspero e bom para todos os brasileiros.
Ao longo do documentário, 36 personalidades como o economista Francis Fukuyama, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o professor Eduardo Giannetti, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, os banqueiros Roberto Setúbal e Pérsio Arida, o jornalista Laurentino Gomes e o historiador Boris Fausto, entre muitos outros, abordam temas como a prosperidade ao longo do tempo; como os países considerados ricos chegaram onde estão; a validade dos índices que medem riqueza; como a prosperidade deveria ser medida; quais objetivos o Brasil deveria perseguir e qual o caminho para atingi-los.
A diretora Louise Sottomaior respondeu perguntas do Tela Brasil por email. Leia abaixo:
Como surgiu a ideia de criar o documentário e como foi o processo de produção?
Especialmente depois de 2013, ficou evidente o aumento do interesse dos brasileiros em tomar em suas mãos as rédeas do seu futuro. As pessoas estavam insatisfeitas, mesmo muito antes de esta crise econômica começar. As manifestações de junho de 2013 evidenciavam apenas que, embora o Brasil ainda fosse o país que estava dando certo, não estava bom. E ninguém sabia exatamente por quê. A partir de então, foi sempre crescente o interesse dos brasileiros por políticas públicas, por economia, por orçamento, por corrupção, por política. Há interesse e descontentamento, sem muita informação, sem muita reflexão, sem muito debate. Acho que, porque o brasileiro nunca foi habituado à democracia. Nós somos novos nesse jogo e ainda não sabemos fazer um debate maduro. Somos um povo um pouco adolescente neste aspecto. Há um claro Fla-Flu, uma dicotomia simplista, um diálogo que se resume em “o meu lado está todo certo e o outro lado está completamente errado”. Na minha opinião, os dois lados estão certos nas insatisfações e estão errados na radicalização e na recusa em ouvir quem pensa (aparentemente) de maneira distinta da sua. Isso tudo despertou uma vontade imensa em estimular o debate sobre os valores dos brasileiros, em descobrir o que o brasileiro realmente quer (o brasileiro quer que o governo provenha tudo, o que é impossível… e ele não soube ainda definir suas prioridades). O intuito do filme é estimular esse debate e chegar ao que é fundamental. Na opinião resumida dos entrevistados: é necessário crescer, assim como é necessário diminuir a desigualdade; é preciso combater a corrupção e investir muitíssimo para aumentar a qualidade da educação; e é necessário que o brasileiro reflita sobre o que quer e participe do processo democrático.
Quais foram os maiores desafios?
Os desafios foram muitos. O maior deles, pra mim, foi escolher, em meio a 80 horas de entrevistas, os trechos que eram mais relevantes e que mais se conversavam, para conseguir montar uma narrativa que explicitasse o que é considerado fundamental para os entrevistados. E há, claro, os desafios comuns da produção audiovisual brasileira, como captar recursos para a produção. Mas esse é um meio em que as pessoas se ajudam e gostaria de agradecer especialmente à Spcine e ao André Sturm, que estão fazendo um trabalho incrível na ampliação do acesso da população às salas de cinema, além, evidentemente, dos patrocinadores, Santander e CSN. Mais um: convencer as pessoas que não assistiram ao documentário que tentei por anos entrevistar aqueles que lideraram a economia durante os governos petistas. E que não haver no filme o ponto de vista deles é decorrente de uma escolha deles…
O que mais te surpreendeu no processo de produção e gravação?
Me surpreendeu enxergar que muitos dos grandes pensadores, de concepções socio-políticas diversas, têm a mesmíssima opinião sobre as prioridades para o Brasil. Em primeiríssimo lugar, a importância em se investir para melhorar a qualidade da educação, mas também em aumentar a transparência, reduzir a corrupção, gerenciar melhor o orçamento público… tudo isso como caminho para aumentar a felicidade dos brasileiros. Ou seja, quem reflete e ouve acaba tendo opiniões semelhantes, no final das contas.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
[Resenha/Crítica]: The Lobster
Primeira produção internacional do realizador, totalmente falada em inglês, vencedora do Prêmio Especial do Júri – Produção Independente – no Festival de Cannes de 2015, esta comédia romântica, repleta de humor negro, conta a história de David (Colin Farrell – True Detective), um arquiteto que ficou recentemente viúvo. Expirado o tempo limite que tinha para permanecer sozinho, ele viaja para o hotel aonde todos os solitários são enviados em busca de sua alma gêmea. Chegando lá, ao fazer o check-in, é obrigado a responder a pergunta inevitável: em que animal gostaria de ser transformado, caso falhe na missão de encontrar uma nova parceira? A resposta é imediata: uma lagosta. Os motivos são vários. Por viver mais de 100 anos, ter sangue azul e permanecer fértil até o fim da vida. Se em 45 dias ele não encontrar um amor de verdade, este será seu destino. A única chance de prorrogar este prazo sem encontrar alguém, é participando de uma misteriosa caçada em uma floresta nos arredores do estabelecimento turístico. Neste ambiente convidativo e hostil, simultaneamente, David conhecerá figuras esquisitas e sua vida tomará um rumo inesperado.

De um jeito completamente diferente de tudo o que já foi filmado, este longa fala de amor, de como é difícil viver com alguém, mesmo quando temos certeza que gostamos desta pessoa, e do medo que a maioria tem, ainda que não admita, de morrer sozinho. A verdade é que o cineasta só conseguiu criar esta história por causa da época em que vivemos. Quando os casamentos eram acertados em arranjos familiares, celebrados em função de interesses sociais ou políticos, amor era uma palavra sem sentido. As pessoas simplesmente casavam e ficavam juntas até o fim da vida.
O maior trunfo de The Lobster é o seu fabuloso roteiro. Este é um filme que depende, essencialmente, de sua história. Toda a parte técnica, aqui, é complementar. Logo, para que este futuro distópico fizesse sentido e despertasse no público a vontade de acompanhar sua trama até o fim, não poderia haver furos. Pode ser que algumas pessoas levem um tempo para entenderem tudo, mas as peças estão lá. Cada detalhe foi muito bem pensado. E como seria difícil acreditar em distopia sem rebeldia, na total submissão dos homens às leis, este aspecto também foi contemplado no texto final. Em termos de originalidade, esta obra de Lanthimos pode ser comparada, sem nenhum demérito ou receio de parecer pretensioso, a “Fahrenheit 451” (1966), de François Truffaut, e “Quero Ser John Malkovich” (1999), de Spike Jonze.
E se a história não for suficiente para convencer os adeptos de filmes, digamos, mais convencionais, é só pensar o seguinte: seu protagonista, Colin Farrell, está em franco renascimento profissional. Quem viu a segunda temporada de “True Detective” sabe disto. Aqui, ele dá mais um show de interpretação. E ele não está sozinho. O elenco internacional reunido pelo diretor conta com Rachel Weisz (A Luz Entre Oceanos), Léa Seydoux (Azul é a Cor Mais Quente), John C. Reilly (O Deus da Carnificina) e Angeliki Papoulia (colaboradora frequente do grego), todos muito bem em seus papéis. E há, também, uma fotografia esplêndida que fará o espectador mais reticente querer viajar, o quanto antes, para aquele hotel e responder àquela pergunta incômoda de qualquer maneira: Eu quero ser um camundongo, por favor.
Nota do CD:





Sinopse:
Em um futuro próximo, uma lei proíbe que as pessoas fiquem solteiras. Qualquer homem ou mulher que não estiver em um relacionamento é preso e enviado a um hotel, onde terá 45 dias para encontrar um(a) parceiro(a). Caso não encontrem ninguém, eles são transformados em um animal de sua preferência e soltos no meio da floresta. Neste contexto, um homem se apaixona em plena floresta – algo proibido, de acordo com o sistema.
Em um futuro próximo, uma lei proíbe que as pessoas fiquem solteiras. Qualquer homem ou mulher que não estiver em um relacionamento é preso e enviado a um hotel, onde terá 45 dias para encontrar um(a) parceiro(a). Caso não encontrem ninguém, eles são transformados em um animal de sua preferência e soltos no meio da floresta. Neste contexto, um homem se apaixona em plena floresta – algo proibido, de acordo com o sistema.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Gênero: Romance
Direção: Yorgos Lanthimos
Roteiro: Efthymis Filippou, Yorgos Lanthimos
Elenco: Angeliki Papoulia, Anthony Moriarty, Ariane Labed, Ashley Jensen, Ben Whishaw, Colin Farrell, Degnan Geraghty, EmmaEdel O’Shea, Ewen MacIntosh, Heidi Ellen Love, Jacqueline Abrahams, Jessica Barden, John C. Reilly, Léa Seydoux, Michael Smiley, Nancy Onu, Olivia Colman, Rachel Weisz, Roger Ashton-Griffiths, Rosanna Hoult, Seána Kerslake, Stephen Ryan
Produção: Ceci Dempsey, Ed Guiney, Lee Magiday, Yorgos Lanthimos
Fotografia: Thimios Bakatakis
Gênero: Romance
Direção: Yorgos Lanthimos
Roteiro: Efthymis Filippou, Yorgos Lanthimos
Elenco: Angeliki Papoulia, Anthony Moriarty, Ariane Labed, Ashley Jensen, Ben Whishaw, Colin Farrell, Degnan Geraghty, EmmaEdel O’Shea, Ewen MacIntosh, Heidi Ellen Love, Jacqueline Abrahams, Jessica Barden, John C. Reilly, Léa Seydoux, Michael Smiley, Nancy Onu, Olivia Colman, Rachel Weisz, Roger Ashton-Griffiths, Rosanna Hoult, Seána Kerslake, Stephen Ryan
Produção: Ceci Dempsey, Ed Guiney, Lee Magiday, Yorgos Lanthimos
Fotografia: Thimios Bakatakis
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