“Através da Sombra” ficará marcado como o último filme lançado do ator Domingos Montagner. Protagonista da novela “Velho Chico”, o ator morreu em setembro aos 54 anos após se afogar no rio São Francisco. Mas o longa do diretor Walter Lima Jr. também chama a atenção por ser uma das raras produções brasileiras atuais que apostam no gênero do suspense e do terror.
No enredo, Montagner faz o papel do fazendeiro Afonso que contrata a Laura (Virginia Cavendish) para cuidar de seus sobrinhos órfãos Antônio (Xande Valois) e Elisa (Mel Maia). Isolada na fazenda de café da família, Laura passa sentir uma presença sobrenatural na casa. Na ânsia de resolver o mistério, ela acaba questionando a própria sanidade.
“A personagem de Virginia é uma pessoa reprimida, que não se realizou emocionalmente. E ela cria um universo de coisas, de dificuldades, que de alguma maneira levam ela a um conflito. A história que o filme conta pode estar se passando, em determinado momento, na cabeça da Laura, mas, na verdade, as crianças são testemunhas do que está acontecendo”, explica o diretor durante coletiva de imprensa realizada no ultimo dia 31 em São Paulo.
“No nosso cartaz tem a frase ‘Real é tudo que você vê’. Então pra mim ela via tudo. Mas se tá na cabeça ou na realidade é outra questão. Ai fica pro público decidir”, acrescenta a atriz Virginia Cavendish.
Inspirado na novela “A Volta do Parafuso”, clássico da literatura fantástica publicada em 1898 pelo britânico Henry James, a versão nacional adaptou a trama da Inglaterra vitoriana para o Brasil dos anos 1930, em plena crise do café. A produção se passa em grande parte na Fazenda Paraízo, em Rio das Flores (RJ), fundada no tempo do Império.
“É uma casa de 1830, nunca foi pintada. Os papeis de parede que forram a parede são franceses, alemães. Muito bem conservada, incrível. Aquilo já era pra gente um estímulo. Um mistério por si só”, conta Walter Lima Jr.
Diretor de filmes como “A Ostra e o Vento” (1997) e “Menino de Engenho” (1965), Walter Lima Jr. retorna à ficção sete anos depois de “Desafinados”. “Através da Sombra”, que estreou nacionalmente ontem (10), já conta com os prêmios de roteiro e atriz (Virginia) no Fantaspoa, em Porto Alegre; e melhor fotografia e atriz (novamente para Virginia Cavendish) no FestAruanda, em João Pessoa.
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sábado, 12 de novembro de 2016
“Através da sombra”, de Walter Lima Jr., é rara aposta no terror nacional
"O Plano de Maggie", de Rebecca Miller
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O Plano de Maggie (Maggie's Plan - 2015)
A roteirista/diretora Rebecca Miller tem poucos e bons trabalhos no currículo, “O Mundo de Jack e Rose” é uma pérola pouco conhecida, “O Tempo de Cada Um”, “Angela: Nas Asas da Imaginação” e “A Vida Íntima de Pippa Lee”, são acima da média, e, acima de tudo, mostram uma artista segura e com algo a dizer. Com “O Plano de Maggie” ela arrisca tocar no terreno mainstream, mantendo o espírito indie, cometendo o erro de não satisfazer plenamente os dois tipos de público, despertando o pior dos sentimentos: a apatia. A espontaneidade dos projetos anteriores se perde em um esforço calculado para adequar o estilo indie à pobreza de texto das comédias românticas convencionais, defendidas por personagens vazios, na busca óbvia de nivelar por baixo para expandir as possibilidades comerciais do filme.
Miller não tem o talento de um Woody Allen, que consegue inserir diálogos inteligentes e referências refinadas em um contexto popular. E ela conscientemente tenta travar diálogo com Allen, existem sequências que parecem saídas diretamente de suas produções, mas carecem de alma, o texto não ajuda. O senso de humor é, por conseguinte, previsível e debruçado em repetições tolas, por vezes apelando incoerentemente para piadas grosseiras. Greta Gerwig vive a protagonista (em teoria) segura de si e que acaba se descobrindo escrava de suas próprias contradições ao buscar ser mãe solteira, mas sua atuação está sempre um tom acima, beirando a caricatura, prejudicando a imersão do espectador já nas primeiras cenas. Julianne Moore e Ethan Hawke equilibram o jogo, mas o ritmo canhestro da trama, que já dá um solavanco abrupto nos primeiros vinte minutos e manda para o espaço o elemento da credibilidade, minimiza o efeito de algumas boas situações. A câmera nervosa, provavelmente mais uma tentativa pouco sutil de transparecer personalidade, distrai ainda mais a atenção, recurso desnecessário para uma trama tão singela.
Está longe de ser uma tragédia, mas tem seu potencial desperdiçado irresponsavelmente ao tentar agradar gregos e troianos.
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sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Se Vavá Indica, Vá!
Vivendo no mundo da lua! 3 filmes no espaço! 3 diretores, 3 formas de contar uma história!
Stanley Kubrick/Alfonso Cuarón/Ridley Scott 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO/GRAVIDADE/PERDIDO EM MARTE Filme: 2001 – Uma Odisseia no Espaço Direção: Stanley Kubrick/1968 Onde ver: Dvd/Blu ray
2001 – Uma Odisseia no Espaço – É simplesmente o pai de todos os filmes de ficção científica, uma obra em que cada take poderia ser emoldurado e colocado na parede e, em algumas cenas, nos perguntamos como Kubrick conseguiu fazer aquilo e em meados nos anos 60, onde os efeitos especiais engatinhavam, ele já fazia mágica para os nossos olhos; as cores, os cenários, a música, o silêncio…Tudo é especial e espacial. O verdadeiro casamento de imagem e som. Os extras do blu ray são uma maravilha, ali entendemos muita coisa sobre a mágica do fazer cinema. Kubrick ousou em realizar uma coisa irrealizável para a época e que serve de inspiração para todos os cineastas contemporâneos. O cinema em perfeição.
Filme: Gravidade Direção: Alfonso Cuarón/2013 Onde ver: Dvd/Blu ray
Gravidade – Se existe um filme definitivo sobre espaço esse filme é Gravidade. Revendo em blu ray a preciosidade que Gravidade é, só aumenta o meu amor por essa obra-prima da atualidade. Com o making off percebemos com riqueza de detalhes o que é a obra, discutindo o roteiro, a concepção da fotografia, da música, do espaço, da iluminação realista e até da Jaula da Sandy (local que Sandra Bullock gravava suas cenas especiais-espaciais). Se eu pudesse escolher uma protagonista para o filme eu escolheria uma Julia Roberts (Álbum de Família) da vida, mas Sandra Bullock (que nunca será uma das minhas prediletas) consegue ser tão crível que me esqueci que era ela de tão extasiado que fiquei com a sua presença marcante (o que são aquelas cenas uterinas e final com a câmera subindo no seu corpo? Só genial!). E ainda é uma beleza a discussão sobre morte e vida, silêncio e barulho, nascimento e retorno. Um filme rico por sua natureza simples, singelo pela sua grandeza e intenso pela sua ação.
Obs.: A participação de George Clooney (Caçadores de Obras-Primas) é bem pequena, Sandra Bullock fica quase o tempo todo sozinha, mas o set de filmagem toma novos ares com a presença do piadista Clooney, ele é uma alma iluminada, fazendo graça com todos os presentes, um cara que é uma estrela, mas não se porta como tal. Ele é o cara! Filme: Perdido em Marte Direção: Ridley Scott/2015 Onde ver: Dvd/Blu ray
Perdido em Marte – Uma equipe de astronautas estão em missão em Marte, por um incidente a equipe tem certeza que Mark morreu. Os astronautas voltam para a base, agora Mark precisa lutar por sua sobrevivência.
Fiquei muito feliz com sua volta por cima. Sua volta como nos bons tempos de Blade Runner, Alien, Thelma e Louise, Gladiador, e o melhor, como você está bem humorado, você acertou em tudo, pois em Perdido em Marte poderia ter virado um filme pesado, piegas e até chato e, pelo contrário, se tornou um filme leve, muito divertido e muito inspirado ou ins-pirado ou até inesperado. E o que são aquelas músicas? Adorei. As mais inspiradas e legais por muitos anos. E o que é o carisma do Matt Damon (Interestelar)? Bem que você poderia ter deixado ele sozinho no filme que teria dado tudo certo também (rsrsrsrs). Mas você estava com um elencaço, né? Ok, ok, mas daria pra ter enxugado um pouquinho, de repente pra dar mais destaque para uns (tô sendo chato), mas nada que tirasse o brilho da história. E a fotografia? Uau!!! Coisa mais linda do mundo. E o 3D? Em alguns momentos eu me sentia em Marte, show demais. Mas, o que é mais legal, você fez um filme ótimo e bem palatável para todo tipo de público e sem muito falatório que ninguém entende e, pra mim que não entendo nada do espaço sideral, foi tudo muito lindo. Parabéns! Tom Hanks (Inferno) manda lembranças diretamente do Náufrago. E que venham mais filmes tão inspirados como Perdido em Marte.
Um grande abraço! |
Tesouros da Sétima Arte - "Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos"

Mishima – Uma Vida em Quatro Tempos (Mishima: A Life in Four Chapters – 1985)
A figura do escritor japonês Yukio Mishima é muito pouco conhecida pelo público brasileiro, o que engrandece a importância desse resgate que a “Obras Primas do Cinema” realiza. É difícil não finalizar a sessão sem sentir um desejo enorme de ler seus trabalhos. Eu já havia sido impactado pelo minimalismo estético de “Mar Inquieto” e ficado encantado com o lirismo de "O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar" e a coletânea de contos “Morte em Pleno Verão”, mas ainda preciso ler outras obras dele, especialmente as mais celebradas, como “Confissões de Uma Máscara” e “O Templo do Pavilhão Dourado”.
A opção de Kimitake Hiraoka pela utilização de um pseudônimo já denotava o apreço do jovem pela teatralidade, um caminho ideologicamente complexo que o conduziu para um desfecho ritualístico altamente simbólico em 1970, após conquistar o reconhecimento de crítica e público por seus livros, endereçou aos seus editores um envelope contendo o final do livro que estava escrevendo, juntou-se aos companheiros da Sociedade do Escudo, organização de extrema-direita que ele havia criado dois anos antes e seguiu para o quartel-general das Forças Armadas em Tóquio. Com agressividade, obrigou o general a permitir que ele fizesse um discurso para todos os oficiais, em que bradava o amor pela tradição cultural japonesa e a necessidade da nação não perder sua identidade no processo de ocidentalização. Após o discurso inflamado, Mishima cometeu no local o seppuku, o ritual de suicídio do guerreiro samurai. Uma personalidade fascinante que viveu em conflito com sua sexualidade e o medo da degradação física, buscando se expressar artisticamente de diversas formas, tendo sido cantor, ator e cineasta, também adorava fotografia, uma atitude que representava a libertação de uma infância e adolescência escravizadas pela timidez.
O filme do roteirista/diretor Paul Schrader abraça uma estrutura narrativa coerente com a pena poética que guiou o escritor, emoldurada pela trilha sonora maravilhosa de Philip Glass, intercalando passagens de sua vida com dramatizações propositalmente artificiais de segmentos de seus livros, cada título com sua própria paleta de cores na fotografia, e flashbacks da infância e adolescência em refinado preto e branco. O resultado está longe de ser popular, não é o tipo de produto que você consegue encaixar na grade televisiva com cortes para os intervalos comerciais, esse projeto é trabalho de gente grande, material pra ser visto ajoelhado em reverência. A crítica mundial normalmente celebra, de forma justa, o texto de Schrader para “Taxi Driver”, de Scorsese, mas eu considero “Mishima” o seu melhor momento no cinema, um tesouro que precisa ser reavaliado.

* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Obras-Primas do Cinema", com excelente material extra, quatro featurettes revelando mais sobre os bastidores da produção e a vida do homenageado.
[Resenha/Crítica]: Ma ma

Lançado nos cinemas espanhóis no ano passado Ma Ma demorou muito para chegar aos circuitos nacionais, tento passado antes até pelo Festival do Rio deste ano. O drama é dirigido por Julio Medem diretor que tem no currículo filmes interessantes como “Lúcia e o Sexo” e “Um Quarto em Roma“. Um dos grandes motivos para a demora de seu lançamento a foi recepção morna que teve nos cinemas lá fora, o grande atrativo da película é participação da bela e talentosa Penélope Cruz.
Em Ma Ma a divorciada Magda (Penelope Cruz) descobre ter câncer de mama, ao mesmo tempo em que constata estar grávida. Ela enfrentará essa difícil situação de maneira resplandecente contando com o apoio de seu novo companheiro Arturo (Luis Tosar) e do filho Dani.
Quando assisti a Ma Ma não foi uma das experiências mais agradáveis, a produção é demasiadamente lenta em alguns aspectos e unica relação que o espectador consegue sentir emoção é a que existe entre Magda e seu médico as outras pessoas do seu convívio são pouco ou mal desenvolvidas ao longo da projeção. Me incomodou também a escolha da palheta de cores, visto que a personagem mesmo passando por dificuldades tem muita vida e energia dentro de si que são sufocados pelo tom gelado das cores presentes no seu mundo.
Ao longo das quase duas horas de filme é notável o contraste que existe com atuação de Penélope quando comparado com os seus colegas de trabalho, ao meu ver as escolhas da produção para o elenco não foram felizes. Ma Ma derrapa porque não traz o sopro de encantamento que emana de Magda e transborda de Penélope, falta cor, brilho e principalmente simpatia dos outros protagonistas. A mensagem é até legal e interessante mas a forma como é desenvolvida é bem cansativa e pouco atraente.
Sinopse: Após o divórcio Madga se apaixona por Arturo ao mesmo tempo em que tem que lidar com um câncer e o desafio da gravidez novamente. Procurando sentido na sua condição ele decide aproveitar ao máximo da vida e tentar ser feliz enquanto espera por um destino incerto.
Ficha Técnica:
Título no Brasil: Ma ma
Título Original: Ma ma
Ano Lançamento: 2015
Gênero: Drama
País de Origem: Espanha / França
Duração: 111 minutos
Direção: Julio Medem
Estreia no Brasil: 03/11/2016
Estúdio/Distribuidora: California Filmes
Elenco: Penélope Cruz, Luis Tosar, Asier Etxeandia, Teo Planell, Alex Brendemühl, Anna Jiménez.
Título no Brasil: Ma ma
Título Original: Ma ma
Ano Lançamento: 2015
Gênero: Drama
País de Origem: Espanha / França
Duração: 111 minutos
Direção: Julio Medem
Estreia no Brasil: 03/11/2016
Estúdio/Distribuidora: California Filmes
Elenco: Penélope Cruz, Luis Tosar, Asier Etxeandia, Teo Planell, Alex Brendemühl, Anna Jiménez.
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