quinta-feira, 23 de março de 2017

"A Bela e a Fera", de Bill Condon



A Bela e a Fera (Beauty and The Beast - 2017)

Fábulas são fontes de inspiração que vão sendo retrabalhadas ao longo do tempo, “A Bela e a Fera”, escrita por Gabrielle Suzanne Barbot de Villeneuve e publicada em 1740, passou pelas mãos criativas de vários escritores, a história foi sendo moldada, expandida, modificada, mas a essência se manteve. E são eternas exatamente por abordarem temas fundamentais na formação dos alicerces psicológicos do indivíduo. No cinema, duas versões se tornaram inesquecíveis, o maravilhoso clássico em preto e branco dirigido pelo francês Jean Cocteau em 1946 e, adaptada como musical, na animação dos estúdios Disney dirigida por Kirk Wise e Gary Trousdale em 1991.

Os adultos de hoje que viveram aquele momento mágico na infância, cantando a versão brasileira das canções compostas por Alan Menken, Howard Ashman e Tim Rice na escola, a primeira animação a ser indicada para o prêmio de Melhor Filme no Oscar, estão tendo a oportunidade preciosa de compartilhar a experiência emocionante hoje na sala escura com seus filhos pequenos. “A Bela e a Fera”, dirigido por Bill Condon e protagonizado por Emma Watson e Dan Stevens, trata a história com reverência nostálgica, reproduzindo fielmente até os enquadramentos de certas sequências, e, vale ressaltar, com muita ternura. Duas sugestões: Se for levar crianças, prestigie a altíssima competência da equipe de dubladores nacionais e evite o 3D, o recurso prejudica tremendamente a iluminação tão ricamente pensada pelo diretor de fotografia.

Bela (Watson) é uma doce menina que valoriza a literatura, o ato rebelde de buscar cultura em uma época em que a sociedade reduzia a mulher aos afazeres domésticos. Naqueles tomos empoeirados ela viaja para outros mundos, conhece novas possibilidades, compreende que a beleza está na rosa que pede que seu pai (Kevin Kline) traga em todas as suas viagens. Esse gesto aparentemente simples evidencia o traço mais marcante de sua personalidade. As outras damas do local pensam apenas no enfeite que irão utilizar para conquistar a atenção dos bons partidos, maquiagem, vestidos deslumbrantes, elementos artificiais para serem notadas por machistas artificiais, estúpidos como Gaston (Luke Evans), narcisista insensível que toma por capricho a missão de se casar com Bela, a estranha misteriosa que ousa ignorar diariamente seus galanteios.

A simbologia da rosa é importante na trama, as pétalas encantadas que caem dentro do vidro que protege sua pureza do cruel mundo externo, terra de violência, feras, doença e morte. A necessidade de o amor verdadeiro quebrar o encanto antes da queda da última pétala, a resistência poética daqueles que corajosamente enfrentam o embrutecimento da sociedade, cada vez mais interessada no enfeite, desprezando a simplicidade da rosa. Uma atitude preconceituosa do príncipe outrora havia sido a responsável pelo seu castigo. Quem pode amar uma fera? Quem pode olhar nos olhos da dor e sorrir, agradecendo o aprendizado? Tarefa que demanda maturidade, sincera empatia e desapego pelo conceito da vaidade.

Somente Bela, alguém capaz de se apaixonar por letras harmoniosamente unidas no papel, valorizando a inspiração dos escritores, conseguiria enxergar além da imagem, tocando delicadamente o humano gentil por trás da besta, a mãe carinhosa por trás da chaleira (Emma Thompson), o generoso bonachão por trás do relógio (Ian McKellen), o romântico inveterado por trás do candelabro (Ewan McGregor). O retorno à humanidade desses personagens depende da resistência da menina, contra todas as probabilidades, sendo forçada a revisitar memórias tristes, fazendo as pazes com o passado e, num ato de linda generosidade, liberando o angustiado pai da culpa que o atormentava desde o falecimento de sua amada esposa.

A Fera (Stevens) reconhece pela primeira vez o seu antigo reflexo no espelho da vida ao encarar a jovem impetuosa. Ele inicialmente a rejeita, ele já estava se acostumando com sua condição, apreciando a solidão e resignado a eventualmente desaparecer esquecido nas trevas de seu castelo. O relacionamento que se estabelece entre os dois ganha toques ainda mais bonitos nessa nova versão, uma nova canção (“Evermore”) defendida pelo personagem em seu momento mais amargurado agrega camadas de interpretação, a sua tragédia é comum a muitos de nós, a identificação é parte essencial, reconhecer que há beleza até mesmo no amor que não é correspondido, a ausência dela seguirá alimentando sua inspiração. Ele a liberta, com plena consciência das tristes consequências, a esperança vã de seu retorno o manterá são até o último segundo.

Uma história que seguirá se renovando nas próximas gerações, apesar de todo discurso de ódio, fome, medo e catástrofes naturais, um romance que continuará a emocionar pais e filhos no mundo todo, enquanto houver a doce resistência de uma flor que rompe o asfalto.

Via: Octavio Caruso, do blog: www.devotudoaocinema.com.br

"Ser Ou Não Ser", de Ernst Lubitsch



Ser Ou Não Ser (To Be or Not to Be - 1942)

Falar do diretor alemão Ernst Lubitsch sem citar o famoso “Lubitsch Touch” (Toque Lubitsch) seria impossível, pois faz parte de sua mitologia. A expressão que busca descrever o estilo único do diretor tem sido discutida, através das décadas, por cinéfilos e profissionais da crítica. Dentre as várias definições já elaboradas, cada uma mais criativa que a outra, esta é a minha favorita: “O elegante uso da piada sobreposta. O roteiro já serviu a piada ao público, que sorri satisfeito. Então o roteiro apresenta na sequência uma piada ainda mais engraçada, que o público não esperava”. Billy Wilder, um dos maiores fãs dele (em seu escritório havia uma placa que dizia apenas: “O que Lubitsch faria? ”), definiu a arte de seu ídolo: Sempre surpreender o público. Algo que o pupilo aprendeu muito bem e fez uso em seus trabalhos, como no clássico e inesperado: “Ninguém é perfeito”, no desfecho de seu “Quanto Mais Quente Melhor”. Eu definiria de forma um pouco diferente, pois acredito que a genialidade do diretor residia na sua incrível capacidade de manter suas obras simples e acessíveis, mesmo envoltas no maior refinamento. Os temas podiam ser sofisticados, os diálogos muito inteligentes, mas sua forma de apresentá-los era humilde e generosa. Como um bom anfitrião, ele queria que todos se divertissem em suas festas.

Utilizar o nazismo como pano de fundo para uma comédia era algo bastante arriscado na época. Chaplin havia enfrentado Hitler dois anos antes, em “O Grande Ditador”, o seu filme era um drama com toques de humor, onde o ponto alto consistia em um belo e sério discurso humanista. Lubitsch gargalhou na cara dos nazistas sem nenhum subterfúgio. A sua ousadia foi tanta que causou o fracasso da obra em sua estreia, com o público se recusando a pagar para rir de algo tão ameaçador quanto os nazistas. Frases ditas no filme, como a sensacional resposta do oficial alemão quando perguntado sobre o ator, vivido por Jack Benny, causaram polêmica: “Eu o conheço, ele protagonizou uma vez em Hamlet. O que ele fez com Shakespeare, nós estamos fazendo com a Polônia”. Para os jovens cinéfilos que estão iniciando nesta maravilhosa jornada, reflexos deste filme podem ser percebidos em “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino. Em ambos, o nazismo é vencido ludicamente pela arte.

Os componentes da companhia teatral estão em constante disfarce, utilizando o talento como arma contra a violência bestial. Eles começam procurando vencer o medo com humor, satirizando Hitler em suas apresentações, acabam descobrindo que a gargalhada apenas adia ou enfraquece o medo, não o subjuga. O medo do personagem vivido por Jack Benny é compartilhado por quase todos os atores: A rejeição. A sua esposa, vivida por Carole Lombard, que viria a falecer logo depois das filmagens em um desastre de avião, marca encontros furtivos com um jovem nos bastidores, enquanto seu marido defende o clássico e longo monólogo de Shakespeare. Ele percebe que o jovem se levanta enquanto ele inicia o solilóquio, mas mesmo após descobrir a razão, ele ainda se questiona sobre sua capacidade de entreter seu público. Esta piada já estabelecida ao longo da obra entrega, na cena final, um impagável clássico símbolo do “Lubitsch Touch”.


* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Obras Primas do Cinema".
Via: Octavio Caruso, do blog: www.devotudoaocinema.com.br

quarta-feira, 22 de março de 2017

Negação

A todo ano somos bombardeados por produções “inspiradas em uma incrível história real”, e afins. Sempre com seu espaço cativo em festivais, premiações e no coração do público, o subgênero dos dramas históricos atrai não somente público e crítica, como também astros renomados e grandes produções, fundeados pelo fácil apelo. Durante a temporada de premiações 2016/17 não foi diferente: filmes como Até o Último Homem, Estrelas Além do Tempo e Um Estado de Liberdade são alguns exemplos que seguem tal fórmula – quanto ao seus êxitos, isso já é outra história. E é em uma espécie de meio-termo que Negação habita.
Percorrendo fáceis caminhos narrativos – muito em parte por buscar suporte em sua “chocante história real” –, Negação inicia-se com sua protagonista Deborah Lipstadt (Rachel Weisz, A Luz Entre Oceanos), historiadora judia, lecionando didaticamente (aos seus alunos e ao próprio espectador) sobre o modus operandi daqueles que recusam-se a aceitar o Holocausto como evento histórico e verídico; ou seja, negadores. E é por implicar tal acusação em seus livros a outro historiador, David Irving (Timohy Spall, Mr. Turner), que este acaba processando-a. Enfrentando o caso na Inglaterra (com uma jurisprudência completamente diferente da norte-americana), Deborah precisará lidar com uma equipe de advogados e defensores, encabeçada por Anthony (Andrew Scott, da série Sherlock) e Richard (Tom Wilkinson, Snowden), a fim de provar que o Holocausto, de fato, ocorreu em pleno tribunal.
Por esta sinopse simples e de poucos personagens e eventos, podemos entender que tudo decorre de forma direta e ágil dentro de seu tempo representado; mas não, entre as primeiras contestações de David, ainda de maneira informal, ao início do processo e pré-júri, seis anos se passam (tudo isso em vinte minutos de filme).  Todo esse período elipsado pela fraca montagem pouco apresenta ao espectador em termos de personagens, suas características e relações. Em exceção ao primeiro embate entre Deborah e David (que irrompe uma das palestras da protagonista), a narrativa pula de evento a evento, cumprindo somente com sua conformidade narrativa, sem oferecer situações que vinculem o espectador ao caso (apesar da tocante temática) e seus personagens.
Claramente dividido em duas partes, Negação utiliza de sua primeira metade como apresentação e preparação ao caso. Mesmo não dando espaço ao personagem de David e suas convicções, em muito o filme explora a vontade de justiça e busca pela verdade (e também de provar o ocorrido) de Deborah. E para tal, todos os recursos já utilizados em filmes semelhantes são empregados no roteiro do dramaturgo David Hare (As Horas) e pela direção de Mick Jackson (O Guarda-Costas): os longos travellings acompanhados de uma suave e rançosa melodia e associados aos discursos emocionantes (e expositivos) de seus personagens, os frequentes gaguejos (que não passam de meras muletas de interpretação) do “lado bom” ante a imposição do “vilão”, a fria fotografia do clima londrino que sobrecarrega a protagonista, personagens que entoam uma comovente canção devidamente apropriada ao seu contexto.
E como se não bastasse seus inúmeros clichês, o filme também apela a outros recursos duvidosos (e não menos enfadonhos), como sobreposições de imagens e flashbacks esporádicos que situam a rotina de campos de concentração.
O pouco que compreendemos sobre David, que nos é apresentado como um verdadeiro vilão inescrupuloso e manipulador, é posto de maneira indireta e por meio do que os outros personagens têm a dizer, impossibilitando qualquer introspecção do personagem entre suas convicções e ideais. O também óbvio design de produção destaca a casa de David predominada pela cor vermelha e alguns objetos pontuais de seu cenário (como uma estante tomada por vários livros sobre Hitler). A atuação de Spall convence pelo que o roteiro oferece-o, e ganha maior proporção no avanço da trama, ocorrendo certa transição em sua compostura mas não em seus discursos.
O mesmo ocorre com Rachel Weisz; os resquícios da atriz que outrora manifestava-se por nuances são arruinados pelas linhas grandiloquentes do roteiro que a compõe, sabotando toda e qualquer expressão genuína. É notável, no entanto, a composição corporal da atriz, exibindo facilidade quanto a demonstração de sentimentos pontuais e oscilação destes em curto período de tempo, quando exigidos. E por falar em sua composição, alguns elementos de figurino, mesmo que explícitos, acentuam o estado da protagonista e sua transição: o contraste de seus figurinos com o ambiente, ou até mesmo seu penteado leve (representado aqui por uma peruca muito artificial) ante o cenário pesado.
Conduzindo sua segunda metade como um filme de tribunal, Negação novamente falha em demonstrar o mínimo de autenticidade na exploração de todos os seus elementos. A disputa judicial carece de intensidade em sua condução, com raros e oportunos momentos capazes de demonstrar qualquer tensão ou energia pelas partes. Prezando pelos embates entre o defensor de Deborah, Richard, e David – e, assim, seus diálogos –, talvez o maior mérito da produção resida aqui: a atuação de Tom Wilkinson. Incorporando trejeitos e peculiaridades, o ator faz do defensor o personagem mais humano, tolerável e respeitável de todo o filme. Convencendo dentro e fora do tribunal (ao expor um lado mais sensível dentro de toda a história, mesmo que de forma abrupta), Richard é o destaque de toda a segunda metade da metragem – e ao final desta, o único relevante.
Ao optar por não dar o devido espaço mesmo no julgamento do caso ao personagem de David e sua preparação, o personagem é asfixiado pelas conveniências do roteiro – perdendo até a carga de “jogo psicológico” que fora proposto em seu primeiro ato. Sempre atestando o diferente tratamento entre os historiadores (David é praticamente uma celebridade unânime e adorada no universo do filme) por público e imprensa, pouco é explorado em torno do absurdo de suas alegações e defesas, na tentativa, claro, de fortalecer o viés maniqueísta que percorre toda a trama.
A culminância de todos os seus defeitos e equívocos, previamente expostos, compõe o clímax da projeção. Até mesmo a tentativa (completamente descabida) de estabelecer certas rimas visuais com elementos anteriores ao final do filme é rasa e má utilizada. Propondo a inclusão de diversos debates e correntes de pensamento à envergadura do filme, em meio a um tema delicado e de fácil aceitação do espectador, Negação não corresponde nem mesmo à sua mais simples e principal tarefa (seja ela o fácil entretenimento ou a mensagem de conscientização). Temos aqui mais um exemplo de drama histórico que não sabe explorar nem mesmo seus próprios limites dentro do contexto real em que fora baseado – e ganha contornos ainda mais embaraçosos quando ultrapassa tais limites.
Nota do CD:
★★☆☆☆
Sinopse: A escritora Deborah E. Lipstadt luta para provar uma verdade histórica contra David Irving, que a acusa de difamação por declarar que ele não acredita na existência do Holocausto.
Trailer do filme:
Ficha técnica:
Gênero: Drama
Direção: Mick Jackson
Roteiro: David Hare
Elenco: Alex Jennings, Andrew Scott, Caren Pistorius, Harriet Walter, Jack Lowden, John Sessions, Mark Gatiss, Nikki Amuka-Bird, Rachel Weisz, Timothy Spall, Tom Wilkinson
Produção: Gary Foster, Russ Krasnoff
Fotografia: Haris Zambarloukos
Montador: Justine Wright
Trilha Sonora: Howard Shore
Duração: 109 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 09/03/2017 (Brasil)
Distribuidora: Sony
Estúdio: BBC Films / Krasnoff / Foster Entertainment / Participant Media / Shoebox Films
Classificação: 12 anos

Mostra Tiradentes | SP 2017 - Abertura

terça-feira, 21 de março de 2017

Fragmentado

O diretor volta à boa forma.
M. Night Shyamalan (Corpo Fechado, O Sexto Sentido), desde o início de sua vida cinematográfica, é um homem que tem um diferencial das produções contemporâneas. Ele participa de toda a execução de suas obras. É o diretor, é o roteirista, é o produtor e, ainda, tem participações como ator em quase todos os seus filmes. Shyamalan é criador de mundos em que há floreios para contar uma história primordial, mas sempre com um tema no mínimo inusitado, e o suspense é elemento essencial para o entendimento do conjunto. Foi assim em O Sexto Sentido – descobrindo sobre a vida e a morte, em Corpo Fechado – a descoberta de poderes sobre-humanos de um homem comum; em Sinais – a perda e a volta da fé e em A Vila – a cultura do medo. E ainda alguns elementos inseridos em todas as histórias, como a água, a cor vermelha (o amarelo também), as crianças, o plot twist (reviravolta no enredo), os sinais (inseridos em parcelas) e os flashbacks, convergindo para o final da trama. Tudo isso em quase todos os filmes. A partir do filme A Dama na Água, crítica e público ficaram com dois pés atrás com o diretor. Sua popularidade estava indo embora. E as histórias já não eram um primor de inventividade. Continuou com os filmes Fim dos TemposO Último Mestre do Ar e Depois da Terra, que nem pareciam ser filmes seus e não foram sucesso nem de público e nem de crítica. Mas, em 2015, ele voltou a sorrir com um ensaio de um novo sucesso, A Visita, um filme simples, duas crianças e dois idosos, com muito suspense e um novo elemento permeando toda a história, o cinismo. Aqui, o sarcasmo foi o dono do enredo, e funcionou muito bem. Nesta semana, chega aos cinemas do Brasil, Fragmentado, seu mais recente filme e que tem recebido grandes elogios mundo afora. E por que Fragmentado é bom? A resposta é muito simples, porque Shyamalan voltou a pensar como em seus primeiros filmes, uma história simples convergindo para algo maior.
Em Fragmentado temos a história de um homem, Kevin, que está sendo atendido por uma psiquiatra. Ele já revelou 23 personalidades e, ainda, uma outra que pode aparecer a qualquer momento, podendo dominar as outras. Kevin sequestra três garotas e passará a conviver com os seus “eus” interiores, com as garotas e com a psiquiatra. Aí está o enredo, que se mostra simples, mas é cheio de conflitos para todos os lados. Tudo gira em torno de três vertentes, a de Kevin, que já não se reconhece mais e de Casey, uma das garotas sequestradas, que precisa conhecer e entender o que passa pela cabeça de Kevin e da Dr. Fletcher, que estuda suas personalidades. Assim, Fragmentado está em pedaços, como um quebra-cabeça, suas peças precisam ser juntadas para o desenho ficar completo.
Shyamalan, depois de seus quatro primeiros filmes que ficaram no imaginário popular, agora volta a entender o que pode ser bom para ele, diretor, e para nós, telespectador. Ele volta a fazer um estudo de personagem, como fez tão bem com o ator Bruce Willis (Sin City 2: A Dama Fatal), em O Sexto Sentido e Corpo Fechado, com Mel Gibson (Coração Valente), em Sinais e com Bryce Dallas Howard (50%), em A Vila. Em Fragmentado, o personagem de James McAvoy (X-men : Apocalipse), é o estudo da vez, tão bom em cena que não imaginamos outro ator para desempenhar tal papel.  McAvoy faz a gente se interessar por aquela persona cheia de nuances, num papel que poderia facilmente se tornar uma caricatura, mas por causa da respiração certa, do olhar diferenciado e do corpo a serviço de várias vidas, tudo se torna verdadeiro. Já quero o seu Oscar, McAvoy, você está pronto. A jovem atriz Anya Taylor-Joy, de A Bruxa, é uma das garotas sequestradas que precisa fugir da alma doentia de Kevin. Taylor-Joy já vinha de uma interpretação arrebatadora e agora mostra todo seu potencial em momentos ternos, com grande carga psicológica vinda da infância. Fiquemos de olho em Anya Taylor-Joy.
Fragmentado, mesmo com pequenos tropeços, bem pequenos, chega para trazer Shyamalan para os holofotes novamente. É um filme que flerta com o sobrenatural e com o suspense, digo flerta porque não é o tempo todo, mas seus momentos finais são bem angustiantes e toca em um tema sempre urgente, o abuso infantil. Shyamalan sempre foi bom diretor e grande inventor de ótimas situações, não poderia se perder em meio a filmes rasos ou bobinhos. Ele é mais. E traz de volta tudo aquilo que conhecemos de suas boas histórias, o cuidado com a iluminação e o som, sempre em função do que é visto, nada desnecessário, e uma precisão perfeita na montagem da história, trazendo o passado linkado ao presente. E o último frame do filme, fazendo ligação com algo inusitado, é uma das maiores surpresas do longa. Eu, que tenho Corpo Fechado como seu melhor filme, gostei bastante de Fragmentado, Shyamalan me deixou em pedaços. Volte sempre!
Nota do CD:
★★★★☆
Sinopse:Kevin está sendo atendido por uma psiquiatra. Ele já revelou 23 personalidades e, ainda, uma outra que pode aparecer a qualquer momento, podendo dominar as outras. Kevin sequestra três garotas e passará a conviver com os seus “eus” interiores, com as garotas e com a psiquiatra.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Gênero: Terror
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Brad William Henke, Haley Lu Richardson, Jalina Mercado, James McAvoy, Jessica Sula, Kim Director, Lyne Renee, Maria Breyman, Neal Huff, Sebastian Arcelus, Steven Dennis
Produção: Jason Blum, M. Night Shyamalan, Marc Bienstock
Fotografia: Mike Gioulakis
Montador: Luke Franco Ciarrocchi
Trilha Sonora: West Dylan Thordson
Duração: 117 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 23/03/2017 (Brasil)
Distribuidora: Universal
Estúdio: Blinding Edge Pictures / Blumhouse Productions

Silvio Santos vem aí! | ÚLTIMA SEMANA


segunda-feira, 20 de março de 2017

Cartazes do curta "Nocebo" atualizados com a passagem pelo FESTin, de Portugal.

"Nocebo" foi selecionado para a Mostra Brasileira de Cinema, do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (2017). Arte dos cartazes: Laísa Roberta Trojaike. 



Via: Octavio Caruso, do blog: www.devotudoaocinema.com.br