sábado, 28 de janeiro de 2017
"Noite e Neblina", de Alain Resnais
![]()
Noite e Neblina (Nuit et Brouillard – 1955)
O Holocausto não pode virar página esmaecida nos livros de história, um acontecimento distante a ser estudado durante um período da vida, um drama humano que eventualmente serve como pano de fundo objetivando lucro nas bilheterias do cinema. A banalização do mal abre espaço para equivocadas reinterpretações e facilita a repetição do erro. Alain Resnais, dez anos após a liberação dos campos de concentração nazistas, produziu o documentário mais importante sobre o tema. Com apenas trinta minutos, eu considero esse filme muito superior às celebradas dez horas de “Shoah”.
O pungente texto de Jean Cayrol, sobrevivente de um campo de concentração, consegue ser tão impactante quanto os registros em vídeo, exatamente pelo minimalismo certeiro com que salienta a necessidade de se refletir sobre o monstro que reside em cada indivíduo. De quem é a responsabilidade? Hitler sozinho não teria conseguido estruturar essa destruição em massa, ele não enfeitiçou milhões de alemães. Joseph Goebbels sozinho não teria conseguido operar sua máquina de propaganda em direção tão absurdamente cruel. Eles eram peças na engrenagem, alimentados pela propensão do ser humano ao apedrejamento, o apreço eufórico dos ignorantes pelo discurso de ódio, a negação do diálogo. Essa alquimia torpe possibilitou a doutrinação rápida, as sementes já estavam sendo irrigadas desde a infância. A câmera atravessa Auschwitz e Majdanek, enfocando que o “processo de limpeza” nazista estava alicerçado no sadismo, eles não queriam apenas eliminar os judeus, eles desejavam impor a humilhação extrema, a dor incalculável prolongada.
A conclusão que se tira é devastadora, não havia ideologia alguma em grande parte daqueles que agiram, direta ou indiretamente, nesse genocídio, apenas um extravasamento doentio de sentimentos baixos que despertaram intensos com a certeza da impunidade. O mal está apenas aguardando nas sombras, a sociedade não está livre de vivenciar algo até mais desumano, basta que um coletivo de indivíduos vire suas costas para a lucidez, rejeite a empatia e considere aceitáveis os discursos de ódio. Analisando a triste realidade atual, não estamos longe disso. É fundamental que nos mantenhamos vigilantes.
|
MORRE JOHN HURT
![]() Meu primeiro contato com Hurt foi na nave Nostromo. Inesquecível. De lá para cá, Hurt colecionou tipos e papeis incríveis. O ator britânico foi diagnosticado com câncer de pâncreas há alguns anos, mas segundo informações, estava em remissão. Indicado ao Oscar pelos filmes "O homem elefante" (1980) e "O expresso da meia-noite" (1978), Hurt continuava trabalhando. |
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Entrevista com a cantora Monica Mancini, filha do compositor Henry Mancini
![]()
O – Monica, você é uma cantora sensacional. Adoro o seu trabalho em "Anywhere the heart goes", parceria com seu pai em "Pássaros Feridos", uma das minhas favoritas no repertório dele. Essa minissérie foi parte fundamental da minha infância, um tremendo sucesso na televisão brasileira. Você pode compartilhar conosco as suas lembranças dessa parceria?
M - "Pássaros Feridos" foi, provavelmente, a minha trilha sonora favorita dentre todas as que o meu pai compôs. Ele escreveu muito para projetos televisivos, as pessoas normalmente não lembram disso, muitos temas ao longo dos anos. Esse, especificamente, foi um desafio para ele. Quando você compõe para um filme, você escreve uma hora de música, para um longa-metragem de duas horas. Uma minissérie como "Pássaros Feridos", foi algo em torno de oito horas de filme. Meu pai levou muitos meses trabalhando. E ele foi recompensado com um Globo de Ouro.
O – Como uma criança que cresceu se divertindo com os filmes da "Pantera Cor-de-Rosa", protagonizados pelo genial Peter Sellers, e a obra-prima "Um Convidado Bem Trapalhão", eu sempre tive uma imagem do seu pai como o homem mais gentil da indústria de cinema. O trabalho musical dele, temas como "Royal Blue", "The Greatest Gift", "Piano and Strings" e "Dreamy", que eu escutava em loop durante toda a minha infância, tem como característica principal a ternura, um especial calor humano. Ele realmente se importava com o que fazia, não era apenas um trabalho. Como era a figura paterna Henry Mancini?
M - Se você perguntar para qualquer um dos associados do meu pai, eles irão te dizer que ele foi o homem mais agradável que já conheceram. A sua música fala por si só, mas o que eles lembram é da pessoa. Ele também tinha um maravilhoso senso de humor, algo que se refletiu em sua música, "A Pantera Cor-de-Rosa" é o melhor exemplo disso. Ele gostava de ficar em casa, então tinha um estúdio de gravação, algo que o tornava muito acessível, ele trabalhava em casa. Meu pai amava cozinhar massas nos Domingos, e, quando nós já estávamos crescidos, íamos lá, tomávamos muito vinho e cozinhávamos juntos. Ele aguardava ansiosamente por esse momento durante toda a semana! Se você conhece sua música, você conheceu ele.
![]()
O – Como era o processo criativo para ele? Ele demorava muito tempo para finalizar uma trilha sonora?
M - Alguns filmes eram mais fáceis, outros nem tanto. Quando ele estava inspirado, escrevia muito rápido, mas, por vezes, ele travava, esperava a inspiração brotar. Trabalhar com diretores diferentes trouxe para ele diversos desafios, alguns deixavam ele livre para criar, outros gostavam de se envolver diretamente naquilo que não conheciam. Os diretores dirigem, ele faz a música, esse é o correto.
O – Que tipo de música ele escutava em casa? Ele tinha preferência por algum cantor/cantora, ou banda? Ele era amigo de algum músico brasileiro?
M - Eu não me lembro dele escutando algo específico em casa, mas ele tinha um desejo profundo de estar por dentro de todos os gêneros musicais, para utilizar esse conhecimento em suas gravações. Ele gostava de Pop, Country, Rock e Jazz, ele amava todos os estilos. E tinha uma conexão muito especial com a música brasileira, ele visitou o país algumas vezes como jurado no Festival Internacional da Música, com Quincy Jones e Andy Williams. Sergio Mendes foi um de seus melhores amigos, eles tiveram muitas parcerias, ambos eram apaixonados por vinho de qualidade e pela "Boa Vida".
![]()
O – Como uma artista no cenário da indústria musical, você pode escrever sobre a importância do legado maravilhoso do seu pai? Você consegue sentir sua presença criativa na música que é produzida hoje? Eu não consigo imaginar um mundo sem a música de seu pai.
M - Muitos compositores modernos foram influenciados pela escrita do meu pai. Até John Williams dá crédito a ele pela influência do Jazz em suas trilhas sonoras. Quando eu me apresento cantando suas músicas, as pessoas me confidenciam que elas as conduzem para um tempo específico de suas vidas, tempos memoráveis. Até Paul McCartney utiliza o riff de "Peter Gunn" em seus shows. Os jovens que nunca ouviram falar em Henry Mancini, conhecem, com certeza, as suas músicas, especialmente "A Pantera Cor-de-Rosa". O legado dele atravessa várias gerações.
O – Ele tinha alguma composição favorita, dentre todas as suas participações no cinema?
M - A música favorita dele era "Two for The Road". Eu nunca soube a razão, mas a letra falava sobre seu relacionamento com minha mãe. Essa era a música deles.
![]() O – Você pode compartilhar alguma história interessante/engraçada envolvendo a relação de seu pai com pessoas como Blake Edwards, Audrey Hepburn e Peter Sellers?
M - Meu pai teve uma amizade de trinta anos com Blake Edwards, que introduziu Peter Sellers em sua vida. Eu passei muito tempo com o Blake e com sua esposa Julie Andrews. Eu me lembro deles gargalhando juntos o tempo todo. Blake tinha um senso de humor tolo e perverso, assim como meu pai. Acho incrível que eles tenham conseguido produzir algo juntos! Eles confiavam muito um no outro, sem interferências criativas. Eu passei pouco tempo com Peter Sellers, quando eu era pequena. Ele era uma figura estranha. Ele era tão engraçado nos filmes, mas sombrio no convívio pessoal. Meu pai amava compôr para as cenas dele, ele considerava Sellers um artista brilhante. Audrey Hepburn era simplesmente apaixonante! Eu me lembro de ficar apenas olhando para ela, pensando em como ela era magrinha. Ela amava a forma como o papai compunha para seus filmes. Ela sempre requisitava sua participação. Eu ainda sou amiga de seu filho Sean, que vive na Itália, vejo Julie com frequência. Ela é uma das pessoas mais doces que conheço.
O – Qual a sua composição favorita do repertório dele?
M - Creio que "Days of Wine and Roses" seja a minha favorita. Há algo na melodia que é tão simples, mas também tão profunda. Você conhece o filme ("Vício Maldito", de 1962), ele é bem intenso. Cantores de jazz normalmente trabalham nessa canção. E quando eu os lembro sobre o tema que ela trata, eles pensam: "Oh, eu nunca pensei na letra da música". Eu sempre penso na letra.
O – Sobre a relação de seu pai com o cinema, você se lembra de algum filme especial que viram juntos? Quais eram os filmes favoritos dele (fora aqueles em que trabalhou)?
M - Não costumávamos ir muito ao cinema. Acho que o último filme que vimos em família foi "O Exorcista", em 1973, no dia de Natal! Mas víamos muita televisão juntos. Ele amava comédias. Ele também amava os filmes do "O Poderoso Chefão", gostava também do cinema italiano. O seu filme favorito era "A Doce Vida", seguido de "Cinema Paradiso". "Meu Primo Vinny" era sua comédia favorita. Haviam filmes em que ele trabalhou, que não eram tão bons, mas a música era fantástica, então ele produzia mais do que acabava sendo utilizado. Ele lamentava isso. Ele teve uma trilha sonora descartada por Alfred Hitchcock, "Frenesi". O diretor achou que era "muito macabra", ele acabou usando música clássica. Meu pai ficou muito desapontado com isso.
O – Monica, você pode deixar uma mensagem especial para os meus leitores, os fãs brasileiros do legado do seu pai?
M - Eu nunca visitei o Brasil, isso está, definitivamente, no topo da minha lista de desejos! Gravei recentemente uma canção com Isabella Taviani, chamada "Sometimes", que meu pai e minha irmã escreveram para os "Carpenters", em seu disco mais vendido. Fizemos um belo dueto utilizando a faixa original de piano tocado por meu pai. Eu espero que possamos cantar juntas em algum show no Brasil.
![]() |
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures no original, que literalmente significaria “Figuras Escondidas” e casaria muito melhor com o filme) tem estréia prevista para 2 de Fevereiro e recebeu, no último dia 24, três indicações ao Oscar. Dentre elas, a cobiçada estatueta de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer e Melhor Roteiro Adaptado. Dirigido por Theodore Melfi, que também esteve à frente de “Um Santo Vizinho – 2014”, procura contar detalhes de uma história escondida nos anais dos USA.
Só de imaginar que, em 1961, a NASA empregava várias Mulheres em seu quadro de funcionários e que muitas delas eram Negras, pode soar como algo falso aos nossos ouvidos. Não porque isto é um fato que não caberia ocorrer (muito pelo contrário) mas justamente em função do nosso conhecimento da história preconceituosa que os Afro-americanos tiveram nos Estados Unidos. Muitos dos Estados mantinham leis altamente rígidas quanto à segregação.
Pois é justamente neste cenário que encontramos a história real de algumas das mulheres mais inteligentes e vencedoras que passaram pela NASA. Algo praticamente desconhecido por muitos, é transformado em película pelo diretor e também roteirista Theodore Melfi.
Agora, pensar que a situação envolvendo o preconceito racial era diferente dentro desta conceituada instituição é um devaneio. Trabalhando como “computadores humanos” estas mulheres atuavam nos bastidores de forma totalmente isolada e mantendo todos aqueles preceitos de segregação já citados.

O que brilha aos olhos em Hidden Figures é como, através de muita luta silenciosa usando o conhecimento como arma dominante, estas garotas vão ganhando seu espaço (mesmo que pequeno ou secundário) dentro daquele universo masculino e discriminante.
Com destaque para a excelente Taraji P. Henson (interpretando Katherine Johnson) que entrega uma atuação justa como uma das principais responsáveis em levar e trazer o primeiro Americano com êxito ao Espaço, vemos como a matemática consegue dirimir as diferenças entre aqueles seres e promover o êxito de pessoas que não teriam a menor chance de se destacar naquela época e local.
Também é marcante a atuação de Janelle Monáe, uma atriz que vem ganhando destaque em produções recentes mostrando que, além de ser uma cantora renomada, também entrega atuações dignas de nossa lembrança. Já a Indicada ao Oscar Octavia Spencer (Histórias Cruzadas) incrivelmente não é a figura coadjuvante que mereceria estar entre as cinco atrizes que disputarão o prêmio. Sua atuação não é tão marcante e a própria já esteve bem melhor em outros trabalhos.
Nota do CD:
Sinopse: No auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, uma equipe de cientistas – formada exclusivamente por mulheres afro-americanas – da NASA provou ser o elemento crucial que faltava na equação para a vitória dos Estados Unidos, liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história estado-unidense e se tornando verdadeiras heroínas da nação.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Direção: Theodore Melfi
Roteiro: Theodore Melfi (roteiro), Allison Schroeder (roteiro), Margot Lee Shetterly (livro)
Trilha Sonora: Hans Zimmer, Pharrell Williams
Diretor de fotografia: Mandy Walker
Diretor de Arte: Jeremy Woolsey
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 127 minutos
Indicados ao Oscar 2017

Ontem Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou os filmes indicados a premiação desse que será realizada 26 de Fevereiro e apresentada por Jimmmy Kimmel. O favorito La La Land igualou o recorde de indicações concorrendo a 14 estatuetas nesse ano. Confiram a lista com todos os indicados as estatuetas desse ano.
MELHOR FILME:
“A chegada”
“Até o último homem”
“Estrelas além do tempo”
“Lion: Uma jornada para casa”
“Moonlight: Sob a luz do luar”
“Cercas”
“A qualquer custo”
“La la land: Cantando estações”
“Manchester à beira-mar”
“A chegada”
“Até o último homem”
“Estrelas além do tempo”
“Lion: Uma jornada para casa”
“Moonlight: Sob a luz do luar”
“Cercas”
“A qualquer custo”
“La la land: Cantando estações”
“Manchester à beira-mar”
MELHOR DIREÇÃO
Dennis Villeneuve (“A chegada“)
Mel Gibson (“Até o último homem”)
Damien Chazelle (“La la land: Cantando estações“)
Kenneth Lonergan (“Manchester à beira-mar“)
Barry Jenkins (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Dennis Villeneuve (“A chegada“)
Mel Gibson (“Até o último homem”)
Damien Chazelle (“La la land: Cantando estações“)
Kenneth Lonergan (“Manchester à beira-mar“)
Barry Jenkins (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
MELHOR ATOR
Casey Affleck (“Manchester a beira mar”)
Denzel Washington (“Cercas”)
Ryan Gosling (“La La Land – Cantando estações”)
Andrew Garfield (“Até o Último Homem”)
Viggo Mortensen (“Capitão Fantástico“)
MELHOR ATRIZ
Natalie Portman (“Jackie”)
Emma Stone (“La La Land – Cantando estações”)
Meryl Streep (“Florence: Quem é essa mulher?”)
Ruth Negga (“Loving“)
Isabelle Huppert (“Elle”)
Casey Affleck (“Manchester a beira mar”)
Denzel Washington (“Cercas”)
Ryan Gosling (“La La Land – Cantando estações”)
Andrew Garfield (“Até o Último Homem”)
Viggo Mortensen (“Capitão Fantástico“)
MELHOR ATRIZ
Natalie Portman (“Jackie”)
Emma Stone (“La La Land – Cantando estações”)
Meryl Streep (“Florence: Quem é essa mulher?”)
Ruth Negga (“Loving“)
Isabelle Huppert (“Elle”)
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Jeff Bridges (“A qualquer custo”)
Lucas Hedges (“Manchester à beira-mar“)
Dev Patel (“Lion: Uma jornada para casa”)
Michael Shannon (“Animais noturnos“)
Mahershala Ali (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Jeff Bridges (“A qualquer custo”)
Lucas Hedges (“Manchester à beira-mar“)
Dev Patel (“Lion: Uma jornada para casa”)
Michael Shannon (“Animais noturnos“)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis (“Cercas“)
Naomi Harris (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Nicole Kidman (“Lion: Uma jornada para casa”)
Octavia Spencer (“Estrelas além do tempo”)
Michelle Williams (“Manchester à beira-mar“)
Viola Davis (“Cercas“)
Naomi Harris (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Nicole Kidman (“Lion: Uma jornada para casa”)
Octavia Spencer (“Estrelas além do tempo”)
Michelle Williams (“Manchester à beira-mar“)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Damien Chazelle (“La la land: Cantando estações“)
Kenneth Lonergan (“Manchester à beira-mar“)
Taylor Sheridan (“A qualquer custo”)
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou (“O lagosta”)
Mike Mills (“20th century woman”)
Damien Chazelle (“La la land: Cantando estações“)
Kenneth Lonergan (“Manchester à beira-mar“)
Taylor Sheridan (“A qualquer custo”)
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou (“O lagosta”)
Mike Mills (“20th century woman”)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Barry Jenkins (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Luke Davies (“Lion: Uma jornada para casa”)
August Wilson (“Cercas“)
Allison Schroeder e Theodore Melfi (“Estrelas além do tempo”)
Eric Heisserer (“A chegada“)
Barry Jenkins (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Luke Davies (“Lion: Uma jornada para casa”)
August Wilson (“Cercas“)
Allison Schroeder e Theodore Melfi (“Estrelas além do tempo”)
Eric Heisserer (“A chegada“)
MELHOR FOTOGRAFIA
Bradford Young (“A chegada“)
Linus Sandgren (“La la land: Cantando estações“)
James Laxton (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Rodrigo Prieto (“Silêncio”)
Greig Fraser (“Lion: Uma jornada para casa”)
Bradford Young (“A chegada“)
Linus Sandgren (“La la land: Cantando estações“)
James Laxton (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Rodrigo Prieto (“Silêncio”)
Greig Fraser (“Lion: Uma jornada para casa”)
MELHOR ANIMAÇÃO
“Kubo e as cordas mágicas”
“Moana: Um mar de aventuras”
“Minha vida de abobrinha”
“A tartaruga vermelha”
“Zootopia”
“Kubo e as cordas mágicas”
“Moana: Um mar de aventuras”
“Minha vida de abobrinha”
“A tartaruga vermelha”
“Zootopia”
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
“Terra de minas” – Dinamarca
“Um homem chamado Ove” – Suécia
“O apartamento” – Irã
“Tanna” – Austrália
“Toni Erdmann” – Alemanha
“Terra de minas” – Dinamarca
“Um homem chamado Ove” – Suécia
“O apartamento” – Irã
“Tanna” – Austrália
“Toni Erdmann” – Alemanha
MELHOR DOCUMENTÁRIO
“Fogo no mar”
“Eu não sou seu negro”
“Life, animated”
“O.J. Made in America”
“A 13ª Emenda
“Fogo no mar”
“Eu não sou seu negro”
“Life, animated”
“O.J. Made in America”
“A 13ª Emenda
MELHOR EDIÇÃO
Joe Walker (“A chegada“)
John Gilbert (“Até o último homem”)
Jake Roberts (“A qualquer custo”)
Tom Cross (“La la land: Cantando estações“)
Nate Sanders e Joi McMillan (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Joe Walker (“A chegada“)
John Gilbert (“Até o último homem”)
Jake Roberts (“A qualquer custo”)
Tom Cross (“La la land: Cantando estações“)
Nate Sanders e Joi McMillan (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
“A chegada”
“Animais fantásticos e onde habitam”
“Ave, Cesar!”
“La la land: Cantando estações”
“Passageiros”
“A chegada”
“Animais fantásticos e onde habitam”
“Ave, Cesar!”
“La la land: Cantando estações”
“Passageiros”
MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Eva Bahr e Love Larson (“Um homem chamado Ove”)
Joel Harlow e Richard Alonzo (“Star Trek: Sem fronteiras“)
Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (“Esquadrão Suicida“)
Eva Bahr e Love Larson (“Um homem chamado Ove”)
Joel Harlow e Richard Alonzo (“Star Trek: Sem fronteiras“)
Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (“Esquadrão Suicida“)
MELHOR FIGURINO
Joanna Johnston (“Allied”)
Colleen Atwood (“Animais fantásticos e onde habitam“)
Consolata Boyle (“Florence: Quem é essa mulher?“)
Madeline Fontaine (“Jackie”)
Mary Zophres (“La la land: Cantando estações“)
Joanna Johnston (“Allied”)
Colleen Atwood (“Animais fantásticos e onde habitam“)
Consolata Boyle (“Florence: Quem é essa mulher?“)
Madeline Fontaine (“Jackie”)
Mary Zophres (“La la land: Cantando estações“)
MELHORES EFEITOS VISUAIS
Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton (“Deepwater horizon”)
Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould (“Doutor Estranho“)
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones and Dan Lemmon (“Mogli: O menino lobo”)
Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff (“Kubo e as cordas mágicas“)
John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould (“Rogue One: Uma história Star Wars“)
Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton (“Deepwater horizon”)
Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould (“Doutor Estranho“)
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones and Dan Lemmon (“Mogli: O menino lobo”)
Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff (“Kubo e as cordas mágicas“)
John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould (“Rogue One: Uma história Star Wars“)
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Audition (The fools who dream)” (“La la land: Cantando estações“); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
“Can’t stop the feeling” (“Trolls“); música e letra de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster
“City of stars” (“La la land: Cantando estações“); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
“The empty chair” (“Jim: The James Foley Story”); música e letra de J. Ralph e Sting
“How far I’ll go” (“Moana: Um mar de aventuras”); música e letra Lin-Manuel Miranda
“Audition (The fools who dream)” (“La la land: Cantando estações“); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
“Can’t stop the feeling” (“Trolls“); música e letra de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster
“City of stars” (“La la land: Cantando estações“); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
“The empty chair” (“Jim: The James Foley Story”); música e letra de J. Ralph e Sting
“How far I’ll go” (“Moana: Um mar de aventuras”); música e letra Lin-Manuel Miranda
MELHOR TRILHA SONORA
Micha Levi (“Jackie”)
Justin Hurwitz (“La la land: Cantando estações“)
Nicholas Britell (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Thomas Newman (“Passageiros”)
Dustin O’Halloran e Hauschka (“Lion: Uma jornada para casa”)
Micha Levi (“Jackie”)
Justin Hurwitz (“La la land: Cantando estações“)
Nicholas Britell (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Thomas Newman (“Passageiros”)
Dustin O’Halloran e Hauschka (“Lion: Uma jornada para casa”)
MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Sylvain Bellemare (“A chegada“)
Renée Tondelli (“Deepwater horizon”)
Robert Mackenzie e Andy Wright (“Até o último homem”)
Ai-Ling Lee and Mildred Iatrou Morgan (“La la land: Cantando estações“)
Alan Robert Murray e Bub Asman (“Sully: O herói do rio Hudson“)
Sylvain Bellemare (“A chegada“)
Renée Tondelli (“Deepwater horizon”)
Robert Mackenzie e Andy Wright (“Até o último homem”)
Ai-Ling Lee and Mildred Iatrou Morgan (“La la land: Cantando estações“)
Alan Robert Murray e Bub Asman (“Sully: O herói do rio Hudson“)
MELHOR MIXAGEM DE SOM
Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye (“A chegada“)
Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace (“Até o último homem”)
Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A. Morrow (“La la land: Cantando estações“)
David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson (“Rogue One: Uma história Star Wars“)
Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth (“13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”)
Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye (“A chegada“)
Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace (“Até o último homem”)
Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A. Morrow (“La la land: Cantando estações“)
David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson (“Rogue One: Uma história Star Wars“)
Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth (“13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”)
MELHOR CURTA-METRAGEM
“Ennemis Intérieurs”
“La femme et le TGV”
“Silent night”
“Sing”
“Timecode”
“Ennemis Intérieurs”
“La femme et le TGV”
“Silent night”
“Sing”
“Timecode”
MELHOR CURTA-METRAGEM EM ANIMAÇÃO
“Blind Vaysha”
“Borrowed time”
“Pear Cider and Cigarettes”
“Pearl”
“Piper”
“Blind Vaysha”
“Borrowed time”
“Pear Cider and Cigarettes”
“Pearl”
“Piper”
MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
“Extremis”
“41 miles”
“Joe’s violin”
“Watani: My homeland”
“The white helmets”
“Extremis”
“41 miles”
“Joe’s violin”
“Watani: My homeland”
“The white helmets”
Passageiros
Jennifer Lawrence e Chris Pratt estrelam a esperada aventura sobre dois passageiros à bordo de uma espaçonave que os transporta para uma nova vida em um novo planeta. A viagem toma uma reviravolta mortal quando suas cápsulas de hibernação os acordam misteriosamente 90 anos antes que atinjam seu destino final. Enquanto Jim e Aurora tentam desvendar o mistério por trás desse defeito, eles começam a se apaixonar um pelo outro… relação que é ameaçada pelo colapso iminente da nave e pela descoberta da verdade por trás do verdadeiro motivo pelo qual eles foram acordados.

Quando nos deparamos com a premissa de Passageiros e vemos o excelente trailer montado para promover o filme, a vontade de assisti-lo é instantânea. Quando se tem no elenco os novos queridinhos de Hollywood Chris Pratt e Jennifer Lawrence, era quase certeza que assistiríamos a uma ficção científica completamente humana e sensível. Porém, ao terminar a sessão, o sentimento é de ter visto mais um blockbuster saído de linha de montagem, com uma sensação de perda de chance de ser um filme mais inteligente do que foi apresentado.
Muito diferente do ótimo A Chegada, que induz ser um filme de invasão alienígena, mas na verdade é um longa em que humanos expõem suas dificuldades de comunicação, Passageiros nos leva ao espaço para conviver com duas pessoas que acordaram 90 anos antes do que deveriam, e estão em uma “ilha deserta” espacial. O trailer prometia explicar que existe um motivo para os dois terem acordado antes, mas na verdade não tem. Você termina o filme e percebe que foi enganado.

Com direção de Morten Tyldum, conhecido pelo ótimo O Jogo da Imitação, e escrito por Jon Spaihts de Doutor Estranho e Prometheus, o filme vende que teríamos uma história que se assemelharia com Antes do Amanhecer, porém no espaço, no qual os personagens seriam protagonistas de diálogos existenciais sobre a vida e como é se deparar prisioneiros em uma nave com um quilômetro de extensão. Ao invés disso, os personagens optam em tentar abrir uma porta que não abre, ir ao bar e jogar video-game.
Por um lado, essa é de fato a reação comum de alguém nessa situação. O filme não peca por fugir da realidade quando o assunto é o vazio humano, mas tem ali uma bagagem que permitia explorar muito mais do que foi explorado… aliás, significados mais complexos só são formados se o público ignora a trama e começa imaginar uma situação semelhante à que os personagens viveram no filme.
O roteiro é tão falho que é preciso colocar o personagem de Laurence Fishburne num determinado momento com uma objetivação que poderia muito bem ser resolvida de diversas outras maneiras. A passagem do personagem é injustificável. O drama criado por questões éticas em cima do personagem de Pratt também se faz uma sobra desnecessária no filme. Os personagens já estão com um dilema grande pare resolver no espaço, não é necessário criar mais problemas a eles.

Por outro lado, o filme ainda tenta fazer algumas homenagens ao clássico dos clássicos espaciais, 2001: Uma Odisséia no Espaço. Mesmo que sutil, o filme mostra que bebeu um pouco dessa fonte (mas quase nada… uma gota). Com fotografias interessantes, conseguimos ter a sensação de vazio que os personagens possuem estando sozinhos em uma imensidão, mas suas atitudes são mais voltadas para filmes adolescentes descompromissados do que dois adultos tentando encontrar a solução de um problema. Lembrou muito um filme que vi na infância que era clássico das sessões da tarde, o Construindo uma Carreira no qual dois personagens ficam presos dentro de um mercado brincando com as mercadorias.
Passageiros é um filme que possui uma premissa excelente e que, se reescrito, poderia se transformar em um novo clássico sci-fi, porém observa-se tanta interferência na produção, que nos foi entregue um filme completamente esquecível, repleto de momentos apenas divertidos, sem complexidade alguma e sem significados mais amplos. Quer ser mais do que realmente é, mas passa longe. Vale a pena para ver os dois grandes astros de Holywood juntos em cena, mas nada mais.
Assinar:
Postagens (Atom)









