quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
"Férias Frustradas de Natal", de Jeremiah Chechik
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Férias Frustradas de Natal (National Lampoon’s Christmas Vacation – 1989)
A indústria de Hollywood já produziu diversos filmes com a temática natalina, mas é difícil encontrar roteiros realmente bons, para cada pérola como “A Felicidade Não Se Compra”, de Frank Capra, existem cinco bobagens inofensivas e/ou constrangedoras. Ao ler o conto original escrito por John Hughes, “Christmas 59”, inspirado nas lembranças de infância do querido e saudoso poeta da juventude, você sente a ternura nostálgica por trás de todas as peripécias cômicas. A adaptação consegue inserir esse tom mágico, especialmente na sequência que mostra o desastrado protagonista, vivido por Chevy Chase, preso no sótão da casa após tentar esconder os presentes dos filhos. Ele então encontra um velho projetor de Super 8, com um registro em vídeo de um Natal de sua adolescência. Ao som da belíssima “That Spirit of Christmas”, na voz de Ray Charles, vemos o personagem vulnerável, humano, algo raro na franquia, genuinamente emocionado com o resgate. A resolução hilária da cena não consegue apagar a pureza do sentimento.
As loucuras da família Griswold para alcançar seus objetivos nunca foram tão bem fundamentadas, Clark, insatisfeito profissionalmente, desejava desesperadamente reencenar a atmosfera da cerimônia de outrora como forma de tentar revisitar a paz de uma época livre de maiores preocupações. Não é simples saudade do ritual coletivo, ele adentrou o universo da maturidade cheio de sonhos e descobriu que a estabilidade profissional é uma prisão elegante. Da mesma maneira que a jornada para visitar o parque “Walley World” no filme original, o leitmotiv do desconforto do adulto com o sistema entrega camadas de interpretação que engrandecem a obra. A frustração com o bônus financeiro tão aguardado acaba explicitando o descaso, a falta de empatia do patrão com o empregado, apenas mais um número na estatística da empresa, alguém cujo nome é frequentemente trocado sem qualquer senso de remorso. Outro ponto bonito que pode passar despercebido é a evolução na relação entre Clark e seu aborrecido sogro, a figura que sempre tem algo depreciativo a dizer, como ao desconsiderar todos os esforços dele na montagem da iluminação externa, mas que, no apoteótico final, quando mais uma vez a família se vê envolvida em um crime, faz questão de ser o primeiro a se levantar do sofá para o apoiar. Vale ressaltar a direção segura de Jeremiah Chechik, em seu primeiro trabalho, comandando com tranquilidade um elenco de peso, com veteranos respeitados como John Randolph, E.G. Marshall, Mae Questel, Diane Ladd e Doris Roberts, dividindo espaço com jovens talentos que viriam a ser reconhecidos na área, como Juliette Lewis e Johnny Galecki.
Uma comédia deliciosa que segue eficiente após várias revisões, um jovem clássico no gênero, obrigatório nessa época do ano.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Chumbo Quente - "A Um Passo da Morte", de André De Toth
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A Um Passo da Morte (The Indian Fighter - 1955)
O primeiro filme da produtora criada por Kirk Douglas, Bryna, nomeada em homenagem à mãe dele, um projeto muito pessoal que fala diretamente aos valores do ator, que optou realizar todas as suas cenas de ação sem a utilização de dublês, com o rigor cênico da direção do competente húngaro André De Toth se destacando em cenas espetaculares como a do ataque ao forte. O roteiro refinado, com toques de humor e sem gordura extra, de Frank Davis e Ben Hecht, adaptando a história original de Robert L. Richards, que utilizou pseudônimo por fazer parte da lista negra do macartismo, utiliza a trama simples como meio para estabelecer importante humanização da figura do índio norte-americano, elemento essencial na caracterização do protagonista, um homem desprovido de qualquer preconceito, antítese de praticamente todos os heróis dos faroestes de John Ford, que é apaixonado pela índia Onahti, vivida por Elsa Martinelli, bela italiana que protagoniza sequências bastante sensuais.
Johnny Hawks é o guia de uma caravana de pioneiros que viaja para as belas paisagens do Oregon, realçadas inteligentemente na fotografia de Wilfred M. Cline pelo Cinemascope e emolduradas pela trilha sonora de Franz Waxman, um homem justo e íntegro que é escolhido para a tarefa por sua relação de amizade com os Sioux, especialmente com seu chefe, vivido por Eduard Franz, um povo que se orgulhava de um histórico violento de contra-ataque. O problema começa quando os personagens vividos por Walter Matthau e Lon Chaney Jr., dois contrabandistas de bebida que ambicionam o ouro da região, aproveitando a ausência de Johnny, derramam o sangue de um índio. A ausência que motivou o ódio foi causada pelo amor, metáfora para os riscos de ser guiado apenas pelo emocional. O texto é muito eficiente ao evidenciar o drama da espoliação de suas terras e a exploração dos homens brancos em troca de álcool, uma atitude extremamente corajosa para a indústria da época, que refletia a visão racista de sua sociedade, quinze anos antes de “Pequeno Grande Homem”, de Arthur Penn.
O discurso de Hawks, alguém avesso à utilização gratuita da violência, para o rancoroso chefe índio no desfecho é poderoso em sua síntese, evocando a necessidade da paz entre os povos para que a próxima geração, a dos filhos resultantes da miscigenação, os frutos da integração, conquistem a real liberdade e, mais que isso, que eles sejam capazes de mantê-la viva a despeito de todos os obstáculos, com a imagem final simbolizando a fragilidade dos seres humanos diante da natureza, o casal sorridente sendo levado pela força da corrente do rio. Por mais valentes que sejamos nas batalhas diárias, não podemos escapar de nossa natureza, nossos ideais, então devemos forjar um caráter sólido, valoroso.
Um bom filme que ainda não ganhou o reconhecimento que merece, sendo usualmente citado apenas pela impecável atuação de Douglas, mérito justo, mas que não supera a mensagem humanista que a trama defende, trabalhada com precisão pelo roteiro.
* Texto escrito para o livro da Mostra "O Último Durão - Centenário Kirk Douglas", organizada por Mario Abbade, realizada na Cinemateca do MAM (RJ), de 25 de Novembro a 11 de Dezembro. |
sábado, 3 de dezembro de 2016
"O Shaolin do Sertão", de Halder Gomes

O Shaolin do Sertão (2016)
Quando Halder Gomes lançou “Cine Holliúdy”, eu enxerguei o potencial não aproveitado, por mais que quisesse gostar do filme, algo em sua estrutura técnica não facilitava nesse sentido. A evolução em “O Shaolin do Sertão” é inegável, o tema abre mais possibilidades, o nível das atuações é melhor, mas alguns problemas ainda são claramente visíveis. O humor popular competente, com origem na tradição circense, remete aos filmes clássicos dos Trapalhões, o que torna a simbologia da simpática presença de Dedé Santana ainda mais forte. O roteiro de L.G. Bayão apenas peca na repetição exagerada de algumas situações cômicas, algo que poderia ser resolvido na sala de edição. O recurso da utilização de expressões do cearencês injeta identidade ao projeto, mas também soa forçado em algumas cenas, piadas que praticamente imploram pela risada do público, quando não há necessidade alguma, já que a trama é engraçada naturalmente.
O conceito de um jovem padeiro nordestino apaixonado por filmes de artes marciais que luta para ser reconhecido como um grande lutador é encantador, resgata a nostalgia do cinema lúdico dos tempos do VHS ao ser ambientado na década de oitenta, com a fotografia espertamente visualizando as sequências de sonho com imagens riscadas e ghosting, simulando a reprodução das fitas. E que tirada genial inserir o comediante e músico Falcão, uma das figuras mais exóticas do cenário popular nacional, como um trambiqueiro que finge ser um mestre shaolin. O ponto alto do filme é o treinamento para a grande luta, com a montagem respeitando a fórmula tradicional que Hollywood consagrou, mas subvertendo insanamente o conteúdo. Só as frases de sabedoria do mestre já são mais engraçadas que comédias inteiras que o cinema nacional despeja anualmente. Edmilson Filho domina as cenas de luta, mas consegue ser mais eficiente ainda nos momentos cômicos, um carisma poderoso que, em uma sequência hilária, alia a segurança técnica na exibição marcial com desenvoltos passos de forró. O menino Piolho, vivido por Igor Jansen, demonstra incrível timing nas piadas, um talento espontâneo, assim como a veterana Fafy Siqueira, que merecia mais espaço no cinema nacional. É uma pena que nossa indústria desperdice profissionais desse nível em produções fracamente roteirizadas e com curtíssimo prazo de validade na televisão.
O combate final é longo, dando espaço para que a técnica marcial coabite com o cativante humor circense, representado pelo juiz palhaço, vivido por Tirulipa. A edição poderia ser menos generosa nessa sequência, mas o resultado não prejudica a experiência. O carisma do protagonista já ganhou o público, algo que é muito difícil de encontrar em produções nacionais similares, normalmente defendidas por comediantes forçados que abusam de berros e dinamismo gestual, quando a genialidade reside na sutileza, na naturalidade transmitida em um texto de qualidade.
"Os Pássaros", de Alfred Hitchcock

Os Pássaros (The Birds - 1963)
Caso minha memória não esteja me pregando uma peça, creio que “Os Pássaros” tenha sido minha primeira experiência com Hitchcock, na época de garimpo adolescente nas locadoras de vídeo. É impressionante como a linguagem cinematográfica, o estímulo sensorial inteligentemente trabalhado, pode conseguir fazer com que um bando de pássaros inofensivos se torne uma perturbadora ameaça capaz de conduzir a sociedade a um cenário apocalíptico.
Muitos comentam sobre a eficiência dos efeitos visuais para a época, mas as sequências mais movimentadas não representam o apogeu de terror que o diretor alcança em momentos silenciosos, como os segundos que antecedem o primeiro ataque no barco de Melanie (Tippi Hedren), ou o simples caminhar lento de um personagem que atravessa um parque onde os brinquedos infantis foram dominados pelos pássaros. A engenhosidade narrativa é impulsionar o filme com o ritmo trivial de uma comédia romântica, conduzindo o espectador até o turning point, mas negando a ele a possibilidade de prever os acontecimentos e, por conseguinte, preparar emocionalmente as reações enquanto passivo elemento diante da tela. Até mesmo a trilha sonora convencional é descartada nesse processo, o que desorienta ainda mais o espectador. É comum encontrar cinéfilos que não compreendem o impacto do filme, até mesmo fãs do diretor que afirmam não gostar dele, o produto final talvez seja o mais experimental em sua carreira, mérito precioso já que ele não precisava provar mais nada, aquele que menos se debruça na padronização retórica do suspense que ele mesmo patenteou.
Os mais dedicados buscaram explicações psicanalíticas, filosóficas e científicas sobre o comportamento dos pássaros, na tentativa de agregar maior valor, mas eu creio que o real pavor do roteiro resida na impossibilidade de se compreender o que ocorre na cidade de Bodega Bay, o medo se intensifica quando cogitamos a hipótese de não haver lógica alguma nesse fenômeno, logo, somos incapazes de estudá-lo, totalmente indefesos.

* O livro escrito por Frank Baker está sendo lançado pela Editora Darkside Books, com o usual refinamento, em Limited Edition (capa dura), fiel à versão definitiva, revisada à mão pelo próprio autor, em 1964.
Se Vavá Indica, Vá!
ESTÔMAGO / ROMANCE DA EMPREGADA / O GORILA
Nas indicações da semana teremos 3 filmes brasileiros. 3 pessoas que não querem estar à margem da sociedade. 3 mundos que se completam. Humor, amor, perdas e ganhos em 3 filmes do bom cinema brasileiro.
Nas indicações da semana teremos 3 filmes brasileiros. 3 pessoas que não querem estar à margem da sociedade. 3 mundos que se completam. Humor, amor, perdas e ganhos em 3 filmes do bom cinema brasileiro.

Filme: ESTÔMAGO
Direção: Marcos Jorge/2007
Onde ver: DVD
Raimundo Nonato está na prisão e conquista “seus amigos” pela boca, é o melhor cozinheiro que um presídio poderia ter. Raimundo Nonato também acaba de chegar na cidade grande onde começa a trabalhar, mas como foi parar na prisão? É o que descobriremos logo depois.
O diretor Marcos Jorge nos mostra as duas vertentes do personagem Raimundo, dentro e fora da prisão ao mesmo tempo e, a comida, o sexo e o poder são os principais ingredientes desse filme sensível e forte e ainda com grande senso de humor. Estômago não é filme para todos os estômagos, mas é uma preciosidade.
O diretor Marcos Jorge nos mostra as duas vertentes do personagem Raimundo, dentro e fora da prisão ao mesmo tempo e, a comida, o sexo e o poder são os principais ingredientes desse filme sensível e forte e ainda com grande senso de humor. Estômago não é filme para todos os estômagos, mas é uma preciosidade.

Filme: ROMANCE DA EMPREGADA
Direção: Bruno Barreto/1987
Onde ver: DVD/ON DEMAND
Fausta é uma mulher batalhadora e vive com seu marido alcoólatra, um dia ela conhece Zé, um homem mais velho, começando uma relação de amizade e interesse.
Fausta, por pouco, não chega a ser vilã, ela é apenas uma mulher que luta para ter uma vida digna, sofredora e batalhadora, quando aparece a oportunidade para se dar bem, nem que seja por momentos, ela agarra este momento. Com várias cenas maravilhosas, uma que se destaca, Fausta e as amigas cantam Roberto Carlos, ” Eu quero ser sua canção, eu quero ser seu tom, me esfregar na sua boca, ser o seu batom…” engraçada e emocionante. O elenco é todo genial, Betty Faria (Casa de Mãe Joana 2) é a protagonista Fausta, que está totalmente entregue ao papel; Brandão Filho é Zé, engraçado e emocional; Daniel Filho (Confissões de Adolescente) é o marido bêbado. E ainda temos as amigas vividas por Vick Militello, Guida Viana, Analú Prestes, Stela Freitas e Duse Nacarati.
Romance da Empregada é um pedaço da vida real, é um querer estar bem e um recomeço eterno.
Fausta, por pouco, não chega a ser vilã, ela é apenas uma mulher que luta para ter uma vida digna, sofredora e batalhadora, quando aparece a oportunidade para se dar bem, nem que seja por momentos, ela agarra este momento. Com várias cenas maravilhosas, uma que se destaca, Fausta e as amigas cantam Roberto Carlos, ” Eu quero ser sua canção, eu quero ser seu tom, me esfregar na sua boca, ser o seu batom…” engraçada e emocionante. O elenco é todo genial, Betty Faria (Casa de Mãe Joana 2) é a protagonista Fausta, que está totalmente entregue ao papel; Brandão Filho é Zé, engraçado e emocional; Daniel Filho (Confissões de Adolescente) é o marido bêbado. E ainda temos as amigas vividas por Vick Militello, Guida Viana, Analú Prestes, Stela Freitas e Duse Nacarati.
Romance da Empregada é um pedaço da vida real, é um querer estar bem e um recomeço eterno.

Filme: O GORILA
Direção: José Eduardo Belmonte/2015
Onde ver: DVD/ON DEMAND
Afrânio foi um dublador de personagem famoso e hoje vive em meio as lembranças-traumas da infância, passando trotes em mulheres com o codinome de Gorila, assim conhecendo Rosalinda, sua vizinha.
Que grande maravilha ver o eterno coadjuvante Otávio Müller (Alemão) sendo totalmente protagonista em uma grande atuação, com coadjuvantes em ótimos desempenhos (Alessandra Negrini, Mariana Ximenes), com roteiro delicioso e cheio de referências, misturando humor, amor, suspense e muitas nuances psicológicas.
Que grande maravilha ver o eterno coadjuvante Otávio Müller (Alemão) sendo totalmente protagonista em uma grande atuação, com coadjuvantes em ótimos desempenhos (Alessandra Negrini, Mariana Ximenes), com roteiro delicioso e cheio de referências, misturando humor, amor, suspense e muitas nuances psicológicas.
“Tamo Junto”, terceiro longa de Matheus Souza, estreia no dia 08.12 e faz humor inteligente repleto de referências da cultura pop
No dia 08.12 entra em cartaz nos cinemas brasileiros Tamo Junto, o terceiro longa do diretor carioca Matheus Souza, com distribuição da Paris Filmes. Aos 28 anos, ele assina como diretor, roteirista e produtor. Os atores Sophie Charlotte, Leandro Soares e Alice Wegmann protagonizam o longa ao lado do próprio Matheus – que pela primeira vez se aventura diante das câmeras em uma divertida crônica sobre amizade e volta por cima.
A trama começa quando Felipe (Leandro Soares) decide terminar o namoro pra se divertir, mas a vida de solteiro se mostra muito mais dura do que ele imaginava. O reencontro com Paulo Ricardo (Matheus Souza) e Julia (Sophie Charlotte), seus amigos de infância, é um mergulho em águas turbulentas: o trio se vê obrigado a questionar valores, abandonar certezas e refazer a rota, numa história recheada de metalinguagem e referências da cultura pop.
“’Tamo Junto’ dialoga com minhas comédias favoritas da adolescência”, conta o diretor. “Ao mesmo tempo que se conecta com os tradicionais filmes de personagens em busca de amor ou de sexo, tenta desconstruir, inverter e brincar com o que se espera dos papéis masculinos e femininos nesses filmes. Então tentei criar um longa sobre dois protagonistas masculinos onde a masculinidade excessiva e antiga sempre soasse patética. Toda vez que os personagens buscam um clichê machista, eles se ferram. E o caminho certo é sempre através de um sentimento mais sincero e humano”, aponta.
Embora rejeite o rótulo de “voz da sua geração”, Matheus vem sendo celebrado pela habilidade em retratar a juventude de hoje, que cresceu imersa em tecnologia. “Minha geração é a primeira criada com a Internet, agora se tornando adulta. O que fazer com todo o conhecimento do mundo nas nossas mãos? É uma geração que assiste vídeo de gatinhos e que se posiciona politicamente na mesma intensidade”, brinca. “Como tema ela é fascinante”.
É da observação dessa juventude que nascem as histórias narradas por Matheus com humor peculiar e diálogos ágeis repletos de ironia e referências a séries, games e os memes que povoam as redes sociais.
O filme encerra o que Matheus batizou “trilogia de baixo orçamento”, composta ainda por “Apenas o fim” (2008) e “Eu não faço a menor ideia do que tô fazendo com a minha vida” (2012). O primeiro, escrito e dirigido por Matheus aos 19 anos, lhe rendeu os prêmios de melhor filme pelo Júri Popular no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de uma menção honrosa do Júri Oficial no Rio e passagem por prestigiosos festivais internacionais como Miami e Rotterdam.
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