quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

[Resenha/Crítica]: EmCurta 2016 – Festival de vídeos universitários



EmCurta é um festival onde estudantes universitários, não somente da instituição que promove, podem divulgar trabalhos e conhecer mais sobre a 7° arte, neste ano o evento contou com uma novidade a Mostra Informativa de  Curtas-Metragens, voltada para alunos do ensino médio. O Cinema Detalhado esta explorando novos caminhos, como o uso do cinema que vai além do entretenimento, que comunica, informa, ensina e tem papel social. O festival consistiu em três sessões para exibição dos trabalhos, os mesmos são divididos em quatro categorias: Publicidade, Ficção, Reportagem e Documentário. Por ser um evento focado em alunos dos cursos de comunicação social as produções possuem um grande conteúdo informativo. Chama-se a atenção pela qualidade e roteiro de alguns dos trabalhos, podendo citar “Guerreiras do Cotidiano” uma reportagem sobre a vida de mulheres que trabalham como vendedoras ambulante numa rodovia carioca, impressiona pela qualidade visual, trilha sonora e história marcante. Podemos mencionar também o curta “Ororo” que mostra a vida de um professor de artes que se transforma em drag queen, nele é possível ver alegrias e preconceitos vividos. O Festival tem seu encerramento hoje às 19:00 horas na sala 1 do cinema, Unigranrio – Campus I – Duque de Caxias. Logo postaremos a crítica dos curtas vencedores em cada categoria.

Dicas de fim de semana. Vá de Metrô!

Muita gente já está se preparando para as festas de fim de ano. Mas ainda há tempo para curtir a agenda cultural da cidade, que promete grandes atrações para este mês de dezembro. Aqui estão algumas para o fim de semana e outras que acontecem durante a semana, sempre em locais próximos às estações de metrô.

Bom Divertimento!
MetrôESTAÇÃO BRIGADEIRO
Estação Brigadeiro

Quando o 14-Bis completa 110 anos, seu criador Alberto Santos Dumont (1873-1932) é homenageado com o acervo da Coleção Brasiliana do Itaú.

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MetrôESTAÇÃO SANTUÁRIO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA-SUMARÉ
Estação Santuário Nossa Senhora de Fátima-Sumaré

Paralela ao Festival de Cinema Italiano, a exposição Cinema & Saudação retoma a história cinematográfica da Itália com objetos, documentos, figurinos e ilustrações.

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MetrôESTAÇÃO BELÉM
Estação Belém

Encerrando projeto do curador Paulo Myada no Sesc Belenzinho, Estou Cá traz, entre outras obras, um conjunto inédito de trabalhos de Paulo Bruscky.

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MetrôESTAÇÃO TRIANON-MASP
Estação Trianon-Masp

Com a finalidade de resgatar, qualificar e teorizar o que há por trás destes símbolos, mascotes e personagens, o Instituto Cultural ESPM recorreu às coleções de Giacomo Favretto, fotógrafo, e Evandro Piccino, pesquisador e estudioso.

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“O Filho Eterno” trata da síndrome de Down sem idealizar a paternidade


“Não foi isso que eu planejei pra nossa vida. Não foi isso que eu planejei pra mim!”, desabafa Roberto, personagem de Marcos Veras no filme O Filho Eterno. A frustração do protagonista, desnorteado com o nascimento do filho com síndrome de Down, se reflete na audiência. O longa de Paulo Machline trata da redescoberta do amor na paternidade e aceitação da diferença, mas a jornada é tortuosa. Roberto é inseguro, até mesmo perverso no seu desespero. No choque inicial da notícia, ele chora de alívio ao ler que crianças com Down “morrem cedo”.

“O Roberto não quer se desfazer daquele filho. Ele quer encontrar um jeito de amá-lo. E só com o tempo que ele consegue colar esses pedaços que estão quebrados na sua vida. Embora o personagem fale algumas barbaridades, se deixe consumir pela raiva, essa jornada é necessária. O ser humano precisa de tempo pra compreender as coisas. Para se recuperar de um trauma, você tem que encarar o tempo como uma solução”, afirma o diretor em coletiva de imprensa realizada no último dia 22, em São Paulo.

A produção, que estreia nacionalmente amanhã (1º), é baseada no romance autobiográfico homônimo de Cristóvão Tezza, publicado em 2007. Na adaptação para o cinema, a trama se passa em Curitiba (PR) no inicio dos anos 1980, em uma época de desinformação a respeito da síndrome de Down. O preconceito motiva Roberto a buscar “a cura” da criança, uma inquietação que passa a abalar o relacionamento com a esposa Cláudia (Débora Falabella). Enquanto ela só quer tentar oferecer uma vida normal ao menino, Roberto enxerga nele o fim de seus sonhos de se tornar escritor.

“Mãe ela já é. Ela já tem um laço de afeto com aquela criança que ela gerou, amamentou. Do outro lado, temos um pai que ainda não entende esse afeto. Mas o interessante é que o filme olha sem julgamentos. É um processo doloroso de descoberta, mas é muito humano”, diz Débora Falabella.

Na busca por realização pessoal, Roberto se distancia da família com suas aventuras amorosas e escapadas para o bar. Se torna um personagem trágico, como uma das suas poesias. Um desafio para o ator, conhecido por seus papeis na comédia. “Esse é o meu principal personagem no drama. É o meu maior desafio. Mas dificuldade não está em ser um drama. E sim pela complexidade do personagem, pela delicadeza do tema. Por ser um tabu ainda tocar nesse tipo de assunto”, revela Marcos Veras.

O que suaviza a história é a ingenuidade de Fabrício, interpretado pelo ator-mirim Pedro Vinícius. É seu amor incondicional pelo pai e, especialmente, pelo futebol, o ponto de conexão da história. A narrativa é marcada pela performance da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo, começando com a desilusão da eliminação da seleção de Zico em 1982 até a conquista do Tetra em 1994. Uma metáfora dos altos e baixos da relação de Roberto e Fabrício.

“No livro, o futebol sempre foi uma trégua na relação entre o Cristóvão e o seu filho Felipe, que é torcedor fanático do Atlético Paranaense. O esporte era uma forma de se unirem. Na nossa adaptação, a seleção brasileira foi escolhida por marcar muito claramente a passagem do tempo na narrativa. E, é claro, foi um prazer fazer aquilo, reviver aqueles momentos, como a Copa de 94”, revela o diretor.

Veras conta que a espontaneidade do garoto durante as gravações foi uma experiência de vida, que o impactou profundamente. “A gente teve uma preparação de ir pra Curitiba algumas semanas antes, pra conviver com o Pedro. Em meia hora, já éramos amigos. Ele dá uma rasteira na gente nesse sentido, como toda criança. Apesar do tema ser denso e forte, o processo foi muito feliz. Aconteceu de uma maneira natural comigo, com a Débora, com todo elenco. Ninguém entrou nesse filme e saiu diferente”, garante.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Programação Itaú Cultural - 1 a 15 de dezembro


Gargalheira, de Sidney Amaral | foto: João Liberato

Diálogos Ausentes | Mostra

Ao longo de 2016, a série de encontros Diálogos Ausentes discutiu a obra e a presença de artistas negros nos campos das artes visuais, do teatro e do cinema brasileiros. Com curadoria de Diane Lima – mediadora dos debates – e Rosana Paulino, a exposição reúne trabalhos de 16 dos nomes que participaram das conversas.
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foto: Ilana Bar
||Entre|| – Arte e Acesso
O Itaú Cultural realiza a segunda edição do evento, que tem como tema Acessibilidade, Arte e Cultura. As atividades reúnem artistas com diversos tipos de deficiência e de diferentes áreas de expressão para explorar os universos da arte e da cultura sob o viés da acessibilidade.

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foto: Gal Oppido
Show de Renato Anesi 
O músico e compositor lança um olhar diferente sobre o choro no show Todo Mundo Chora. 

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foto: Alecio Cezar
Concerto de Ispinho e Fulô 
Homenagem a Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares do Brasil, a peça de teatro aborda a cultura do sertão nordestino, a identidade nacional e a luta pela igualdade.

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divulgação
Fim de Semana em Família – 3 e 4 de dezembro 
Em diálogo com a Ocupação Abdias Nascimento, o instituto apresenta duas atividades para as crianças e seus acompanhantes: a Oficina de Adinkra, com o Coletivo Manifesto Crespo, e o espetáculo A Casa de Irene, do Grupo Teatral Saga.

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divulgação
Acompanhe no Blog Rumos os projetos selecionados pelo programa.
divulgação
Faça uma visita virtual pelo Espaço Olavo Setubal.

"Snowden", de Oliver Stone


Snowden - Herói ou Traidor (Snowden – 2016)
Em seu primeiro projeto de ficção filmado com câmeras digitais, Oliver Stone entrega seu melhor trabalho desde “Assassinos por Natureza”, de 1994. O roteiro escrito com Kieran Fitzgerald, do excelente western “Dívida de Honra”, injeta referências da cultura pop que vão do anime “Ghost in The Shell”, que também lida com os questionamentos morais de soldados trabalhando para o governo, até o clássico “1984”, de George Orwell, uma obra que traça um paralelo perfeito com o caso abordado na trama.

O péssimo título nacional, sintomático do nível educacional de uma nação onde tudo precisa ser mastigado antes de ser disponibilizado para o público, propõe um julgamento que não é coerente à proposta do diretor. Edward Snowden fez algo espetacular, sacrificou a possibilidade de uma vida tranquila e financeiramente estável por não conseguir agir contra os seus princípios. Ao descobrir que a Agência de Segurança Nacional norte-americana estava conduzindo um monitoramento abusivo e invadindo a privacidade de pessoas comuns, rastreadas por ações banais em suas redes sociais, ou apenas por estarem relacionadas a alguém que, por exemplo, escreveu alguma palavra-chave suspeita numa ferramenta de busca, o rapaz sentiu que não conseguiria ficar em paz com sua consciência, ele expôs toda a verdade sobre os serviços de espionagem para o jornalista Glenn Greenwald, atitude que virou o mundo de cabeça pra baixo em 2013. O governo quer a cabeça dele, o que é compreensível, mas não há atitude mais heroica na história recente. Eu recomendo como impecável complemento o documentário “Citizenfour”, de Laura Poitras, que registra os encontros secretos entre Snowden, Greenwald e a diretora, momentos que são reencenados com elegância pelas lentes de Stone.

Joseph Gordon-Levitt realiza um trabalho assustadoramente competente, conseguindo captar com riqueza de nuances os trejeitos e a voz do protagonista, compondo uma caracterização tão fiel que, mais tarde, quando o próprio Snowden é mostrado, o espectador não sente qualquer abalo na imersão, o recurso potencializa o investimento emocional e não soa forçado. É curioso que seja mostrado em flashback o sofrimento do personagem ao ser afastado do exército, após um tolo acidente, como forma de estabelecer a motivação inicial do jovem, alguém que comprou o ilusório sonho americano e que enxergava os rituais militaristas como a mais digna representação de patriotismo. Em seu arco narrativo, ele vai de um ingênuo idealista fã da escritora Ayn Rand que se incomoda quando algum cidadão critica seu próprio país, até se tornar um pária tido por parte da opinião pública como um traidor da nação. E o roteiro dedica tempo generoso à relação romântica com a namorada, vivida por Shailene Woodley, o que pode frustrar quem procura algo mais focado nas questões políticas. A intenção clara é fazer com que o público se identifique com o protagonista, buscando entender o escopo brutal do sacrifício, o incômodo sentido ao perceber que a omissão é o pior crime que pode ser cometido. Como é salientado em uma das cenas mais impactantes, o que se pode esperar de dignitários que são capazes de qualquer coisa, até mesmo utilizar o conceito da ameaça terrorista em um povo já doutrinado diariamente pela cultura do medo a “deixar o dedo no gatilho”, como bem mostrou Michael Moore em seu documentário “Tiros em Columbine”, como atroz desculpa para operar total controle social? Como prever o que será feito por aqueles que não possuem escrúpulos?

É impressionante constatar que o material que era tido como ficção científica altamente engenhosa outrora, o Grande Irmão orwelliano, acabou se tornando uma preocupante realidade. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

BERNADETTE LYRA FALA NO ‘DIVERSIDADE EM CIÊNCIA’ (RÁDIO USP) SOBRE PERSONAGENS FEMININAS NA LITERATURA.


[A entrevista vai ao ar na segunda-feira (28 de novembro), às 13 horas, com reapresentação no sábado (3 de dezembro), às 14 horas]

No ‘Diversidade em Ciência’, Ricardo Alexino Ferreira entrevista a escritora e professora Bernadette Lyra, que irá falar sobre as personagens femininas em suas obras literárias.

Ela é doutora em Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e tem pós-doutorado pela Université René Descartes/ Sorbonne (Paris V). Bernadette também ocupa a Cadeira número 1 da Academia Espírito-Santense de Letras (AEL).

A autora já produziu mais de onze obras literárias, entre romances, novelas, contos. As suas obras produzem paisagens literárias, pois são eficientemente fusão de literatura e cinema.

Durante a entrevista, Bernadette Lyra irá falar sobre as suas personagens femininas presentes em todas as suas obras, que segundo ela podem ser heroínas (ou anti-heroínas) trazendo as questões das mulheres como seres históricos e contemporâneos.

Nascida em Conceição da Barra, no interior do Espírito Santo, Bernadette é fiel às suas origens e quase todos os seus romances são ambientados no território capixaba.

Sutilmente é possível perceber em Bernadette os princípios do sociólogo canadense Marshall McLuhan que fala sobre o conceito de aldeia global, em que pequenas aldeias podem se transformar em universais.

Assim, através das suas heroínas (ou anti-heroínas), muitas delas inspiradas em personagens históricas capixabas, a autora faz de Conceição da Barra o universo, pela literatura.

A autora irá falar sobre a sua mais recente obra “A capitoa”, lançada pela editora Casa da Palavra. Irá falar também do romance “A panelinha de Breu” (editora Estação Liberdade) e os seus outros livros, totalizando mais de onze.

Bernadette Lyra é professora titular do Mestrado em Comunicação Audiovisual da Universidade Anhembi-Morumbi, de São Paulo.

O ‘Diversidade em Ciência’ é um programa de divulgação científica, voltado para as ciências da diversidade e vai ao ar toda segunda às 13 horas, com reapresentação aos sábados, às 14 horas, com direção e apresentação de Ricardo Alexino Ferreira e operação de áudio de João Carlos Megale.

O programa é gravado no estúdio do Departamento de Comunicações e Artes/Educomunicação da ECA-USP.

A Rádio USP-FM pode ser sintonizada em 93,7 MHz/SP ou pelo link http://www.radio.usp.br/?page_id=5404

Texto: Ricardo Alexino Ferreira
Foto: Mauro Teles.