quinta-feira, 27 de abril de 2017

Programação Itaú Cultural - 1 a 15 de maio de 2017


imagem: André Seiti

Ocupação Conceição Evaristo

A 34ª edição do programa Ocupação homenageia uma das vozes mais relevantes e necessárias da literatura brasileira contemporânea: a escritora mineira Conceição Evaristo. Na mostra, sua trajetória é revisitada por meio de cartas, fotos, objetos pessoais e manuscritos de contos e poemas.
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imagem: Dani Gurgel | Da Pa Virada
Programação de Música
A primeira quinzena do mês conta com dois shows: Ana Muller, que lança seu primeiro EP no dia 5, e Vanessa Moreno, que lança seu primeiro disco solo no dia 11.

imagem: IMATRA
Programação de Teatro
Duas peças integram a programação de teatro da primeira quinzena: Se Eu Fosse Iracema O que Você Realmente Está Fazendo É Esperar o Acidente Acontecer.

imagem: Divulgação
Programação de Dança
Bate-papo com a bailarina Angel Vianna, registro do depoimento da artista Aracy Evans para a série documental Figuras da Dança e o espetáculo Amanhã É Outro Dia.

Diálogos Ausentes
A série realiza o segundo encontro de seu ciclo de debates voltados para o campo da literatura. Participam do encontro Mariana Matos, Oswaldo de Camargo, Janine Rodrigues Nascimento e Roniel Felipe.

imagem: André Seiti
Entrevista com Erica Mizutani, artista que coloriu a fachada do Itaú Cultural
Inscrições prorrogadas: Observatório Itaú Cultural de Pesquisa em Economia da Cultura 2017

"12 Homens e Uma Sentença", de Sidney Lumet


12 Homens e Uma Sentença (12 Angry Men - 1957)

É possível escutar os tambores de guerra no horizonte, vivemos tempos sombrios, líderes políticos promovendo ódio, segregação cruel, valores invertidos em todos os níveis da sociedade, medo e dor, angústia e fome, o mundo parece estar nas mãos de loucos e psicopatas, o apedrejamento nunca foi tão incentivado nas redes sociais, justiceiros virtuais que compartilham notícias falsas e são facilmente manipulados, aderindo a modismos imediatistas, frases repetidas pelo prazer de se sentir parte da manada, gostos moldados servindo aos interesses dos titereiros, vivemos a era da informação ao alcance de todos, mas grande maioria do povo perdeu o elemento fundamental do interesse.

Um adulto alfabetizado que enxerga alguma verdade na estratégia torpe de um programa televisivo que melhora seus pontos de audiência com uma polêmica grosseiramente engendrada. Um jovem alfabetizado que aplaude fervorosamente um político estúpido defensor do clássico “direitos humanos para humanos direitos”. Figuras que respiram, comem, caminham e falam, mas não passam de zumbis em estado vegetativo, intelectualmente vazios. O mundo precisa urgentemente de pessoas como Davis, o personagem vivido por Henry Fonda.

O roteiro gira em torno do julgamento de um jovem porto-riquenho que é acusado de ter matado o próprio pai. Doze jurados são convocados para decidir a sentença. Onze deles, movidos por razões egoístas e por puro preconceito, votam sem pensar duas vezes pela condenação. O jurado número oito (Fonda) é um homem de caráter íntegro, ele acredita que o jovem deve ser considerado inocente até que se prove o contrário. Os seus colegas se revoltam com essa atitude, a pequena sala de júri é abafada, o calor intensifica os ânimos. Não há qualquer senso de empatia deles pelo rapaz, uma vida dispensável, o estranho responsável por aquela tarde perdida. A voz dissonante é a mais baixa na mesa, o homem introvertido, elegante, de poucos gestos, o rebelde que pede apenas para que seus pares argumentem, dedicando tempo ao caso, atenção sincera, em suma, um clamor por humanidade.

O senso comum forja verdades frágeis, convicções são alimentadas por sentimentos pequenos, a memória é capaz de criar situações impossíveis, as provas teoricamente inabaláveis podem ser aniquiladas caso analisadas por outro ponto de vista, o ser humano enxerga aquilo que quer ver, projetando no outro as suas frustrações e desejos mais íntimos. O brilhante diretor Sidney Lumet, trabalhando o roteiro de Reginald Rose, reduz ao máximo o espaço cênico, a trama se passa quase que inteiramente nesse único local, uma decisão muito acertada. O suspense é estruturado nos diálogos, no embate franco de ideias. A solução se dá a partir do questionamento, recurso cada vez mais raro em nossa sociedade.

É fundamental que os seres humanos despertem desse coma existencial, não é possível que essa tragédia anunciada não possa ser evitada. A minha esperança reside naquele indivíduo que, contra todas as probabilidades, levanta a mão e pede a palavra, ousando confrontar o pensamento medíocre dominante.

"Zero de Conduta", de Jean Vigo


Zero de Conduta (Zéro de Conduite - 1933)

É um exercício interessante analisar como esse média-metragem influenciou o mundo da arte, em suas várias vertentes. “Os Incompreendidos”, o nascimento da Nouvelle Vague pelas mãos de François Truffaut, referência mais óbvia, conta até com uma homenagem direta na sequência que acompanha o grupo de crianças se perdendo conscientemente pela cidade, quando deveriam seguir o mestre, quebrando o código de conduta. Você pode enxergar inspiração também em “If”, de Lindsay Anderson, “The Wall”, disco seminal do grupo Pink Floyd, ou no filme adolescente “Clube dos Cinco”, de John Hughes. O roteirista/editor/diretor francês Jean Vigo faleceu antes dos trinta anos, mas deixou um legado precioso. Com menos de três horas, reunindo todos os seus trabalhos, o rapaz simplesmente redefiniu as regras do jogo.

O tema sempre me agradou, li na infância “Os Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Molnár, experiência que gravou em minha mente várias passagens até hoje, o conceito de utilizar crianças se rebelando é pleno em simbologia, como se a pureza de caráter se revoltasse contra o corruptível mundo adulto. Paulo Emílio escreveu dois livros sobre a obra de Vigo, verdadeiros tesouros, abordando até mesmo a influência do pai na vida profissional do filho. Mas ver “Zero de Conduta” automaticamente surpreende pelo frescor de estilo, não há sinal de pedantismo desejoso de aceitação pelos intelectuais, a abordagem é despida de tudo aquilo que não é natural. Os recursos artificiais, o belo slow motion na guerra de travesseiros, jump cuts, servem para potencializar a força anárquica das ações, o revide ao encarar a repressão das figuras de autoridade. Claro que a obra sofreu censura na época, sendo liberada apenas após a Segunda Guerra Mundial. Vigo resgatou no filme, com muito humor, as suas lembranças de infância, época em que a imaginação rege o universo de possibilidades escancaradas no futuro. E, em sua visão, o sistema educacional é falho, objetivando mais o encarceramento físico e ideológico dos alunos, inserindo crianças em um molde limitado, permitido na sociedade, que elimina qualquer impulso artístico como embrião revolucionário.

A pouca experiência do diretor, somada às dificuldades técnicas, incentivaram o rapaz a subverter as convenções narrativas, abandonando a linearidade, garantindo uma caligrafia única, com a criatividade atuando livre de qualquer amarra, um tratado libertário, representado pelo desfecho com as crianças correndo pelos telhados da instituição. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Cine Bueller - "O Rapto do Menino Dourado", de Michael Ritchie



O Rapto do Menino Dourado (The Golden Child - 1986)

Esse filme, com a dublagem espetacular de Mario Jorge, fez minha infância mais feliz. Em uma época sem internet, a garotada ficava repetindo na sala de aula as frases do filme, como: “Eu quero o punhal”, “Não, nem morto, nojo”, “Só quero umas batatinhas”, “Viva o Nepal”, “Tira essa meleca do casaco antes que ela congele e arranhe você”, “É a continuação de um livro chamado: Tora Doce, sobre toras confeitadas”, “Você viu um anãozinho hare krishna nu por aí, correndo com uma nota de cem dólares? ”, “Me engana que eu gosto” e “Parece um bagulhão, passa a língua e fuma”. E todos entendiam o contexto, porque ele havia sido exibido na “Sessão da Tarde” do dia anterior. Lançado na mesma época que o tematicamente similar “Os Aventureiros do Bairro Proibido”, muitos se referem a ele como um dos primeiros escorregões na carreira de Eddie Murphy, não consigo entender o argumento, considero superior a “Um Tira da Pesada” e “48 Horas” juntos!

O roteiro foi escrito por Dennis Feldman, responsável por um dos melhores filmes adolescentes dos anos oitenta: “Quase Igual aos Outros” (Just One of The Guys), inserindo o tipo urbano malandro de Murphy em um cenário de exótico misticismo, com personagens que poderiam ter saído das aventuras fantásticas de Ray Harryhausen, como a mulher dragão. O equilíbrio perfeito entre humor e ação dá o tom da missão que é dada pela linda Charlotte Lewis ao investigador especializado em localizar crianças perdidas: Salvar o Menino Dourado, a criança que nasce a cada mil anos com o poder de espalhar o bem, ou o mal, pela face da Terra, das mãos do demônio vivido com sobriedade shakespeariana pelo sempre competente Charles Dance. O projeto inicialmente seria protagonizado por Mel Gibson, mas acabou tendo que ser modificado radicalmente com a entrada do comediante que estava em franca ascensão. O diretor Michael Ritchie vinha do sucesso com “Fletch – Assassinato por Encomenda”, veículo para Chevy Chase. É perceptível que ele deu sinal verde para improvisações, o elenco se mostra bastante relaxado, sentimento que é transmitido para o espectador e consegue transformar diálogos, no papel, comuns, em material cômico de alto nível.

Vale destacar o exemplo mais deliciosamente cara de pau de product placement, a cena da latinha dançante de Pepsi, ao som de “Putting on the Ritz”, produzida pelos magos da ILM, de George Lucas, utilizando técnica pioneira que depois seria trabalhada em “Uma Cilada Para Roger Rabbit”. Para a criança brasileira que estava acostumada a ver o Bocão da Royal jogado de qualquer maneira nas cenas dos filmes dos Trapalhões, esse refinamento publicitário era uma lufada de ar fresco. 

"Vida", de Daniel Espinosa


Vida (Life - 2017)

O filme dirigido pelo sueco Daniel Espinosa é um terror sci-fi extremamente competente, infelizmente prejudicado pelo setor de marketing que o vende como uma homenagem ao “Alien” de Ridley Scott. Esse tipo de estratégia causa um problema grave, insere o elemento da expectativa na equação.

É tolice comparar o cenário da indústria hoje com o do final da década de setenta, o ritmo da narrativa do clássico hoje não seria aceito pela garotada imediatista que vai para a sala escura para extravasar as frustrações sociais, falar alto e frequentemente checar mensagens no celular. Se o filme antigo, exatamente como ele é, tivesse sua estreia hoje, seria um fracasso nas bilheterias. É uma triste constatação de como a sociedade culturalmente deu passos largos para trás. A informação hoje precisa ser transmitida com rapidez publicitária, o roteiro apresenta os personagens, insere o conflito e conduz, com muita ação, até o desfecho, essa é a fórmula. E, como crítico e público, aplaudo sempre que vejo um projeto no gênero que ousa se desviar dessa armadilha.

O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick não cria algo especialmente novo, mas utiliza um modelo desgastado como laboratório criativo, a câmera caótica no início desorienta o espectador, aproveitando a falta de gravidade no ambiente, refletindo o estado psicológico dos astronautas, longe de seus familiares e forçados a um convívio alimentado por sentimentos essencialmente artificiais. Com poucas cenas, não mais que vinte minutos, o companheirismo é estabelecido eficientemente. Ao mostrar eles respondendo questões de crianças no monitor, ou carinhosamente saudando o colega que acaba de conhecer em uma transmissão de vídeo o seu filho recém-nascido, o espectador é levado naturalmente a se importar com aqueles indivíduos, mérito que merece ser salientado. O elenco ajuda nesse sentido, o foco não é a construção de personagens, mas Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Olga Dihovichnaya e Aryion Bakare são carismáticos o suficiente, ainda que com poucas oportunidades dramáticas.

Quando a ameaça alienígena se faz presente, visualmente inofensiva a princípio, “Vida”, não tendo nenhuma relação com a criação de Ridley Scott, acaba se mostrando mais fiel ao espírito perturbador do primeiro “Alien”, que as sequências oficiais protagonizadas pelo xenomorfo. Outro ponto que merece ser ressaltado é a forma como a trama termina, utilizando um truque que sintetiza a mágica do cinema, a montagem como o ilusionista. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Como Hollywood trabalha a figura de Jesus


Quando o cinema aborda temas religiosos, dificilmente faz de forma original. Há basicamente duas maneiras de se tocar no assunto, com exagerada reverência, ou correndo os riscos de se abraçar a contestação crítica. Não existe o meio termo. Algumas das melhores obras que a sétima arte nos legou no passado tocam exatamente nestes temas. Produções grandiosas como “A Bíblia” (1966), do lendário John Huston, prestam-se a forçar no didatismo, deixando de lado a fluência de um ritmo mais cinematograficamente sedutor, favorecendo a retratação simples de várias passagens do livro sagrado católico. A longa duração não ajuda a tornar a experiência mais agradável, criando um enfadonho e nada orgânico retrato dos textos milenares. Problema parecido sofre o pomposo “A Maior História de Todos os Tempos” (1965), de George Stevens, com Max von Sydow interpretando um Jesus um tanto quanto apático e pouco marcante. De qualquer modo, a culpa não pode recair no ator, mas no roteiro truncado e, para piorar, na direção megalomaníaca (a várias mãos) e perceptivelmente desorientada. No cinema mudo, o diretor francês Carl Theodor Dreyer eternizou a imagem de Renée Falconetti como uma sofrida Joana D’Arc no ótimo “A Paixão de Joana D’Arc” (1928). Algo raro, mesmo o filme sendo contrário à igreja católica, conseguiu entrar na seleta lista dos indicados pelo Vaticano.


Existem filmes de menor apuro técnico com o intuito central, não menos importante neste gênero, de doutrinar o público. Essas produções podem ser encontradas aos montes nas seções religiosas das locadoras, estampando por vezes em suas capas artistas renomados. Estas obras não possuem méritos que as tornem referências. Honestamente, eu prefiro aquelas incursões de diretores autorais e com roteiros audaciosos, como “A Última Tentação de Cristo” (1988), de Martin Scorsese. O filme nos propõe uma instigante releitura da vida de Cristo que evita as suas virtudes divinas e dedica generosa atenção às suas inconfessáveis fraquezas humanas. Considerado pela igreja católica como algo abrasivo e herético, acabou sendo proibido em diversos países. Baseado no ótimo livro de Nikos Kazantzakis, o roteiro se foca no conflito interior entre o messias predestinado por Deus ao derradeiro sacrifício e o homem comum, que ambiciona constituir família e desfrutar de uma vida pacífica em pleno e confortável anonimato. Em sua ânsia de proteger o legado de Cristo (e, claro, seus próprios interesses), a igreja deixou de perceber o quanto o filme é essencialmente cristão. Scorsese apenas mostra durante as quase três horas de duração uma alucinação de Jesus já na cruz, garantindo que, ao final, ele esteja consciente de que seu suplício final era necessário. Não existe nada de herético em se apresentar uma segunda versão, ainda mais quando ela não tem pretensão alguma de ser vista como a oficial. Afinal, se nós somos criações à imagem e semelhança de “Deus”, porque ele se furtaria a refletir o que temos de mais humano, a nossa própria natureza cheia de conflitos? Esta releitura de Scorsese e Kazantzakis, junto ao roteirista Paul Schrader, mostra-se muito mais interessante que a concepção tradicionalmente acatada, tão destituída de humanidade.


O diretor húngaro Ladislao Vajda filmou em 1955 o terno e sensível “Marcelino Pão e Vinho”, que trazia como protagonista o jovem e carismático Pablito Calvo. A obra cativou públicos de todas as idades com a história de um menino órfão que é deixado em um mosteiro. Solitário e ingênuo, o pequeno acaba fazendo amizade com uma enorme estátua do Cristo crucificado, com a qual conversa. É encantadora a forma como a trama trabalha a pureza da criança. O meu filme favorito do gênero, o responsável por minha paixão pelo cinema, como já citei em textos anteriores, não aborda centralmente Jesus, mas acredito que é o que melhor se utiliza de sua figura: “Ben-Hur” (1959), de William Wyler, com Charlton Heston no elenco. No épico embate entre o judeu vivido por Heston e seu inimigo romano, vivido por Stephen Boyd, na clássica corrida de quadrigas, existe uma motivação muito bem construída. Judah Ben-Hur outrora havia sido um príncipe. Ele perdeu tudo após ser traído por seu amigo de infância: Messala, que cresceu e se tornou um centurião romano ambicioso e arrogante. Após uma infeliz tragédia, o príncipe vê sua vida destruída ao ser levado para as galés. 


O roteiro deixa claro que a cada virada de seu remo, o ódio e o desejo de vingança crescia nele, junto à angústia de não saber o paradeiro de sua mãe e irmã, abandonadas no vale dos leprosos. Na obra literária de Lew Wallace e na versão muda de 1925, o personagem de Jesus e o contexto bíblico são muito presentes, quase que dividindo a obra em duas partes distintas. Na celebrada refilmagem, Cristo se mostra menos presente visualmente, mas seus atos ecoam ao longo de toda projeção. Ele ensina ao jovem revoltado que o caminho da espada nunca é solução, o ódio só alimenta o ódio, a maior rebeldia em um mundo corrupto é se manter íntegro. Outro grande acerto dos produtores foi não mostrar seu rosto, fazendo com que sua presença fosse notada pelo uso magistral da impressionante trilha sonora de Miklos Rozsa. Wyler não quis fazer sermão para ninguém, apenas contar uma bela história que poderia ter como pano de fundo qualquer período histórico. Acredito que este filme transcende qualquer tipo de limitação filosófica, religiosa ou cultural.

Mesmo um ateu pode perceber que a história de Jesus tem todos os elementos de um grande herói mítico, com a glória, queda e a redenção ao final. Mel Gibson conseguiu transpor a sua visão da queda de maneira excruciante no ótimo “A Paixão de Cristo” (2004). Poucas cenas são tão emocionantes quanto uma desesperada Maria indo socorrer seu filho caído no chão, após não ter suportado o peso da cruz. A beleza da edição, que intercala o momento trágico com um flashback da mãe e do filho ainda criança, aliado a uma linda trilha sonora de John Debney, já valem a experiência difícil de assistir o sofrimento que o diretor intencionalmente nos mostra ao longo da projeção. Uma obra completamente antagônica à visão de Gibson é “Rei dos Reis” (1961), do mestre Nicholas Ray. Aproveitando o sucesso que os épicos religiosos estavam fazendo na época, com filmes como “Os Dez Mandamentos”, “Quo Vadis” e “O Manto Sagrado”, Hollywood decidiu dar uma face ao personagem central do catolicismo. Escolheram para esta missão o jovem Jeffrey Hunter, que possuía fama de bom moço e nunca havia se envolvido em nenhum escândalo que abalasse sua persona pública. O filme, narrado por Orson Welles, reconta de forma bastante didática e poética os eventos descritos no Novo Testamento. Com a ajuda da imponente trilha de Miklos Rozsa são apresentadas cenas de incrível beleza estética, que acabaram tornando-se referências no gênero. Passagens como o sermão da montanha exalam refinamento e emocionam sobremaneira. É, sem dúvida alguma, a versão cinematográfica de Jesus mais elegante já realizada. 


Já o italiano Franco Zefirelli exagerou no didatismo em seu monumental “Jesus de Nazaré” (1977), esquecendo que estava criando um produto para todos os tipos de público, não uma exibição de slides para uma palestra católica. Rico em informações, mas estruturalmente fraco e com esparsos momentos de genuína emoção. O grupo inglês Monty Python, com sua genial verve cômica, nos convida a ver a história do messias por outro ângulo em seu precioso “A Vida de Brian” (1979). Caso assistido em sessão dupla com outra obra prima do grupo: “O Sentido da Vida” (1983), mostra-se uma experiência que abre mentes e amplia conceitos enquanto diverte. Um bom exemplo de crítica eficiente ocorre no segundo filme citado, um pai católico explica à sua extensa prole que terá que doar as crianças para experiências científicas, já que o Vaticano proíbe os métodos anticoncepcionais e ele está financeiramente quebrado. A cena é conduzida como um grande musical, com direito a freiras dançarinas e um refrão que defende: “Caso um esperma seja jogado fora, Deus ficará muito irado”.

O cinéfilo pode escolher sua versão favorita: O Jesus humano e questionador (logo, combatido pela igreja católica) de Scorsese e seu polêmico “A Última Tentação de Cristo”, o Jesus puramente simbólico e inocente que ajuda Pablito Calvo no clássico “Marcelino, Pão e Vinho”, o Jesus didático de Zeffirelli em seu gigantesco “Jesus de Nazaré”, o Jesus poético, loiro e de olhos azuis de “Rei dos Reis”, o Jesus transgressor e musical de “Jesus Cristo Superstar”, entre muitos outros. O cinema une a todos e nos faz discutir ideias e subverter conceitos. Seria louvável se as organizações religiosas criadas pela ganância do homem também fossem assim.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Dicas de fim de semana. Vá de Metrô!

Boletim Informativo
Para quem vai passar o feriado de Tiradentes em São Paulo, aqui estão algumas sugestões que podem ser conferidas pela população e, principalmente, pelos usuários do Metrô. Aproveite que a cidade fica mais vazia nesse período e os deslocamentos tornam-se mais fáceis. Divirta-se e bom feriado!

Bom Divertimento!
MetrôESTAÇÃO LUZ
Estação Luz

Retratos e imagens registradas durante a Era de Ouro do cinema integram a mostra Ícones de Hollywood – Fotografias da Fundação John Kobal, composta de mais de 150 fotografias do acervo do colecionador John Kobal (1940-1991), chega ao Brasil pela primeira vez.

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MetrôESTAÇÃO TRIANON-MASP
Estação Trianon-Masp

A partir da importante coleção de Ella Fontanals-Cisneros, a mostra Construções Sensíveis propõe um panorama da produção abstrata no continente.

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MetrôESTAÇÃO PALMEIRAS-BARRA FUNDA
Estação Palmeiras-Barra Funda

Depois de levar mais e 400 mil pessoas ao MIS em 2015, o programa Castelo Rá-Tim-Bum volta à cidade.

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MetrôESTAÇÃO SÉ
Estação Sé

O show Nando Cordel - Grandes Sucessos é uma retrospectiva com os maiores clássicos do cantor e foi idealizado em comemoração aos 30 anos de carreira do cantor e compositor pernambucano.

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MetrôESTAÇÃO SÃO BENTO
Estação São Bento

O Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil apresenta o espetáculo Gritos.

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