domingo, 12 de março de 2017

Nos Embalos do Rei do Rock - "Loiras, Morenas e Ruivas"



Um fiapo de roteiro que faz todos os seus filmes anteriores parecerem “Cidadão Kane”, a trama pode não ter um antagonista, mas “Loiras, Morenas e Ruivas”, a despeito do péssimo título nacional, produzido por Ted Richmond (que seria responsável por “Papillon”, em 1973), prova que o carisma de Elvis Presley conseguia operar milagres.



Loiras, Morenas e Ruivas (It Happened at The World's Fair - 1963)

Após dirigir o cantor em três sucessos de bilheteria (“Saudades de Um Pracinha”, “Feitiço Havaiano” e “Garotas, Garotas e Mais Garotas”), o veterano Norman Taurog conseguiu o que parecia impossível, transformar um projeto de baixo orçamento pensado apenas como divulgação da Feira Mundial de Seattle, na recém-construída Seattle Center, evento movido pela temática da Era Espacial, em um filme emocionalmente funcional. 

Elvis vive Mike Edwards, um piloto de avião que faz todo tipo de bico com o sócio Danny (Gary Lockwood, que viveria anos depois um dos astronautas de “2001 – Uma Odisseia no Espaço”), um jogador inveterado que perde tudo nas cartas. Os dois chegam por acidente em Seattle, pegando carona com um chinês vendedor de maçãs e sua pequena sobrinha, Sue-Lin (Vicky Tiu, que não trabalhou mais no cinema e depois foi primeira-dama do Havaí). Quando o tio desaparece, a menina pede ajuda ao piloto. Tiu afirmou em entrevistas posteriores que nunca irá esquecer o carinho que Elvis tinha por ela, ajudando, inclusive, em uma cena difícil em que precisava chorar. O colega, vendo que a menina não estava conseguindo finalizar e estava envergonhada, acenou para o diretor e disse sorridente: “É isso, por hoje é só, a pequena dama e eu iremos lanchar, amanhã continuamos”. Ele a acalmou, no dia seguinte a cena foi completada sem atraso.

É interessante notar que, pela primeira vez na filmografia dele, o roteiro explorava a relação de amizade entre o adulto e a criança, um aspecto que ajudava a definir a imagem comportada do cantor no cinema. Até mesmo o figurino dele evidencia esse objetivo, ternos elegantes que se assemelham mais com o deboche perpetrado por Steve Allen no programa televisivo de início de carreira, quando o jovem engravatado teve que cantar "Hound Dog" ao lado de um cão. Na trilha sonora, três canções são direcionadas nesse sentido: “Cotton Candy Land”, “Take Me to The Fair” (que chegou a ser cogitado como o título do filme) e “How Would You Like to Be”. Ver Elvis entretendo a menina, tentando fazê-la dormir, ou buscando animar ela depois de sofrer uma decepção, momentos que podem parecer demagogia sacarina em teoria, mas a execução é tão terna e o sentimento transmitido é tão puro que encantam o espectador. As canções do filme são fracas, com exceção da bela balada “They Remind Me Too Much of You”, inserida na cena como reflexão imaginária, algo que não havia sido tentado ainda em seus filmes, composta por Don Robertson, um dos preferidos do cantor. “Beyond The Bend”, que toca nos créditos iniciais, “One Broken Heart for Sale”, com seu hilário coral de aposentados viciados em jogo, “Happy Ending”, que conduz a trama para o desfecho, simpáticas, inofensivas, assim como “I’m Falling in Love Tonight”, “World of Our Own” e “Relax”, uma lista acima da média, mas apenas uma canção verdadeiramente marcante, o que já mostrava a dificuldade crescente dos produtores em fornecer material para a quantidade absurda de roteiros. E, para piorar, a MGM havia solicitado que as gravações no estúdio fossem desprovidas de qualquer eco, destruindo a ambiência natural, garantindo uma estética artificial, ao invés do swing improvisado que marcava as gravações do cantor para a RCA. Vale destacar que a interpretação de Elvis conseguia dar dignidade até para a mais tola composição.

O interesse romântico da vez, Diane, uma enfermeira que sonha em trabalhar para a NASA, papel vivido por Joan O’Brien, cantora de sucesso na década de cinquenta que tentava se firmar em Hollywood. O ator Kurt Russell, de “Os Aventureiros do Bairro Proibido” e “O Enigma de Outro Mundo”, grande fã de Elvis, faz uma ponta hilária como um menino que é pago para chutar a canela do protagonista, que buscava um motivo para se reencontrar com a enfermeira. O filme é muito divertido, o humor funciona, mas é perceptível que a indústria já não estava mais se importando em inserir o artista em algo minimamente relevante, o interesse era apenas agradar seu público adolescente. Como ponto positivo, a coreografia das lutas nunca esteve melhor, ajudadas pela montagem dinâmica. Uma sequência perdida no meio da trama, o encontro romântico do piloto com uma belíssima Yvonne Craig, que teria papel de destaque no ano seguinte em outro projeto de Elvis: “Com Caipira Não Se Brinca”, mas ganharia fama mundial como a “Batgirl” da série protagonizada por Adam West, sintetiza a falta de cuidado. Não há preocupação em preparar um terreno crível para que as canções sejam defendidas, ele simplesmente solta a voz em qualquer situação. Esse desleixo foi o alvo principal das críticas da época.

Via: Octavio Caruso, do blog: www.devotudoaocinema.com.br

sábado, 11 de março de 2017

Primeira imagem de Jurassic World 2 divulgada

Com a legenda “primeira foto do set”, o produtor Frank Marshall liberou a primeira imagem da produção por meio de sua conta no Twitter.

Roteirizado por Colin Trevorrow (diretor do primeiro filme), Derek Connolly (Kong: Ilha da Caveira) e com direção de J.A. Bayona (O Impossível), Jurassic World 2 tem previsão de estreia para 22 de junho de 2018.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Mostra Tiradentes | SP 2017 - Programação no ar


Cinebiografia de Neil Armstrong confirmada

A Universal Pictures agendou para outubro do ano que vem (2018) a estreia de ‘First Man’, a cinebiografia do famoso astronauta Neil Armstrong.
A produção contará com a aclamada dupla Ryan Gosling e Damien Chazelle (ambos dividiram o set de filmagem em La La Land – Cantando Estações).

O filme terá como base a historia do livro ‘First Man: A Life of Neil A. Armstrong’, escrito por J. Hansen.
Quem assume o roteiro será Josh Singer, do premiado na categoria ‘Spotlight: Segredos Revelados’, enquanto que a produção ficará por conta de Marty Bowen e Wyck Godfrey.
A distribuição é da Universal Pictures. ‘First Man’ ainda não possui data de estreia e as filmagens devem começar ainda no final desse ano.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Logan – Crítica 2

James Mangold encerrou com maestria a trilogia de um dos mutantes mais importantes dos X-Men, o Wolverine. Se os longas anteriores possuíam tramas mirabolante, sem nexo, com personagens caricatas e forçadas, nesse episódio final, vê-se uma obra madura e elaborada.
No ano de 2029, Logan trabalha numa empresa que parece uma espécie de Uber e protege Xavier (Patrick Stewart), que por conta de sua velhice, já não consegue controlar bem seus poderes. Tudo o que Wolverine deseja é juntar dinheiro para comprar um barco e sair navegando com o Professor X. Seus planos terminam mudando quando ele começa a ajudar uma garota mutante a fugir de seus perseguidores.
A fotografia do filme pode ser considerada um de seus elementos mais potentes. Os tons de âmbar unidos à uma paisagem desértica, dão ao filme uma ambientação de western, um calor sufocante em meio às roupas pesadas do protagonista. A paisagem e as cores reforçam também um ambiente inóspito, decadente, assim como o old Logan.
Aliás, foi uma sacada afiada da produção optar finalizar a trilogia com o old Logan. A fase na qual a personagem tem mais profundidade, mais trajetória, traumas e arrependimentos, um prato cheio para estabelecer uma trama mais densa, pensando não mais em criar fãs, mas em agradar os que já existem.
A construção da relação entre as personagens é realizada de maneira contundente, vê-se bem delineada o crescimento e a importância de cada uma para o desenvolvimento da trama. Não há gratuidade nas reações e nas tomadas de decisão feitas por Logan, há uma coerência no rumo dos acontecimentos.
O único elemento destoante, que parece que saiu de um dos filmes anteriores de Wolverine, é o clone da personagem título do longa. Do nada ele aparece, quase como Deus ex machina ao contrário, para solucionar possíveis furos na história. Há certo realismo interno, um naturalismo que fortalece o drama das personagens, mas que é quebrado com esse clone deslocado.
O fim do longa também parece fora de tom, saindo do deserto e indo para a floresta, paisagem recorrente em filmes dos X-Men. A mudança de cenário, o ritmo que vai se arrastando, um conflito que não groova, fazem do desfecho a parte mais frágil da obra, de qualquer maneira, percebe-se o esmero e o esforço para fazer um bom filme. O nível da franquia elevou e deve ficar na memória do público por muito tempo. O único pesar é que este é o último filme com Hugh Jackman interpretando Wolverine. Com poucas falhas, Logan pode se tornar um marco na história nas adaptações de HQ, deixando somente a tristeza de não terem acertado no tom antes.
Nota do CD:
★★★☆☆
Sinopse:No ano de 2029, Logan está cuidando de Xavier, idoso. Logan está cansado e velho, quase sem forças. Logo aparece uma garota que está em grande perigo. Agora ele precisa cuidar de dois e salvar a própria pele.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Gênero: Ação
Direção: James Mangold
Roteiro: David James Kelly
Elenco: Boyd Holbrook, Dave Davis, Doris Morgado, Elise Neal, Elizabeth Rodriguez, Eriq La Salle, Hugh Jackman, Jaden Francis, Juan Gaspard, Julia Holt, Lauren Gros, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Sienna Novikov, Stephen Merchant
Produção: Hutch Parker, Lauren Shuler Donner, Simon Kinberg
Fotografia: John Mathieson
Montador: Dirk Westervelt, Michael McCusker
Trilha Sonora: Marco Beltrami
Duração: 135 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 02/03/2017 (Brasil)
Distribuidora: Fox Film do Brasil
Estúdio: Twentieth Century Fox Animation
Classificação: 16 anos


F.W.MURNAU - 10 FILMES ESSENCIAIS



Um dos maiores diretores do cinema morreu precocemente em 11 de março de 1931, aos 42 anos, num acidente automobilístico em Santa Barbara, Califórnia (EUA),. O carro estava sendo dirigido por um jovem filipino de 14 anos, amante de Murnau. Quando os restos mortais de Murnau chegaram ao cemitério de Stanhsdorf, apenas um pequeno grupo de pessoas presenciou a cerimônia, entre eles Fritz Lang, o diretor de Metrópolis, Robert J. Flaherty, Emil Jannings e Greta Garbo,

Abaixo, confiram seus 10 filmes essenciais. E uma curiosidade: boa parte dos seus primeiros filmes estão perdidos, não tendo como analisar sua obra completa, por enquanto.

Vamos aos filmes:


O pescador de uma aldeia do Taiti (Matahi) se apaixona por uma garota (Anne Chevalier), considerada "tabu" depois de ser escolhida pelos deuses, o que significa que não poderia se apaixonar ou se entregar a qualquer homem.
 Murnau, quase falido, negociou a distribuição do filme com a Paramount Pictures, mas não teve tempo de ver a première de Tabu, pois morreu uma semana antes, em consequência de um acidente automobilístico.



Lem é filho de um casal de fazendeiros, tendo passado sua vida às voltas com as colheitas de trigo. Em uma ocasião, viaja para Chicago a fim de vender a produção da família e encanta-se por Kate, garçonete de um grande restaurante.

Os Quatro Diabos é um filme de 1928 dirigido por F. W. Murnau. O filme foi baseado no livro De Fire Djævle, do escritor dinamarquês Herman Bang. Nenhuma cópia do filme é conhecida atualmente, embora o mais importante biógrafo de F. W. Murnau documente a existência de um negativo conservado em um cofre nos arquivos da Fox Film Corporation desse filme é apontado como uma das grandes obras-primas da muda do cinema.



Seduzido por uma moça da cidade, um fazendeiro tenta afogar sua mulher, mas desiste no último momento. Esta foge para a cidade, mas ele a segue para provar o seu amor. Vencedor de 3 Oscar, incluindo melhor atriz para Janet Gaynor (Nasce uma Estrela), Aurora é uma obra poética de grande beleza plástica, repleta de cenas inesquecíveis.



Baseado na famosa peça de Goethe, temos Fausto, um velho alquimista que vê sua cidade ser assolada pela peste negra. Vendo tanta morte, começa a pensar sobre sua própria finitude. Ele então evoca Mefistofeles, e lhe pede sua juventude de volta e eterna. O demônio a garante, em troca da alma de Fausto. Tudo parecia perfeito, até este se apaixonar por uma jovem italiana. Marco absoluto no cinema alemão, é o último filme de Murnau no país.



O grande ator Emil Jannings criou um tipo inesquecível para interpretar o pseudo fanático religioso de libidinosa sexualidade. Esta tragicomédia de Murnau conta a história de uma governanta hipócrita e manipuladora que maltratava um velho, cuja herança espreita. O sobrinho do velho, percebendo a falsidade e o plano diabólico da governanta, arma uma cilada para desmascará-la.


O idoso porteiro do Atlantis, um elegante hotel de Berlim, sente orgulho do seu trabalho, que faz com dedicação, e se comporta como um general em seu resplandecente uniforme, sendo tratado com respeito pelos seus amigos e vizinhos. Entretanto, o novo gerente do hotel se mostra insensível quando o velho porteiro para um pouco para se recompor, após carregar uma pesada bagagem, e assim o gerente decide que o atual porteiro é velho demais para o cargo e o rebaixa para criado do banheiro masculino. Isto provoca um efeito desastroso no prestígio do homem e na sua auto-estima.


Lorenz Lubota, um escrivão público de origem humilde, se apaixona obsessivamente pela mulher que estava na carruagem que o atropelou - Veronika, que pertence a uma das famílias mais ricas da cidade. Ao mesmo tempo em que é levado a crer que pode tornar-se um famoso e respeitado escritor graças aos seus poemas (na verdade, um grande mal-entendido), Lorenz encontra Melitta, uma sósia da sua amada, trabalhando num cabaré decadente. As duas mulheres - que na verdade representam uma mesma grande paixão - irão transformar o mundo de Lorenz de maneira irreversível.



Quando o agricultor Rog morre, seu filho Peter permanece em suas terras, porém Johannes não está satisfeito e encontra um trabalho junto ao velho Conde Rudenberg. Sua ambição leva-o a se envolver com a única filha do Conde. Mas, quando ele descobre que a segunda esposa de seu chefe herdará terras em breve, sua ganância falará mais alto.



Hutter, agente imobiliário, viaja até os Montes Cárpatos para vender um castelo no Mar Báltico cujo proprietário é o excêntrico conde Graf Orlock, que na verdade é um milenar vampiro que, buscando poder, se muda para Bremen, Alemanha, espalhando o terror na região. Curiosamente quem pode reverter esta situação é Ellen, a esposa de Hutter, pois Orlock, está atraído por ela.