quarta-feira, 1 de março de 2017

RICHARD DONNER - 10 FILMES ESSENCIAIS



Richard Donner é um diretor de cinema estadunidense. Mais conhecido por filmes de ação e aventura como Superman e  Goonies. De acordo com dados do wicki, seu trabalho nos quatro Máquina Mortífera torna-o um dos três diretores a terem dirigido todos os filmes de uma tetralogia, junto de Wes Craven (Pânico) e Steven Spielberg (Indiana Jones).

Bom, isto credenciou a uma picaretagem na minha lista. Os "Máquina mortífera" assumiram um lugar na lista, e não 4. Mas porque? Dois motivos: Quem lê uma lista desta hoje buscando indicações de filmes, os 4 funcionam como uma grande história, com mesmos atores, que ao longo dos 11 anos evoluem (crescem, envelhecem...) fazendo um tetralogia essencial. Seria injusto colocar os dois melhores (o primeiro e o segundo) sem que a pessoa assista aos outros dois, que se tem falhas, tem muitos acertos. 

O outro motivo, mais óbvio, é que amo Donner. Queria tê-lo entrevistado. Maquina Mortífera (87) é um dos melhores policiais dos anos 80. Goonies povoa os corações de todos. Superman o melhor filme de super-herói do cinema. Ladyhawke uma aventura como nunca vimos, e nunca mais veremos. Profecia é um dos meus 10 filmes de horror favoritos. E tudo isto regado a trilhas inesquecíveis, como Jerry Goldsmith e John Williams. Colocaria fácil 15 filmes neste top 10. Arrumei um jeito de por 3 a mais...


Vamos aos filmes:


Em Nova York, Jerry Fletcher (Mel Gibson) é um motorista de táxi que critica o governo e fala sempre da existência de uma conspiração envolvendo altos escalões. Ele ama Alice que dá atenção sobre suas teorias, que envolvem alienígenas e assassinatos. No entanto, ele escreveu algo em seu jornal (com apenas 5 assinantes) que alguém acreditou, e decidiram matá-lo de qualquer jeito.


Em meio à uma série de aventuras um inveterado jogador de pôquer (Mel Gibson) tenta arrumar os três mil dólares que lhe faltam para participar de um jogo milionário em uma barca do Mississipi, no qual o vencedor vai receber meio milhão de dólares.

Nos dias atuais, Frank Cross (Bill Murray) é um diretor de uma rede de televisão que é frio e só pensa na audiência. Ele encontra com Lew Hayward (John Forsythe), um falecido amigo, que o avisa sobre três fantasmas (o do Natal Passado, Presente e Futuro) que irão visitá-lo e diz para ele estar atento a tudo que eles mostrarem, pois esta é a única oportunidade de Frank se salvar.

1987
Um tira ensandecido (Mel Gibson), que está sempre no seu limite, e um outro tranquilo (Danny Glover), que espera apenas a sua aposentadoria chegar, tornam-se parceiros para lutar contra uma quadrilha de traficantes de drogas, composta por ex-militares da guerra do Vietnã.

1989 
Os policiais "Riggs" e "Murtaugh" precisam proteger um informante que tem informações sobre o envolvimento de diplomatas sul-africanos com o tráfico de drogas e que usam a imunidade para cometer os crimes. Mas isso não é tudo: eles ainda têm que bancar as babás de um informante que foi jurado de morte, Leo Getz (Joe Pesci).

1992
Às vésperas de sua aposentadoria, o policial Roger Murtaugh se vê envolvido por seu parceiro em uma perigosa investigação para desbaratar uma quadrilha de ladrões de armas.A tão esperada aposentadoria de Roger Murtaugh (Danny Glover) está próxima. O que ele nunca imaginou é que iria se aposentar como guarda de trânsito, já que seu parceiro, Martin Riggs (Mel Gibson) apronta mais uma, o que faz a dupla de detetives ser rebaixada

1998 
Martin Riggs e Roger Murtaugh encaram agora uma perigosa gangue profissional chinesa, no último filme da série Máquina Mortífera. Eles contarão com a ajuda das informações de Leo Getz e com o suporte do policial novato Lee Butters para tentar localizar e exterminar os membros da gangue.

Após encontrar um mapa do tesouro no sótão de sua casa, Mickey, Brand, Bocão (Mouth), Dado (Data) e Gordo (Chunk) partem em busca do tesouro de Willy Caolho. Juntam-se a eles nessa aventura Andy e Stef mas, além das armadilhas deixadas por Willy Caolho por entre as cavernas e trilhas subterrâneas, os garotos terão de enfrentar também uma família de bandidos italianos, Os Fratelli. 


Europa, século XII. O Bispo de Áquila (John Wood) toma consciência que sua amada, a bela Isabeau (Michelle Pfeiffer), está apaixonada por Etienne Navarre (Rutger Hauer), um cavaleiro. Áquila fica possuído de raiva e ciúme e lança uma maldição sobre o casal: de dia ela sempre será um falcão e de noite Navarre toma a forma de um lobo, sendo que desta forma fica o casal impedido de se entregar um ao outro. 


Bar Max conta a história de Roary (John Savage), um jovem que está em processo recuperação após uma fracassada tentativa de suicídio. Durante esse difícil processo, ele começa a frequentar um bar e acaba conhecendo pessoas com problemas parecidos com o seu.


Originalmente, os dois primeiros filmes da série Superman seriam filmados simultaneamente por Richard Donner. Porém, após o lançamento e grande sucesso do primeiro filme, os produtores demitiram Donner e colocaram em seu lugar Richard Lester, que refilmou grande parte das cenas filmadas por Donner. Em 2006, foi lançado direto para vídeo "Superman II: The Richard Donner Cut", que traz a visão original de Donner para o filme, com cenas inéditas e inumeras diferenças comparando com a versão de 1980.


Antes da destruição do planeta Kripton, Jor-El (Marlon Brando) envia seu filho para um planeta distante a fim de protegê-lo. A Terra é o seu destino e ele será aquele que defenderá a humanidade de todos os perigos. Dotado de super-poderes, ele sobrevoará as cidades mantendo a lei e a ordem, e para manter sua identidade secreta se disfarça no repórter Clark Kent (Christopher Reeve).


Um diplomata americano preocupado em não chocar a esposa, em virtude da morte do seu filho ao nascer, lhe oculta o fato e adota um recém-nascido de origem desconhecida. Mortes misteriosas começam a cercar a família do homem, que sem saber, pode estar criando o AntiCristo em pessoa. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

BONS COMPANHEIROS - O ELENCO 27 ANOS DEPOIS



Um dos grandes filmes do cinema está completando 27 anos. Confiram como está a turma de good fellas atualmente.






domingo, 19 de fevereiro de 2017

"Em Nome da Razão", de Helvécio Ratton


Em Nome da Razão (1979)

Helvécio Ratton sobrevivia em Belo Horizonte na década de setenta fazendo filmes de publicidade, o período para o cinema brasileiro não poderia ser menos estimulante, ele buscava encontrar um tema importante para abraçar, algo que valesse o esforço absurdo de se produzir algo que não envolvesse pornografia. O psiquiatra italiano Franco Basaglia veio ao Brasil e despertou a discussão sobre a necessária reforma no sistema de saúde mental. Como o jovem já estudava psicologia, ele embarcou no tema e ousou realizar o documentário de curta-metragem “Em Nome da Razão”, filmado em apenas uma semana e de forma independente, denunciando as condições desumanas no Manicômio Colônia, de Barbacena.

O registro é forte, as imagens em preto e branco captadas por Dileny Campos, auxiliado pela montagem propositalmente caótica de José Tavares Barros, retratam a ausência de qualquer senso de dignidade, o que se escuta são os lamentos angustiados dos pacientes, sem qualquer efeito de som, o canto desesperado do homem que repete enfaticamente o refrão da canção popular: “Jesus Cristo, eu estou aqui”, como se buscasse ser notado na multidão, a ironia do grupo de olhos distantes que entoa o Hino da Independência, uma crítica mordaz e espontânea, os exilados de uma sociedade que se considerava sã em plena ditadura militar, os loucos condenados à clausura degradante, um coletivo de diferentes patologias, alguns pacientes até inseridos equivocadamente por seus familiares, opositores políticos, prostitutas, alcoólatras, crianças indesejadas, homossexuais, todos aqueles que não se encaixavam na imagem que os dignitários da época queriam vender para o exterior, em suma, como bem disse o respeitado psiquiatra italiano ao conhecer o local, “um campo de concentração nazista”.

O filme foi aplaudido em festivais e teve papel fundamental no fortalecimento do Movimento Antimanicomial. O público brasileiro, ignorando totalmente a situação, ficou chocado com a obra. É uma página da História que não pode ser esquecida. 

Via: Octavio Caruso, do blog: www.devotudoaocinema.com.br

sábado, 18 de fevereiro de 2017

"Até o Último Homem", de Mel Gibson


Até o Último Homem (Hacksaw Ridge - 2016)

Mel Gibson é um tremendo diretor, porém, limitado. Não há problema nisso, muitos dos melhores e mais respeitados cineastas também o são. O caso é que ele se equivoca terrivelmente sempre que arrisca sair de sua zona de conforto, como na irritante primeira hora de “Até o Último Homem”. 

O australiano de temperamento forte é um poeta da violência, uma espécie de Sam Peckinpah fundamentalista católico, altamente competente ao compor visualmente personagens mitificados, o que obviamente funcionou em “A Paixão de Cristo”, mas desajeitado ao retratar personagens essencialmente humanos, falíveis. Os dois primeiros atos do filme poderiam facilmente ser resumidos em um letreiro introdutório, já que são executados da forma mais preguiçosa possível, os relacionamentos humanos, pai e filho, namorado e namorada, não soam minimamente críveis, o texto de Robert Schenkkan e Andrew Knight é frágil, todos os clichês são utilizados, o rodopio do casal feliz, o aproximar lento da câmera no rosto daquele que se vê oprimido em um julgamento, diálogos expositivos repetitivos, em suma, material de produção de baixo orçamento direcionada para o mercado gospel de vídeo.

A insegurança na direção nesse início caricatural é intensificada pelo contraste com a entrega visceral de Andrew Garfield, um coração que pulsa em um corpo robótico. Quem resistir ao ritmo modorrento dessa primeira hora no piloto automático irá se surpreender com o que Gibson oferece ao tomar o controle nos campos de batalha em Okinawa. Ajudado pela história real incrível do soldado adventista Desmond Doss, que se alistou no exército na Segunda Guerra e se recusou a sequer segurar uma arma, sofrendo com o deboche dos companheiros e o descrédito de seus superiores, o filme exibe sequências brutalmente realistas, o tom agressivo de sadismo purificador que é a marca registrada do diretor. A trilha sonora de Rupert Gregson-Williams, como era de se esperar, reverencia sem sutileza alguma o aspecto religioso da trama, potencializando a distância respeitosa que equivocadamente se estabelece entre o homenageado e o público que, como é usual, busca identificação. O nível de endeusamento pelo martírio encontra sua resolução mais coerente no terceiro ato, Doss, após completar sua missão, sendo metaforicamente alçado aos céus, uma cena absurdamente brega em todos os sentidos. Gibson se redime ao optar por utilizar registros reais no desfecho, depoimentos verdadeiramente emocionantes e que ajudam a tirar o gosto amargo de novela mexicana.

O que mais me agradou na experiência foram os pequenos momentos de interação entre o protagonista e seus companheiros feridos no campo de batalha. Doss fazia o mais difícil, conversava com aqueles homens interna e externamente despedaçados, negando o próprio medo e tentando acalmar aqueles que já sentiam a aproximação da morte, injetando morfina e, principalmente, esperança, a essência do pensamento religioso. Esse conceito é mais forte e simbolicamente poderoso que todas as cenas de violência. 

JACQUES TOURNEUR - 10 FILMES ESSENCIAIS

Grande diretor do cinema, que passeou em diversos gêneros, como filme de horror psicológico ou sobrenatural, filme noir, western, aventura, drama, se especializou em filmes de baixo orçamento. Ficou muito conhecido  à partir das realizações com Val Lewton, tornando-o cultuado e assim, cada vez mais grandes atores queriam trabalhar com Lewton.

Abaixo listei os 10 filmes essenciais para conhecer este grande realizador.

Não deixem de assistir.


O dono de uma funerária, Waldo Trumbull (Vincent Price) é proprietário de uma funerária de poucos clientes. Ele é casado com Amaryllis, quem é frustrada por não conseguir ser cantora de ópera (Joyce Jameson). O estranho assiste da funerário é apaixonado por Amaryllis. Trumbull precisa de dinheiro para pagar aluguel. Então, passa a matar pessoas a fim de conseguir clientes.


Uma série de estranhas mortes acontece quando um psicólogo americano viaja para um congresso em Londres, com o objetivo de desmascarar um líder de uma seita demoníaca e demonstrar que o homem é uma fraude.


Após acabar nocauteado por dois ladrões de banco, James Vanning (Aldo Ray) consegue escapar com a maleta de dinheiro dos assaltantes. Porém, ao tentar encontrar as autoridades, o homem inocente precisa convencer que não tem ligação com o roubo e o assassinato. Acusado, ele passa a ser perseguido pelas autoridades e pelos verdadeiros ladrões.


Dardo (Burt Lancaster) lidera os camponeses na luta para encontrar o filho raptado pelos invasores do rei Frederico. Dono de uma flecha certeira, Dardo faz de tudo para vencer seu principal inimigo, o Conde Ulrich (Frank Allenby), chamado de Gavião e responsável pelo rapto de seu filho. Entre uma batalha e outra, Dardo também anseia conquistar a linda donzela Anne (Virginia Mayo), que está aprisionada no castelo do inescrupuloso Conde.


Veterano da Guerra Civil busca nova vida em uma pequena comunidade onde tenta ser um reverendo, mas encontra resistência entre seus fiéis. A amizade com um garoto e suas demonstrações de bravura e dedicação fazem-no ganhar respeito entre os cidadãos.


Jeff Bailey vive uma vida pacata, trabalhando em um posto de gasolina em uma pequena cidade dos Estados Unidos. Quando um dos capangas de Whit, seu antigo chefe, o encontra, ele irá se ver obrigado a preencher as lacunas que deixou em sua antiga vida. Principalmente com relação a Kathie, mulher de duas caras que a qualquer momento pode traí-lo ou fazê-lo se apaixonar novamente.


O homem de negócios, Logan Stuart (Dana Andrews), está escoltando a noiva de seu amigo, Lucy Overmire (Susan Hayward), de volta para sua casa na distante cidade de Jacksonville, no Oregon. No trajeto de sua dura jornada Lucy se sente atraída por Logan cujo coração parece pertencer a outra pessoa. Quando chegam em Jacksonville, vários fatos começam a acontecer envolvendo vilões, damas, triângulos amorosos, assassinatos...


Performer de um nightclub no Novo México, Kiki Taylor, encorajada pelo gerente, inclui na sua atuação um leopardo como estratégia publicitária. Mas o animal foge devido ao barulho e às luzes do clube e passado alguns dias surgem cadáveres mutilados na vila. Tudo indica que se trata de ataques do leopardo, mas Kiki não se convence disso.


Uma enfermeira contratada para cuidar da esposa de um grande fazendeiro que vive nas Índias Ocidentais se envolve com os dramas da família e passa a suspeitar que sua paciente possa ser um zumbi, uma “morta-viva”.


Irena Dubrovna é uma sérvia que trabalha com desenho de moda. Ela e o americano Oliver Reed se conhecem num zoológico, se apaixonam e casam-se, porém começam a ter problemas quando Irena passa a acreditar ser descendente de uma raça diferente de mulheres. Ela acredita possuir o sangue de pantera e quando entra em contato com fortes emoções começa a colocar a vida de todos em risco. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

"McQ - Um Detetive Acima da Lei", de John Sturges


McQ - Um Detetive Acima da Lei (McQ - 1974)

McQ é um veterano da polícia de Seattle, um tenente que poderia ser capitão, mas seu jeito "duro" com a bandidagem atrapalha sua carreira. Ele e seu amigo e parceiro investigam o traficante Santiago, até que o parceiro é morto. McQ de imediato quer ir atrás de Santiago, mas seus superiores não lhe dão o caso. Ele então pede demissão e passa a agir como detetive particular.

O jazz de Elmer Bernstein emula o som característico de Lalo Schifrin, a identidade musical de “Dirty Harry”, filme de Don Siegel que ditou o tom sombrio do cinema policial norte-americano da década de setenta. Se Clint Eastwood, ícone do faroeste italiano, havia conseguido transpor sua persona das pradarias selvagens para as ruas povoadas por junkies, o próximo passo óbvio seria arriscar com o pai de todos os caubóis, John Wayne, afinal, ele rejeitou o papel principal no clássico de 1971. É interessante imaginar como a história poderia ter sido diferente caso a .44 Magnum tivesse caído nas mãos da primeira opção dos produtores, Frank Sinatra. Ele estava com a mão machucada, Clint aproveitou a oportunidade e redefiniu o gênero. Wayne acabaria trabalhando com Siegel em sua belíssima despedida: “O Último Pistoleiro”. 

“McQ” é dirigido por John Sturges, de “Fugindo do Inferno”, “Sete Homens e Um Destino” e “Sem Lei e Sem Alma”, um artesão capaz de garantir o refinamento necessário para um projeto que, desde o início, foi pensado como uma tentativa de lucrar com o sucesso de “Dirty Harry”, oferecendo ao público uma versão diferente da imagem consagrada de seu astro, que pela primeira vez atuava como um policial. Se Harry portava uma .44 Magnum, McQ faz estrago com sua Ingram MAC-10, novidade na época. O roteiro de Lawrence Roman é simples, falta polimento, mas entrega um desfecho ousado, fiel ao espírito decadente de obras como “Operação França” e boa parte dos melhores da safra blaxploitation. A idade avançada de Wayne pode ter preocupado o diretor, mas enxergo esse elemento como algo altamente positivo, o espectador sente no rosto dele o cansaço após uma perseguição a pé, o desconforto ao notar o flerte da prostituta viciada de meia-idade interpretada por Colleen Dewhurst, ou o olhar distante nas cenas em que descobre estar inserido em um sistema apodrecido, o seu personagem trazia muito da angústia que o ator vivia no momento com o término de seu relacionamento amoroso com Pilar Pallete. 


* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Studio Classic Filmes".

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

"Repo Man - A Onda Punk", de Alex Cox


Repo Man - A Onda Punk (Repo Man - 1984)

Um jovem punk trabalha recuperando carros que não foram pagos e acaba por conhecer um cientista louco que sequestrou alienígenas.

“Este é Otto, louco, rebelde, agressivo, até arranjar uma perigosa profissão”. A chamada televisiva não preparava o espectador para a experiência, fazia parecer ser uma trama convencional. O primeiro filme do cineasta britânico Alex Cox, que alcançaria maior reconhecimento com “Sid e Nancy”, não pode ser sintetizado em uma sinopse, nem reduzido a um gênero específico, “Repo Man” fala diretamente ao período sociopolítico norte-americano da era Reagan, debochando ferinamente do vexaminoso fenômeno dos televangelistas, cutucando a ferida exposta da desilusão nacional extravasada em rompantes patrióticos caricatos e vazios, além de criticar a pasteurização da atitude punk na juventude da época. Ele também encontra espaço generoso para brincar com as convenções da ficção científica na subtrama do cientista e seu misterioso automóvel Chevy Malibu 64, com um porta-malas que desintegra todos aqueles que tentam descobrir o que está sendo carregado, uma espécie de McGuffin divertido, que foi homenageado por Tarantino em “Pulp Fiction”.

Quando Otto (Emilio Estevez) caminha pelas ruas de Los Angeles, ele encontra diversos adolescentes que agem de forma excessivamente agressiva, sem razão alguma, vestindo camisetas estampadas com seus ídolos na música, defendendo jargões batidos, uma rebeldia esquisita intensamente capitalista, nada orgânica, como na clássica frase “vamos comer sushi e sair sem pagar”, revolta de criança mimada, em suma, a visão estereotipada do movimento punk que o mundo do entretenimento eternizou em filmes tontos como “Desejo de Matar 3”. O rapaz acaba descobrindo que os seus colegas coroas de cobrança automobilística, marginais sem verniz estético algum, são, de fato, a essência do punk, nadando contra a corrente de um sistema que estabelece controle etiquetando a felicidade embalada para presente. Cox, genuíno apaixonado pelo tema, questiona o sentido dessa expressão artística, evidenciando a banalização midiática do espírito dessa subcultura.



* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Versátil", com a curadoria sempre impecável de Fernando Brito, no digistack "Clássicos Sci-Fi, Vol. 3", que conta também com os filmes: "Colossus 1980", "Fase IV - Destruição", "Pânico no Ano Zero", "Daqui a Cem Anos" e "O Emissário de Outro Mundo".