sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

20ª Mostra de Cinema de Tiradentes | Abertura


"Verão de 42", de Robert Mulligan


Verão de 42 (Summer of '42 - 1971)

Aos quinze anos de idade, Hermie (Gary Grimes) vai passar as férias na praia. Durante esta viagem, ele procura respostas para suas dúvidas sobre a vida, a guerra, o amor e o sexo. Com a cabeça repleta de interrogações e sonhos, ele conhece uma mulher mais velha (Jennifer O’Neill) e fica apaixonado. Começa assim, uma intensa relação onde ele busca aprofundar seu conhecimento sobre o mundo. E ela, por sua vez, busca no jovem adolescente, o amor ausente de seu marido que partiu para a Guerra.

É curioso pensar que teve uma sequência para essa pérola, “Class of ‘44”, focada no trio de amigos adolescentes, sem qualquer menção à personagem de Jennifer O’Neill. Quem, em sã consciência, aceitaria pagar o ingresso? A alma de “Verão de 42” (ou o péssimo título mastigado para o público brasileiro: “Houve Uma Vez Um Verão”) é Dorothy, um dos rostos mais bonitos da história do cinema, a mulher que povoou os sonhos de meninos introvertidos no mundo todo, no que me incluo. O roteiro de Herman Raucher é inspirado na experiência transformadora que ele viveu nas férias de verão de sua adolescência, mantendo os nomes verdadeiros de todos os envolvidos. Em uma entrevista televisiva anos depois, ele afirmou que após o sucesso do filme recebeu uma carta da Dorothy real, preocupada com as consequências psicológicas do seu ato outrora. Que nobre ingenuidade. O rapaz sortudo deve ter agradecido todos os dias pela manhã, ajoelhado no altar com sua foto.

Um elemento indissociável na trama é a belíssima trilha sonora de Michel Legrand, que capta com elegância o sentimento de nostalgia que abraça a obra, potencializado na qualidade quase etérea da fotografia de Robert Surtees. A direção de Robert Mulligan, responsável por “O Sol é Para Todos”, dedica precioso tempo à admiração silenciosa do menino por sua musa, equilibrando bem o humor das cenas mais atrevidas, como a aventura exploratória desastrada dos amigos pela anatomia feminina na sala de cinema, com a sensibilidade terna ao desenvolver o relacionamento de Hermie e Dorothy, sem nunca apelar para o fácil recurso da nudez. Não há erotismo mais provocante que a delicada dança dos dois no terceiro ato, envolta pelas lágrimas de ambos, a mulher mais velha que se sente perdida no mundo, o menino que descobre o lado mais doce do amor. Aquela figura maravilhosa que o faz se sentir tão bem apenas com um olhar, um sorriso que simboliza a promessa de um mundo novo, terreno inexplorado, tão gentil e, ao mesmo tempo, tão perigoso.

Ele treme ao sentir o toque da mão dela em sua perna, ao ajudar enquanto sobe a escada para arrumar as caixas no sótão. Não há malícia alguma da parte dela, ele sabe, mas como ele gostaria que houvesse. Ele tenta puxar papo, disfarça o cansaço ao se oferecer para carregar suas cestas na rua, fica memorizando frases de efeito que considera elegantes para tentar impressionar. Ao visitá-la numa noite comum, ele se veste para uma ocasião especial, ele a respeita, ele a reverencia. Ela pode ser apenas uma bela mulher para os homens da região, mas para o menino ela é a realização de um sonho, a constatação de que há mais para se ver no mundo que a apatia na rotina de sua cidade. Ela é o mundo. E o mundo não é justo. O lindo desfecho representa essa triste realidade, a maturidade conquistada após uma carta de despedida. Mas ele a teve por uma noite, suas mãos alcançaram a divindade, a vida vale a pena.


* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Classicline".

MORRE MIGUEL FERRER


Mais uma morte inesperada no mundo do cinema. Miguel Ferrer. Ator de sobrenome famoso, filho de Jose Ferrer (inclusive parecidíssimos) e Rosemary Clooney, primo de George Clooney e com uma voz inconfundível, tornou-se mais famoso em 1987 quando fez Robocop, de Paul Verhoeven. Um papel aliás inesquecível, de Bob Morton. Como esquecer da sua marcante morte, encomendada pelo sádico Clarence Boddicker (Kurtwood Smith)?

O ator teve outros papéis de destaque como Twin Peaks (1990), Vingança (1990) e Traffic (2000). Era amigo de longa data de Carrie Fisher, que partiu recentemente. Inclusive ele ajudo-a na preparação para Leia, em Guerra nas estrelas (1977).

Partiu de Câncer na garganta que lutava desde 2012  e deixa esposa, ex-mulher e dois filhos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017


16143337_1578312192184966_7100625145880169793_n
Com estréia prevista para 23 de fevereiro, um dos fortes candidatos aos prêmios do Oscar nos faz refletir sobre as diferenças.
Ao final de Moonlight, ficamos em estado reflexivo. Após a jornada de Chiron, o protagonista que baila pelo roteiro de Barry Jenkins, toda uma vida nos é acometida e está em nossas mãos concluir o que ela significa.
Distante de deixar o expectador com percepções pré-concebidas, é principalmente no olhar das personagens que mora o sentimento de cada uma. E ele diz muito!

O longa causou admiração por onde passou no último ano e, não à toa, levou o prêmio de melhor filme dramático no recente Globo de Ouro.

C1WvGr7XEAAr-oP

Dirigido e Roteirizado por Jenkins no seu primeiro trabalho de destaque, Moonlight nos apresenta o garoto, o jovem e o homem adulto Chiron. Sua fase infância-adolescência foi bem marcada pela perseguição dos “colegas” de bairro e escola. Afinal, não é fácil ser diferente ou ter comportamentos que soam fora do padrão da maioria. Vivendo com uma mãe drogada (a excelente Naomi Harris), Chiron encontra o apoio que precisa junto ao casal protagonizado por Mahershala Ali e Janelle Monáe (ambos em grande momento).

Até que o único amigo que pode considerar existente no seu mundo, sintoniza o seu estado de espírito e lhe traz a certeza que tanto busca.
No entanto, é na segunda metade do longa que podemos ver a grande força que Moonlight tem. Chiron, agora “Black”, (aqui interpretado pelo excelente Trevante Rhodes) reencontra depois de anos o amigo Kevin (Andre Holland). Sentimentos pulsam na tela nos olhares, nas palavras não ditas. A busca do ser humano pelo afeto, pelo amor, pelo carinho são a grande válvula que movimenta a nossa vida e a destes personagens.
E, como citei no início, para que nos entregar algo “pronto” quando o ato de viver é, acima de tudo, algo construído momento à momento?
Nota do CD:
★★★★½
Sinopse:
Black tenta escapar a todo custo do caminho fácil da criminalidade e do mundo das drogas em Miami. E é assim que ele começa a trilhar uma jornada de autoconhecimento. Encontrando amor em locais surpreendentes, ele sonha com um futuro maravilhoso.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Direção: Barry Jenkins
Roteiro: Barry Jenkins, Tarell McCraney
Elenco: Alex R. Hibbert, Ashton Sanders, Duan’Sandy’ Sanderson, Eddie Blanchard, Edson Jean, Fransley Hyppolite, Herman ‘Caheei McGloun, Herveline Moncion, Jaden Piner, Janelle Monáe, Jesus Mitchell, Jharrel Jerome, Kamal Ani-Bellow, Larry Anderson, Mahershala Ali, Naomie Harris, Patrick Decile, Rudi Goblen, Shariff Earp, Tanisha Cidel
Produção: Adele Romanski, Dede Gardner, Jeremy Kleiner
Fotografia: James Laxton

"Malcolm X", de Spike Lee



Malcolm X (1992)

Spike Lee lutou muito para que a cinebiografia de Malcolm X fosse finalizada, o estúdio tentou de todas as formas impedir seus esforços, até que ele buscou a ajuda financeira de amigos artistas e esportistas afro-americanos, que doaram altas somas sem qualquer interesse, sem participação nos lucros, apenas motivados pelo desejo de que aquela história fosse contada. A batalha nos bastidores é mais fascinante que a própria produção, que seria muito beneficiada com o corte de, pelo menos, uma hora de gordura extra, um primeiro ato arrastado abordando a juventude do protagonista, problema que compreensivelmente prejudicou o filme nas bilheterias, afastou o público adolescente e, a pior consequência, minimizou o impacto da bela mensagem que defende. E uma mensagem que segue extremamente relevante nos dias de hoje.

Malcolm X, que negava inconscientemente sua raça na adolescência, questionou o papel do negro na sociedade, ele questionou os alicerces do catolicismo, ele se viu seduzido pelo fanatismo religioso de um charlatão e teve brio de admitir o erro, ele não temia sequer a morte, o homem chegou a ser preso, mas talvez tenha sido a personalidade mais livre de sua época. A sua liberdade interna, a coragem de questionar tudo e todos, um elemento incrivelmente perigoso para aqueles que lucram com a ilusão. Jesus era negro, os discípulos eram negros, óbvia constatação ao analisar o berço geográfico deles, mas as pinturas imortalizaram o longo cabelo liso, os olhos azuis, a tez clara como neve. Você pode não concordar, mas uma grande parcela de religiosos não apenas discorda, como o faz com agressividade latente. Qual a razão? Qual diferença faz a cor da pele do líder religioso? Essa preciosa reflexão, transmitida na ótima cena do confronto com o padre, vivido por Christopher Plummer, representa o gradual despertar existencial do protagonista, metaforicamente no local em que a sociedade o colocou como prisioneiro.

Denzel Washington, na melhor interpretação de sua carreira, emula os gestos calculados e compreende com exatidão as motivações de alguém que, ainda criança, sentiu a dor da intolerância, ao ver sua casa ser incendiada por mascarados da Ku Klux Klan. As nuances trabalhadas no desenvolvimento de seu discurso, da insegurança travestida de empáfia, passando pela rigidez estúpida do pensamento extremista, até a sobriedade lúcida de quem entendeu que o amor é a única verdade. Apenas os mal-intencionados dividem para conquistar, a união e o diálogo são sempre melhores que o ódio.






* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Versátil", com a curadoria sempre impecável de Fernando Brito. O material extra inclui um making of e um documentário espetacular sobre o homenageado. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Tesouros da Sétima Arte - "Os Emigrantes" e "O Preço do Triunfo", de Jan Troell



Os Emigrantes (Utvandrarna - 1971)
O Preço do Triunfo (Nybyggarna - 1972)

A obra de Jan Troell é muito pouco conhecida no Brasil, o que torna esse lançamento da distribuidora “Obras Primas do Cinema” uma aquisição fundamental para todos os cinéfilos dedicados. Um intenso épico dividido em dois filmes, algo em torno de sete horas, contando uma história simples e poderosa ambientada no século dezenove, a jornada de uma pobre família sueca que decide emigrar para a América, deixando para trás um povo controlado pela hipocrisia religiosa. O roteiro, adaptado dos quatro romances de Vilhelm Moberg, evita a estrutura tradicional alicerçada em arcos narrativos, demanda paciência do espectador, faz uso magnífico do silêncio, mas a recompensa é imediata. 

O casal Kristina e Karl Oskar, impecáveis Liv Ullmann e Max von Sydow, enfrenta uma longa e devastadora viagem marítima, ponto alto de “Os Emigrantes”, a possibilidade real da morte rondando cada nova manhã, infestação de piolhos, fome, desespero e depressão, a esperança simbolizada pelo novo mundo sendo destruída pela constatação de que eles não serão recebidos de braços abertos, não há senso de comunidade fraterna nessa terra de oportunidades trabalhada sem a visão mítica usualmente vendida por Hollywood. O aspecto mais interessante, a forma como os personagens projetam uma imagem paradisíaca da América, buscando uma espécie de redenção para suas vidas, até serem surpreendidos pelo choque de realidade. O desafio para os sobreviventes estava apenas começando. Kristina descobre na viagem que está com piolhos, coloca a culpa em outrem, o caos é instaurado, Ulrika, vivida pela cantora de jazz Monica Zetterlund, é humilhada ao ser chamada de prostituta, a causadora da infestação, mas ela prova que não tem culpa alguma, já acostumada a ser difamada por aqueles que se consideram superiores. Em metáfora, Kristina, com a mentalidade limitada pelos dogmas de suas tradições, está carregando para a nova realidade os preconceitos mais baixos, praticando o julgamento desaconselhado por Jesus e incentivado pelos dignitários que falam em seu nome, infectando as expectativas de um recomeço. 

Em “O Preço do Triunfo”, ao receber em sua casa o representante de sua antiga comunidade religiosa, que deseja restabelecer o controle moral sobre seus fiéis, ela demonstra ter aprendido com a dor, tomando a frente na discussão e enxotando o homem de seu lar. A prostituta é agora sua melhor amiga. Em sua mente já não há espaço para a mentira confortadora. Outro ponto alto do segundo filme é o interlúdio onírico inspirado na sequência final de “Ouro e Maldição”, de Stroheim, mostrando Robert, o irmão mais novo de Karl, e seu amigo Arvid perdidos no deserto, a deprimente faceta do sonho dos emigrantes. Troell acumula as funções de editor e diretor de fotografia, além de ajudar no roteiro, um feito admirável considerando o escopo do projeto. Ele garante a todo momento uma abordagem quase documental, capturando a atuação naturalista do elenco, facilitando tremendamente a imersão.


* Os filmes estão sendo lançados em DVD pela distribuidora "Obras-Primas do Cinema", com 1 hora de material extra. 

SANGUE DA PANTERA (1942) - LANÇAMENTO OBRAS PRIMAS DO CINEMA


Val Lewton - pouco dinheiro e muita criatividade

Val Lewton foi uma espécie de "plano b". A Universal reinava com seus monstros (Drácula, Frankenstein e banda), suas continuações e crossovers. Esgotaram o gênero num reinado absoluto de uns 30 anos. Inclusive hoje, tentam sem sucesso obter novamente aquele domínio, mas as adaptações são fantasiosas demais, necessitando de impor ritmos mais frenéticos para tentar retorno financeiro. Recentemente, ingressaram à linhagem Tom Cruise (No vindouro "A Múmia") e Johnny Depp como Homem invisível (até agora, confirmado, mas sabem como é Hollywood...)
Mas voltando a Lewton

Naquele cenário, somente filmes B eram feitos, que se hoje são cults, na época não faziam dinheiro. E não poderia ser diferente com a RKO, que estavam mal das pernas nos anos 40. Com isto buscavam boas ideias, mas executados de forma rápida e barata. E Lewton entrou como solução. Para o primeiro filme, escalou Tourneur, um diretor bem mais ou menos até então (à partir daí fez uma obra prima atrás da outra), portanto, barato de contratar. Veio com isto O sangue da Pantera, e com o sucesso, pavimentou o caminho para "A morta viva" e "Homem leopardo", tornando Tourneur (não resisti à aliteração) conhecido e com oportunidades melhores. E com estes três filmes, Val Lewton conseguiu um estilo próprio, bem diferente dos monstros da Universal, cujo objetivo era concorrer. Estilo este que se destacava a sutileza e a sugestão.

A história segue um sérvia chamada Irena Dubrovna,que conhece o americano Oliver Reed ( não é o ator, claro!!) em um zoológico, começam um relacionamento e se casam. Mas paralelo a isto tem problemas porque Irena  acredita ser descendente de uma raça diferente de mulheres. Ela acredita possuir o sangue de pantera (tem constantemente alucinações com grandes felinos e durante a noite ouve uivos). Quando mergulha em sentimentos fortes como: ciúme, raiva e lascívia, libera a "pantera" assassina que tem dentro de si. E ao mesmo tempo em que se interessa pelas suas histórias, um psiquiatra tenta seduzi-la. 

Lewton e sua produção são creditados por inventar ou popularizar a técnica de filme de terror chamada "Lewton Bus", em português "Ônibus do Lewton". O termo deriva da cena em que Irena está seguindo Alice. O público espera que Irena se transforme em uma pantera a qualquer momento e ataque. No ponto mais tenso, quando a câmera focaliza o rosto confuso e aterrorizado de Alice, o silêncio é quebrado por aquilo que soa como um rosnar de pantera, mas é apenas um ônibus encostando. Esta técnica tem sido usada muitas vezes até hoje. Qualquer cena em que a tensão é dissipada por um simples momento de sobressalto, um "boo!", é um 'Lewton Bus'.

O filme joga com as verdades: será mesmo a personagem vítima de uma maldição fantástica e aterrorizante? Um tipo de vampiro felino...Ou ela tem um distúrbio psicológico forte, com possibilidade de ser curada? Gradativamente, estes elementos são jogados no telespectador de forma sutil, porém com novos joguetes com finalidade de complicar a solução final, como Oliver que se apaixona por uma colega de trabalho ou o doutor, que se apaixona pela fera e se aproveita de sua "fragilidade" para conseguir consumar sua paixão. Situações que destroçam sua sanidade, tornando mais ambiguo o rumo da trama. O que é um grande mérito o filme.

Para quem não assistiu, fica o texto sem spoilers, para não estragar a surpresa. Mas é interessante ressaltar que o final foi uma imposição do estúdio, que aliás veio a ser uma sina de Jaqcues, já que (de novo não resisti à aliteração) em Noite do demônio, o estúdio obrigou-o a colocar aquela horrenda cena com o demônio. Todos deveriam ter terminado como proposto: dúbio, sutil e sugestivo.

DeWitt Bodeen escreveu o roteiro de "Sangue de Pantera" baseado no conto de Lewton "The Bagheeta" publicado em 1930. O filme teve uma sequência em 1944, chamada A Maldição do Sangue de Pantera, e um remake em 1982, com o nome de "A marca da pantera".

Extras: Além de uma entrevista com o diretor de Sangue da Pantera, de quase meia hora, há o importante documentário: Val Lewton: The Man in the Shadows, de quase 1h e 30 min, apresentado por Martin Scorsese, que nada mais é que um tributo ao mestre das sombras e da sugestão. Há também uma entrevista com o  diretor de fotografia e Trailer da obra.
Imperdível. Quem venham os outros...

Informações Técnicas:

Título: Sangue de PanteraTítulo Original: Cat People
País de Produção: Estados Unidos
Ano de Produção: 1942
Gênero: Terror, Thriller
Direção: Jacques Tourneur
Elenco: Simone Simon, Tom Conway, Kent Smith, Jane Randolph, Jack Holt, Henrietta Burnside, Alec Craig, Eddie Dew.
Idioma: Inglês
Legendas: Português - Inglês
Duração Aproximada: 72 minutos.
Região: Aberto para todas as zonas (Livre)
Áudio: Dolby Digital 1.0
Vídeo: 1.33:1
Cor: Preto e Branco