Entra em cartaz oficialmente nos cinemas nacionais nesta semana o longa Sicario – Terra de Ninguém, mais novo filme do diretor Denis Villeneuve (Incêndios). Trata-se de mais uma produção em que Villeneuve explora as pulsões humanas, em especial focando o olhar do espectador na guerra contra o tráfico de drogas, suas repercussões e o tipo de resposta que as vezes se faz necessário por parte do governo americano. Sicario é mais uma produção que desnua um tema muito delicado e atual de nossa sociedade, mostrando que as vezes a diferença entre bandidos e mocinhos pode ser apenas de perspectiva, pois os métodos por vezes são bastante semelhantes.
O filme chega depois de ter boas críticas da mídia internacional, passeando também por alguns festivais e recebendo uma recepção positiva do público. A produção conta com bons nomes no elenco tendo destaque para o trio Emily Blunt (No Limite do Amanhã), Benicio Del Toro e Josh Brolin. Blunt vive a agente do FBI Kate Macer, que após um evento logo no início do filme recebe instruções de seus superiores para dar suporte a uma força-tarefa liderada por Josh Brolin. Mas o grande ás desta equação é Del Toro, que faz um associado da CIA que lutou contra o narcotráfico na Colômbia.
Em Sicario – Terra de Ninguém, a crescente violência na fronteira sem lei entre os Estados Unidos e o México, uma agente do FBI (Emily Blunt) é exposta ao mundo brutal do tráfico internacional de drogas por membros de uma força-tarefa do governo que a escalam em seu plano para derrotar o chefe de um cartel mexicano. Ela então percebe que nem sempre as leis se aplicam da mesma forma para todos os casos e que as diferenças entre bandidos e mocinhos pode não ser tão grande quanto ela imaginava.
Como os filmes anteriores do Villeneuve ele desnua para o espectador um mundo sombrio que na verdade esta ao nosso alcance, mas para isso não são necessários o uso de litros de sangue ou explosões em excesso. A grande chave para o sucesso e imersão dentro deste submundo de nosso sociedade que afeta muitas pessoas é mostra-lo na penumbra e causando uma sensação de desconforto constante. Desconforto esse que atinge e é constantemente demonstrada nas ações e falas da agente Macer que começa a questionar o seu papel nesta força tarefa e até das ações do seu governo para combater essa violência e incursão dos narcotraficantes para além da fronteira dos EUA.
Mas as resoluções para problemas complexos nunca são simples e ao longo da jornada de Macer, percebemos assim como ela que métodos escusos as vezes são usados pelo governo para combater violência com também com muita violência. Isso não quer dizer que ao longo da projeção vão existir muitas cenas de ação ou tiroteios, na verdade desde os momentos inciais o que existe é uma grande tensão no ar. Esta tensão é sustentada por uma fotografia mais escura, um tanto quanto cinza, fantasticamente comandada pelo veterano Roger Deakins, que também foi parceiro de Villeneuve em Os Suspeitos. Mas a escalada desta sensação pesada e que vai implantando em nossa mente a sensação de que algo muito impactante esta para acontecer a cada momento se mantém principalmente por causa da excelente trilha sonora feita por Jóhann Jóhannsson que assim como Deakins repete a parceria com Villeneuve inciada em Os Suspeitos.
Sicario – Terra de Ninguém é realmente um filme muito bom, especialmente para o gênero policial que hoje em dia acostumou o público a encarar cenas repletas de balas e explosões mas quase sem nenhuma tensão. A partir desta produção da para ter uma melhor visão de como pode ser a realidade da luta contra o narcotráfico em que cada nova missão pode ser a sua última. O ponto chave do longa é buscar mexer com o espectador lhe causando um desconforto quase que constante e isso Villeneuve consegue fazer como poucos.
NOTA:
TRAILER DO FILME:
FICHA TÉCNICA DO FILME:
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